Negociações milionárias de Firmínio e Douglas Costa mostram que Brasil tem jogadores valorizados
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2015 às 08:20 | Atualizado há 11 anosRIO, 25 (AG) – Firmou-se uma espécie de senso comum de que o futebol brasileiro não forma jogadores como antes, de que não tem sua melhor safra. Em paralelo, há um consenso de que os clubes mais importantes do mundo, que atuam nas principais ligas da Europa, podem escolher os jogadores que quiserem. Então, o que há, de fato, é um paradoxo. E a seleção brasileira que está no Chile é a imagem dele. Um dia após a confirmação de que Roberto Firmino fez o Liverpool gastar R$ 122 milhões para tirá-lo do Hoffenheim, da Alemanha, nesta quinta-feira foi revelado que o Bayern de Munique estaria gastando valor semelhante com Douglas Costa, atualmente no Shakhtar Donetsk.
Janela após janela, as transferências de brasileiros estão entre as recordistas na Europa. Turbinada pelo seu novo acordo com a TV, que atinge algo próximo de R$ 25 bilhões por três anos de contrato, a Premier League inglesa é a competição nacional mais rica do planeta. E, justamente ela, deverá ser a mais representada na provável escalação da seleção brasileira no jogo de amanhã, contra o Paraguai, em Concepción.
A seleção mais inglesa da Copa América deverá ter Filipe Luís, Willian (ambos do Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Philippe Coutinho (Liverpool) e Roberto Firmino em campo. Vale lembrar que Oscar, do Chelsea, por exemplo, se lesionou e não está no Chile. O lateral-direito Fabinho, do Monaco, também é alvo de especulações envolvendo clubes ingleses. Entre eles, o Manchester United.
Subjetividade de julgamentos à parte, os números mostram duas coisas: a seleção brasileira tem grande quantidade de jogadores tão valorizados quanto jovens. Douglas Costa, que chega ao Bayern de Munique, segundo avaliações da imprensa alemã, como potencial substituto de Ribéry no futuro, tem 24 anos. Philippe Coutinho e Roberto Firmino têm 23. Mesma idade, por exemplo, de Oscar e Neymar, dois referentes da atual geração.
– Não somos recordistas de jogadores na Liga dos Campeões à toa – afirmou o técnico Dunga, em defesa do elenco brasileiro, embora sempre deixe claro que seu objetivo é a valorização do coletivo. – Na medida em que o time evoluir coletivamente, as individualidades vão aparecer.
Ele se refere a uma estatística sintomática. Entre os jogadores inscritos na fase de grupos do principal campeonato de clubes do mundo, que é um torneio europeu, o Brasil era o segundo país mais representado do planeta: foram 68, número superado apenas pelos 75 dos espanhóis. No entanto, os brasileiros foram recordistas de minutos em campo. E o país foi, também, o recordista de titulares nas oitavas de final, ou seja, na fase que reunia, em tese, os 16 principais clubes do mundo.
As cifras também impressionam. Willian, do Chelsea, é avaliado em R$ 130 milhões. É o décimo-sexto jogador mais valioso da Premier League, de acordo com números do site Transfermarkt. Oscar é o décimo. Três anos após ser contratado por EUR 25 milhões, o que representa R$ 86 milhões em valores de hoje, é cotado no mercado a R$ 170 milhões. Especula-se que o Juventus faça proposta próxima de R$ 100 milhões pelo meia.
Pelo lateral Filipe Luís, o Chelsea pagou o equivalente a R$ 87 milhões ao Atlético de Madrid. Já o volante Fernandinho, em 2013, chegou ao Manchester City pelo equivalente a R$ 140 milhões. Hoje, avaliado em nível similar, é o 22º jogador com mais valor de mercado no Campeonato Inglês. Já Philippe Coutinho teve valorização significativa. Por R$ 41 milhões, trocou o Internazionale pelo Liverpool. Hoje, tem valor estimado em R$ 107 milhões.