Política

“Ex-presidente está de olho nas eleições”, dizem cientistas políticos

Redação DM

Publicado em 26 de junho de 2015 às 23:26 | Atualizado há 2 anos

 

No debate que recebeu o ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González, do Psoe (Partido Socialista Operário Espanhol), Lula disse que pretende chamar para palestras representantes dos novos partidos que vêm surgindo na Europa, como o Podemos. “O PT era, em 1980, o que é hoje o Podemos. A gente nasceu de um sonho, de que a classe trabalhadora pudesse ter vez e ter voz, e nós construímos essa utopia.”

O ex-presidente afirmou ainda que há necessidade de refletir sobre como recuperar essa ideologia do partido. “Há necessidade de repensarmos a esquerda, o socialismo e o que fazer quando chegamos ao governo. Enquanto você é oposição é muito fácil ser democrata, você pode sonhar, pensar, acreditar, mas quando você chega ao governo, precisa fazer, tomar posições.”

Ao atacar recentemente o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está, na verdade, pensando em seu futuro político, de acordo com alguns cientistas políticos.

O certo é que o PT vive uma queda sem precedentes de popularidade e tenta descobrir meios para lidar com as graves denúncias de corrupção entre seus integrantes, dizem os especialistas. Com o desempenho ruim da economia, o partido sofre uma perda de credibilidade entre os próprios militantes.

Na opinião da cientista política e professora da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Maria do Socorro Braga, Lula já está pensando no futuro do partido diante das próximas eleições presidenciais, em 2018. “O Lula falando isso agora é na tentativa de dar uma nova guinada a essa conjuntura adversa ao Executivo. O partido está por trás disso. Obviamente, ele [Lula] está visando 2018.”

Uma das declarações do ex-presidente Lula foi de que o partido “perdeu a utopia”. Segundo ele, as bandeiras que o PT sempre defendeu precisam ser retomadas. “Nós temos que definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto.”

Porém, nos últimos anos, o que se viu foi justamente o contrário, segundo o professor e cientista político da Fesp-SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) Aldo Fornazieri. “Boa parte das lideranças que surgiram veio com uma ideologia desvirtuada, do oportunismo do carreirismo. É a ideologia do novo rico, bem longe do amor à coisa pública. […] Ele [Lula] está dizendo para voltar e recuperar princípios abandonados.”

Impacto no PT

Para Maria do Socorro, a mudança defendida por Lula pode não ser tão conveniente para alguns integrantes do PT que estão no governo. “Militantes dentro da máquina [pública] muitas vezes têm incentivos que acabam contribuindo para essa loucura toda de ficar no poder. Mas, para o militante que agarrou as bandeiras do PT desde a década de 80, fica muito difícil entender algumas posturas do PT.”

Se quiser ter um desempenho satisfatório nas eleições municipais de 2016, o PT precisa reconquistar essa parcela da militância que se frustrou com o partido, principalmente por causa dos escândalos de corrupção, segundo os cientistas políticos.

Fornazieri acrescenta que é muito difícil que a legenda consiga isso estando no poder, já que os erros continuam acontecendo.”O PT fez um congresso e não definiu nenhum caminho para sair da crise. Não reconhece os erros. O congresso vai lá e aplaude de pé o [ex] tesoureiro do partido [João Vaccari Neto] que está preso, acusado de corrupção. Qual é o recado que isso dá para a sociedade?”

É consenso entre os dois professores que o ex-presidente tem papel fundamental no reposicionamento do PT. Caso a imagem do partido não mude e os conflitos internos não sejam solucionados, o ambiente para uma eventual candidatura de Lula à Presidência, em 2018, será desfavorável.

Maria do Socorro, da UFSCar, observa que muitos fatores ainda podem interferir nas eleições de 2018, como a economia e os acordos políticos, mas diz que algo é certo. “O Lula e o grupo dele não ganham nada se o Executivo for de mal a pior.” (Com informações da Agência Globo).

 

 

 

 

 

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