Bolsa sobe e ações da Marfrig disparam após negócio com a JBS; dólar recua a R$ 3,08
Redação DM
Publicado em 22 de junho de 2015 às 13:17 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – Os investidores estão com a atenção voltada para a Grécia e para os desdobramentos da operação Lava Jato, da Polícia Federal, nesta segunda. O dólar comercial mantém a trajetória de queda, desde o início dos negócios, com expectativa de acordo do governo grego com os credores. Às 13h, a divisa estava sendo negociada em baixa de 0,58%, cotada a R$ 3,084. Segundo Reginaldo Galhardo, da corretora de câmbio Treviso, o dólar acompanha a trajetória da moeda no exterior, que também perde força em relação a outras divisas.
– Há expectativa que a Grécia chegue e um acordo com os credores, por isso o dólar recua no exterior. No campo doméstico, saíram números melhores das contas externas, (o déficit nas contas externas caiu 57% em maio). Isso faz com que a moeda americana recue por aqui também. Mas avalio que ela ficará numa mediana entre a máxima a mínima do dia, fechando a R$ 3,08 – diz o especialista em câmbio.
Na máxima, a moeda americana subiu até R$ 3,097 e na mínima foi negociada a R$ 3,068. Na sexta, o dólar se valorizou 1,51% frente ao real na sexta-feira, encerrando a sessão negociado a R$ 3,101.
Na Bolsa de Valores, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações, apresentou instabilidade nesta manhã, chegou a subir e, no mesmo horário, se valorizava 0,39% aos 53.959 pontos e volume negociado de R$ 1,8 bilhão.
– A Bolsa começou o dia em alta, pegando carona no otimismo das Bolsas do exterior com a expectativa de um acordo da Grécia e seus credores. Mas perdeu força por conta do ambiente doméstico, que traz incertezas. Além dos números mostrando que a economia está fraca, na sexta-feira, e previsão mais pessimistas do boletim Focus, com a prisão dos presidentes das duas maiores construtoras do país na Operação Lava Jato, corre-se o risco de ter várias obras paralisadas – diz o analista independente, Pedro Galdi.
Para ele, o mercado fica na expectativa de notícias que podem impactar o governo.
Nesta segunda, novas estimativas divulgadas pelo Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir das expectativas do mercado, mostram que espera-se alta da inflação e dos juros, e retração da economia brasileira, o que reduz o otimismo dos investidores.
A maior alta do Ibovespa é apresentada pelas ações ordinárias (com direito a voto) da Marfrig. A empresa vendeu para a JBS a divisão de aves Moy Park, na Europa, pelo valor de US$ 1,5 bilhão. Em conferência com analistas, Marcos Molina, presidente do conselho da companhia, afirmou que a venda reduzirá a dívida da Marfrig pela metade. Os papéis da empresa se valorizaram mais de 11%, pela manhã, e às 13h subiam 9,11% a R$ 5,27.
Na ponta oposta, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da Oi recuam 2,78% a R$ 6,30.
Com as prisões de presidentes e executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, a agência de classificação de risco Moody’s colocou
A Moody’s também colocou em revisão para rebaixamento o rating “Ba2” da Andrade Gutierrez motivada pelo aumento do risco de crédito.
“Embora as investigações ainda estejam em andamento e a condenação ou penalidades não foram aplicadas, estes eventos poderiam afetar negativamente a execução da estratégia de crescimento da empresa no curto prazo e piorar os fundamentos da indústria de engenharia e construção no Brasil”, afirmou a agência de risco.
A agência afirma que o processo de revisão incidirá sobre a capacidade da empresa para continuar operando no curto prazo.
GRÉCIA TENTA ACORDO COM CREDORES
Na Europa, a Grécia apresentou em Bruxelas uma nova proposta fiscal aos credores internacionais, classificada pelo premiê grego, Alexis Tsipras como o último esforço para evitar o calote do país aos credores e uma possível saída da zona do euro. A proposta prevê novos cortes no orçamento e nas aposentadorias e começou a ser analisada nesta segunda, embora nenhum acordo tenha sido divulgado.
O banco central europeu liberou recursos para que o país não fique sem dinheiro, depois que os gregos sacaram cerca de 4 bilhões de euros nos últimos dias numa corrida aos bancos.
No exterior, as bolsas americanas abriram em alta, enquanto na Europa os pregões também se valorizam apostando num acordo entre a Grécia e os credores.