Economia

Levy diz ser ‘precipitado’ fazer mudança na meta de superávit primário

Redação DM

Publicado em 23 de junho de 2015 às 16:59 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira que a economia passa por uma “ressaca”, mas que o governo está tomando medidas para evitar que “o barco bata nas pedras”. Ele disse que ainda é cedo para se falar numa redução da meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 2015, fixada em R$ 66,3 bilhões, ou 1,13% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), mas admitiu que o cenário atual torna a realização desse resultado mais difícil.

— Eu diria que talvez a gente esteja sentindo uma ressaca, que é aquela força que puxa na volta das águas. Essa ressaca afetou a confiança no começo do ano. Mas tem a vantagem de que a ressaca passa. Temos que nos preparar, não podemos deixar o barco bater nas pedras, temos que fazer adaptações — disse Levy, acrescentando:

— Ainda é um pouco precipitado fazer qualquer movimento em relação à meta. Não adianta querer tirar o sofá da sala. Tem uma série de ações que a gente tem que tomar.

INFLAÇÃO

Em meio a rumores de que o governo poderia reduzir a meta de inflação para 2017 para mostrar um comprometimento maior com o controle dos preços, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que essa decisão vai ser tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) esta semana. O CMN é formado pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e pelo Banco Central e vai definir na quinta-feira se mantém o centro da meta em 4,5% (com dois pontos de tolerância para baixo ou para cima) para 2016 e vai fixar o número para 2017.

O ministro destacou apenas que o trabalho de combate à inflação realizado pelo BC e o ajuste fiscal têm feito as expectativas do mercado sobre os índices de preços convergirem para o centro da meta a partir do ano que vem:

— Esse ano, a inflação foi mais alta, mas para 2017 e 2018 está começando a voltar para 4,5%. Ela estava desancorada e está voltando para a meta. Em 2016 também está convergindo. Por isso eu tenho defendido que a gente acelere o ajuste fiscal, para que essa convergência ocorra logo

FONTES DE RECEITA

O ministro afirmou que o governo continua trabalhando para encontrar fontes de receitas e anunciou que está em estudo a abertura de capital do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Ele adiantou ainda que a reestruturação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) também deve ajudar a economia no segundo semestre de 2015.

— Estamos trabalhando para recuperar o Carf. Isso vai nos ajudar no segundo semestre. Estamos pensando também em fazer uma abertura de capital do IRB. São medidas que permitem não só ter receitas, mas ter mais dinamismo na economia.

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