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Autor de atentado e decapitação na França tinha vínculos com o Estado Islâmico

Redação DM

Publicado em 30 de junho de 2015 às 09:02 | Atualizado há 11 anos

PARIS — O homem que decapitou seu chefe na sexta-feira e atacou uma usina de gás na França tinha motivação terrorista e estava vinculado ao Estado Islâmico (EI), afirmou a promotoria de Paris nesta terça-feira. Segundo o procurador-geral francês, François Molins, o atentado trazia as marcas do grupo extremista e o autor do ataque, Yassin Salhi, enviou duas fotos do corpo decapitado a um amigo na Síria, com um pedido para que o EI divulgasse as imagens.

“A investigação dá a entender uma motivação terrorista no gesto de Yassin Salhi, ainda que justificado por considerações pessoais”, disse Molins.

Segundo o procurador, o amigo de Salhi, Sebastien Younes, indicou que o Estado Islâmico poderia distribuir as imagens como parte de sua campanha de propaganda para atrair ocidentais radicalizados. Uma das fotos é uma selfie de Salhi com a cabeça decepada e outra do corpo com a cabeça colocada em cima.

O atentado cometido por Salhi “corresponde exatamente às determinações do Daesh (acrônimo em árabe do EI)”, ou seja, matar “infiéis”, declarou Molins, que comparou a tentativa de explodir a usina de gás a uma “operação mártir” praticada pelos jihadistas.

Molins fez a declaração no final de uma custódia inicial de 96 horas de Yassin Salhi, de 35 anos, que foi detido na cena do crime, perto da cidade de Lyon, na sexta-feira. O procurador afirmou que Salhi será mantido atrás das grades enquanto está em curso uma investigação sobre acusações de terrorismo.

Ele disse que as investigações nos quatro dias desde a prisão de Salhi — principalmente provas de contatos dele com o militante islâmico na Síria — justificam um inquérito com base em suspeita de terrorismo e não apenas, como argumentou Salhi, um assassinato provocado por problemas pessoais com o chefe e a esposa.

O suspeito explicou que os atos foram motivados por um conflito com o chefe e uma disputa conjugal. Segundo ele, a motivação foi puramente pessoal.

— Na realidade, uma coisa não exclui a outra e a escolha de matar uma pessoa pela qual sentia aversão não exclui uma motivação terrorista — afirmou o promotor.

A cabeça decepada de seu chefe foi encontrada pendurada em cima do muro de um local pertencente à companhia de gás e produtos químicos Air Products, com sede nos Estados Unidos, ao lado de bandeiras islâmicas.

O promotor também revelou um “testemunho indireto”, segundo o qual Younes teria “solicitado a autorização do EI para divulgar a selfie“.

O autor do ataque afirmou aos investigadores que não lembrava do fato de ter colocado a cabeça na cerca e nem do envio da foto.


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