Política

Santillo e Perillo deixam marcas indeléveis para Saúde em Goiás

Redação DM

Publicado em 23 de junho de 2015 às 01:48 | Atualizado há 11 anos

Jornalista por formação, comecei a estudar o Sistema Único de Saúde (SUS) ao iniciar meu trabalho na Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, em 2009. Saúde é matéria que não se vê na faculdade (estudamos política, filosofia, sociologia, antropologia, direito…), mas é um dos assuntos que mais dominam as pautas de qualquer redação de jornal. Não apenas a população desconhece de quem são as responsabilidades do sistema, como também saímos da faculdade “ignorantes” em Saúde.

O SUS é tripartite. Para que o leitor compreenda, o governo federal traça as diretrizes nacionais (por intermédio de indicadores de saúde, perfil epidemiológico do País); aos Estados cabe a fiscalização e o cumprimento das diretrizes, além de ter como responsabilidade os serviços de alta complexidade ofertados em grandes hospitais públicos; e os municípios cuidam da assistência primária (Cais, PSF etc.), da prestação de serviços de baixa complexidade.

A Saúde em Goiás vive um de seus momentos mais importantes. Mas é necessário relembrar como era o sistema há alguns anos.

Em dezembro de 1991, o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) entrava em funcionamento como a maior unidade de urgência e emergência em Goiás, no governo de Henrique Santillo e sob a gestão do secretário de Estado da Saúde, Antonio Faleiros. Durante mais de duas décadas, foi nesse hospital que a população goiana e as de vários estados brasileiros encontraram acolhimento, oferecendo 183 leitos de enfermaria, ocupando 28 mil m².

Vinte anos depois, em 2011, o cenário no Hugo era calamitoso. Sua estrutura não dava mais conta do desgaste e do não investimento histórico. Equipamentos quebrados, macas nos corredores, sem medicamentos… O Hugo estava na UTI e clamava por socorro. Um choque de gestão foi determinado pelo governador Marconi Perillo ao então secretário Antonio Faleiros. Em 2012, o Hugo passou a ser administrado pela organização social Instituto de Gestão em Saúde (Gerir).

Hoje, após três anos, temos um novo Hugo, com 58 leitos de UTI, 319 de enfermaria, 10 de reanimação, 10 de recuperação pós-anestésica. Muito se fez: reforma do pronto-socorro, salas de cirurgia, estacionamentos, cozinha e recepções; implantação da Central de Hotelaria e serviço de camareiras; construção de um andar inteiro de novas enfermarias, de banheiros para portadores de necessidades especiais, novos equipamentos e mobiliários, novo enxoval… Impossível enumerar o que a gestão inteligente fez pelo Hugo e pelos pacientes que ali recebem atendimento. Esse modelo está consolidado e implantado em todos os hospitais públicos do Estado de Goiás, a exemplo do pioneiro Crer e, em sequência, do Hospital Alberto Rassi–HGG (administrado pelo Idetch), Hospital de Doenças Tropicais (administrado pelo ISG) e Hospital Materno Infantil (administrado pelo IGH), dentre outros da rede pública estadual. São hospitais premiados, referência em Goiás e no Brasil.

Houve uma revolução na Saúde em Goiás, especialmente no que se refere à rede de alta complexidade. Não há como contrapor, é um fato constatado, inclusive, pelo repórter Marcelo Canelas, da TV Globo, que certa vez desembarcou em Goiás em busca de corredores superlotados e teve de se dirigir a Brasília.

Agora o Hugo deixa de ser o maior hospital de Goiás e cede lugar ao Hospital de Urgências Otávio Lage (Hugol). Com seus 71 mil m², tem 510 leitos e ocupa o posto de maior da região Centro-Norte do Brasil. A inauguração, marcada para dia 6 de julho, tem a assinatura de todos os profissionais da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás – que lutaram diuturnamente para que ele pudesse acontecer. Cada um, ali, colocou um pedacinho de si nessa obra, que haverá de salvar muitas vidas.

Reconhecer a coragem e o pioneirismo também é necessário. Henrique Santillo e Marconi Perillo: dois governantes que deixam marcas indeléveis para a história da saúde pública em Goiás.

 

(Flávia Lelis, jornalista)

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