Pesquisa do ICTQ diz que 46% dos goianos não sabem tomar remédio
Redação DM
Publicado em 2 de julho de 2015 às 02:57 | Atualizado há 11 anosDa Redação
Pesquisa realizada pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico sobre o uso racional de medicamentos mostrou que pelo menos 46% da população da região Centro-Oeste não sabe como consumir um medicamento de forma adequada. A média ficou acima do registro nacional, que é de 40%. O estudo apontou que essas pessoas não sabem a melhor maneira de usar os remédios não prescritos de forma a assegurar seus efeitos e eficácia com segurança.
Um agravante dessa situação é que essa população vê as farmácias e drogarias (que são estabelecimento de saúde) como um comércio comum, igual a uma perfumaria ou supermercado. 65% dos entrevistados do Centro-Oeste admitem encarar a farmácia como uma loja de conveniência ou minimercado.
Para o presidente do Conselho Científico do ICTQ e ex-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, o uso inadequado de medicamentos pode causar de efeitos leves e passageiros até a morte, ou danos que originem sequelas transitórias ou perenes.
No Brasil, a população da terceira idade, que naturalmente consome mais medicamentos no seu dia a dia, apresenta os índices mais elevados de desinformação sobre o uso de medicamentos.
Entre os brasileiros com idade entre 45 e 59 anos, o índice de desinformação sobre do consumo de remédios sobe para 42%. Dos que têm idade a partir de 60 anos, este índice é de 41%.
As classes econômicas menos favorecidas também sofrem com a ausência de informação sobre o uso racional de medicamentos. Entre os brasileiros das classes D e E, o índice de desinformação é de 55%.
“Não podemos dizer que apenas um fator é responsável pela falta de informação sobre o consumo racional de medicamentos. No entanto, podemos destacar a falta de atenção por parte do consumidor às instruções de consumo presentes nas bulas e embalagens, a falta de iniciativa por parte do paciente em buscar orientação de um farmacêutico no ato da compra na farmácia e, ainda, a falta de ponderação das pessoas de que o medicamento não é um produto qualquer – ele pode ser um remédio, mas também um veneno – depende da dose”, fala o diretor de Pesquisa do ICTQ, Marcus Vinicius de Andrade.
A pesquisa foi realizada pelo ICTQ, em parceria com o Instituto Datafolha, e entrevistou 2.162 pessoas por todo Brasil, distribuídas em 134 municípios, de forma a representar todas as regiões geográficas do País. A margem de erro máxima para esta amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. As entrevistas foram realizadas com homens e mulheres com idade a partir dos 16 anos.