Política

Dilma atribui queda na popularidade à “situação econômica adversa”

Redação DM

Publicado em 10 de julho de 2015 às 23:45 | Atualizado há 11 anos

Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista à TV Russia Today, que a queda na sua popularidade em pesquisas recentes se deu em razão da “situação econômica bastante adversa”. A entrevista foi concedida ao canal na quinta-feira (9) e, o conteúdo, divulgado ontem pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

Dilma esteve na Rússia nesta semana para participar da VII Cúpula do Brics, grupo de países emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Após o evento, ela seguiu para a Itália, onde se reuniu nesta sexta com o primeiro-ministro do país, Matteo Renzi, e apresentou o Plano de Investimento em Logística.

Pesquisa Ibope divulgada na semana mostrou que 9% consideram o governo “ótimo” ou “bom”, enquanto 68% o avaliaram como “ruim” ou “péssimo” e 21%, “regular”. O levantamento, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ouviu 2.002 pessoas entre 18 e 21 de junho, em 141 municípios.

“Em qualquer país do mundo você tem quedas de popularidade. A minha decorre de uma situação econômica bastante adversa. Eu tenho certeza que isso vai melhorar. E o que importa é, sem sombra de dúvida, que nós estamos trabalhando duro para tirar o Brasil dessa situação de crise. E isso é o que nós vamos ter como nosso foco principal”, disse a presidente, perguntada sobre o porquê de os índices de popularidade dela terem “caído bastante”.

Na entrevista à TV russa, Dilma afirmou que, além do Brasil, outros países do Brics, como a Rússia e a China, enfrentam situações “passageiras” na economia – na quinta-feira, em entrevista, ela chegou a dizer que o Brasil passa por momento “extremamente duro”, mas tem “fundamentos sólidos” para retomar o crescimento.

Ao falar sobre o cenário econômico do grupo, ela afirmou que os países começaram a “experimentar” os efeitos da crise internacional.

“Mas nós conseguimos passar o pior momento. Nós estamos, há seis anos, impedindo que a crise afete o desemprego e afete a renda do povo brasileiro. Mas tem um limite para essa situação. Mas a economia brasileira, ela tem fundamentos sólidos, nós nos recuperaremos rápido”, declarou.

 

País “sólido”

Classificada, durante a entrevista, de “ídolo e super-heroína” em razão de “todo o seu passado”, Dilma afirmou que ainda falta fazer “muito” para o Brasil, mas ressaltou: “nunca, em um país, você consegue cumprir tudo o que você tem de fazer. Todo dia você tem de lutar para fazer mais.” Ao destacar o “momento adverso” pelo qual o Brasil passa, a presidente disse ser preciso trabalhar “ainda mais” para conseguir que o País saia “mais rápido” da crise.

“Nós somos um País sólido, do ponto de vista macroeconômico. Nós não temos bolha, o nosso sistema bancário é absolutamente robusto. Não há razão para que o Brasil não volte a crescer”, concluiu.

 

Balanço da cúpula

Dilma deu a declaração após ter sido questionada durante entrevista coletiva sobre se o Brasil havia chegado ao “fundo do poço” ou se ainda surgirão mais “notícias negativas”.

 

“Vários países passam por crises graves, mas só o Brasil, eu acredito, tem uma característica específica: nós estamos, de fato, passando por um momento extremamente duro e a preocupação do governo com esta questão é tanta que lançamos há pouco o Programa de Proteção ao Emprego, que é bastante interessante”, disse.

“O Brasil tem, estruturalmente, fundamentos para se recuperar rápido. Não é só questão de achar ou não. Nós apostamos nisso não porque temos visão rosa da situação. Não temos, não. Nós achamos que o Brasil tem fundamentos sólidos”, acrescentou.

Em sua fala, a presidente afirmou que o governo está “trabalhando duramente” para que o País saía “rápido” da crise. Na Rússia, Dilma disse esperar que a situação internacional ajude “de forma importante” todos países que buscam “saída” para a economia.

“Não é consolo, mas ela (crise econômica) é uma situação generalizada no mundo. A China, por exemplo, tem hoje a menor taxa de crescimento dos últimos 25 anos. Você tem problemas em vários lugares do mundo e a Europa também não tem conseguido sair da crise”, destacou.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o objetivo central da cúpula foi “aprofundar o diálogo” entre os países que compõem o Brics e “avançar” na cooperação financeira.

Ao fazer um balanço de sua participação na quinta-feira, a presidente ressaltou o Banco do Brics como um “instrumento inter-regional de garantia da estabilidade financeira”. A instituição foi criada no ano passado com capital inicial de US$ 50 bilhões – podendo chegar a US$ 100 bilhões – que podem ser destinados a projetos de infraestrutura em países emergentes.

 

“Em qualquer país do mundo você tem quedas de popularidade. A minha decorre de uma situação econômica bastante adversa. Eu tenho certeza que isso vai melhorar”

Dilma Rousseff ,Presidente da República

 

 

 

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia