Governo grego ordena que bancos não funcionem nesta segunda-feira
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2015 às 00:18 | Atualizado há 11 anosATENAS, FRANKFURT E BRUXELAS – O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou neste domingo que os bancos permanecerão fechados na segunda-feira. Após uma reunião do gabinete, ele afirmou que os depósitos bancários estão completamente seguros e pediu calma à população. O controle de capitais também foi imposto, mas ainda não há detalhes sobre as medidas. A Bolsa de Atenas não vai operar amanhã.
Tsipras também afirmou que, mais uma vez, pediu que o atual pacote de resgate dos credores internacionais, que vence na próxima terça-feira, seja estendido por mais alguns dias.
Pouco antes, o diretor-presidente do Piraeus Bank, Anthimos Thomopoulos, anunciara a decisão aos jornalistas ao fim de um encontro do conselho de estabilidade financeira do governo grego neste domingo. Já o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, não quis comentar e afirmou apenas que um comunicado seria feito após a reunião do gabinete governamental, que começou em seguida. Horas antes, ele afirmara à BBC que o governo avaliaria o fechamento dos bancos e a imposição de controle de capitais.
Os bancos gregos devem permanecer fechados pelos menos até o próximo dia 5, quando será realizado o referendo convocado pelo primeiro-ministro Aleis Tsipras sobre a aceitação das medidas de austeridade propostas pelos credores internacionais em troca de uma ajuda de € 15,5 bilhões.
Mais de um terço dos caixas eletrônicos da Grécia ficaram desabastecidos no sábado devido à correria dos gregos para sacar dinheiro, temendo que o país saia da zona do euro, segundo fontes do setor bancário. À Reuters, uma fonte afirmou que cerca de € 600 milhões teriam sido sacados apenas no sábado.
Após as informações sobre o possível fechamento dos bancos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) vigiará atentamente a evolução da situação na Grécia e “nos países vizinhos” e continua “disposto a dar sua assistência” em caso de necessidade, afirmou neste domingo sua diretora-geral do Fundo, Christine Lagarde.
— Os próximos dias serão importantes (…). O FMI continuará vigiando a situação na Grécia e nos países vizinhos e continua disposto a dar sua assistência em caso de necessidade — disse Lagarde, afirmando, ainda, que está “decepcionada” com o fracasso das conversações entre Atenas e seus credores.
BC EUROPEU MANTÉM PROGRAMA DE LIQUIDEZ
Já o Banco Central Europeu (BCE) anunciou neste domingo que vai manter os empréstimos de emergência aos bancos gregos em seu nível atual, deixando assim a porta aberta para uma solução que evite um colapso da economia grega e sua saída do euro. No entanto, alertou que está “disposto a reconsiderar sua decisão” a qualquer momento.
“Considerando as circunstâncias, o Conselho do BCE decidiu manter o nível de fornecimento de liquidez urgente dos bancos gregos decidido na sexta-feira”, afirmou a instituição em comunicado.
Segundo informações divulgadas na Grécia, o teto desses empréstimos de emergência, que socorrem os bancos gregos e toda a economia do país, se aproximou aos € 90 bilhões nas últimas semanas.
O conselho, cujos 25 membros se reuniram em caráter de urgência durante a manhã deste domingo, após o fracasso das negociações entre a Grécia e seus credores, no sábado, “examina com atenção à situação e suas potenciais implicações para sua política monetária”, diz o comunicado.
“(O BCE) está determinado a utilizar todos os instrumentos à sua disposição permitidos por seu mandato”, acrescenta o texto.
A instituição monetária não parece disposta a desviar-se de suas regras, ou seja, a financiar a economia grega além da expiração do plano de ajuda em curso, que terminará na terça-feira.
O presidente do Banco Central da Grécia, Yanis Stournaras, prometeu fazer o que for possível para “garantir a estabilidade financeira” de seu país e evitar a quebra da economia grega, segundo anunciou o BCE.
“O Banco da Grécia, como membro do Eurosistema, vai tomar todas as medidas necessárias para assegurar a estabilidade financeira dos cidadãos gregos nessas circunstâncias difíceis”, afirmou Stournaras, citado no comunicado do BCE difundido após a reunião de governadores da instituição.
Os ministros de Finanças da zona do euro decidiram no sábado não estender o atual programa de resgate da Grécia que expirará, como previsto, na próxima terça-feira, dia 30, quando também vence o pagamento da parcela de € 1,6 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
COMISSÃO EUROPEIA DIVULGA TERMOS DO ACORDO REJEITADO
A Comissão Europeia, em uma ação incomum que destaca a frustração com o governo grego, publicou neste domingo o que disse ter sido a última proposta que os credores fizeram a Atenas antes de as negociações sobre financiamento terem entrado em colapso. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, convocou um referendo para o próximo domingo, pedindo que o povo rejeite a oferta sobre a mesa em Bruxelas.
“No interesse da transparência e para a informação do povo grego, a Comissão Europeia está publicando as mais recentes propostas”, disse o Executivo da UE em comunicado, acrescentando elas haviam sido definidas por ele próprio, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional, levando em consideração propostas gregas feitas durante as últimas três semanas.
Destacando que os negociadores trabalharam até tarde da noite de sexta-feira, a Comissão Europeia disse: “O entendimento de todas as partes envolvidas foi de que essa reunião do Eurogrupo deveria alcançar um acordo abrangente para a Grécia, um que incluísse não apenas as medidas a serem definidas conjuntamente, mas que também teria lidado com necessidades futuras de financiamento e a sustentabilidade da dívida grega”.
O Eurogrupo não conseguiu, entretanto, aprovar o acordo “devido à decisão unilateral das autoridades gregas de abandonar o processo”, disse a comissão em comunicado acompanhado por uma lista de 10 páginas de leis que formalizem promessas de reformas com as quais Atenas teria que concordar em relação a impostos e gastos para receber recursos.