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Hungria suspende regra de asilo da UE e diz: ‘Barco está lotado’

Redação DM

Publicado em 24 de junho de 2015 às 13:06 | Atualizado há 11 anos

BUDAPESTE — A Hungria suspendeu por tempo indefinido a aplicação de uma regra de asilo da União Europeia que determina o julgamento dos imigrantes no país onde eles desembarcaram no continente. Para o governo, a medida pretende proteger os interesses da população após um aumento considerável dos pedidos de abrigo, pois o “barco está lotado”. No entanto, a decisão não foi bem vista por Bruxelas, que pediu esclarecimentos imediatos.

— Nós desejamos uma solução europeia, mas temos de proteger os interesses húngaros e a nossa população — disse o porta-voz do governo, Zoltan Kovacs.

Só nesse ano, o país recebeu 60 mil pedidos de asilo, o que faz da Hungria o segundo Estado europeu que mais registrou entrada de imigrantes em 2015 — em números proporcionais ao tamanho da população — atrás apenas da Suécia. A maioria dos refugiados fugiram do Oriente Médio e de Kosovo.

Mas, apesar do aumento em relação ao ano passado, quando foram contabilizados 43 mil novos imigrantes, o país abriga apenas 1,5% de população estrangeira, pois a maioria que desembarca no território segue seu caminho para tentar chegar à Áustria ou à Alemanha.

Para justificar a suspensão, Budapeste argumenta que já “esgotou os recursos à sua disposição” para aceitar novos requerentes de asilo, anunciou um endurecimento da retórica anti-imigração.

Mas a recusa da Hungria pode os problemas da vizinha Áustria em lidar com um influxo cada vez maior de imigrantes. Na terça-feira, a ministro do Interior austríaco, Johanna Mikl Leitner, condenou veementemente a decisão húngaro e pediu que o país respeite a regra europeia.

Essa já é a segunda polêmica relacionada à crise migratória que envolve Budapeste. Na semana passada, o país anunciou a construção de uma barreira para impedir a entrada de imigrantes.

— De todos os países da União Europeia, a Hungria é o que sofre maior pressão de migração. Uma resposta comum da União Europeia a este desafio é muito demorada, e a Hungria não pode esperar. Deve agir — afirmou o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, na ocasião.


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