Economia

Custo em Goiás é mais caro que no Rio

Redação DM

Publicado em 15 de junho de 2015 às 02:01 | Atualizado há 1 ano

A variação do Índice da Construção Civil em maio foi de 0,17% em Goiás, abaixo da variação nacional para o mesmo mês (1,26%) e acima da variação do índice no Estado em abril (0,04%). Com a variação de maio, no acumulado do ano de 2015, o índice goiano foi de 1,20% contra 2,40% no índice nacional. Os dados são da Supervisão de Documentação e Disseminação de Informações (SDI/GO).

Segundo a fonte, o custo nacional da construção civil, por metro quadrado aumentou de R$ 923,58 em abril para R$935,20 em maio, enquanto em Goiás, esse custo aumentou de R$ 915,25 para R$ 916,85 na mesma comparação. O custo por metro quadrado mais caro do País é do Rio de Janeiro (R$ 1.084,91), e o mais baixo em Rio Grande do Norte (R$ 822,81).

O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, calculado mensalmente pelo IBGE por meio de convênio com a Caixa Econômica Federal, foi criado em 1969 com o objetivo de produzir informações de custos e índices de forma sistematizada e com abrangência nacional, visando a elaboração e avaliação de orçamentos, como também acompanhamento de custos. O Sinapi tem abrangência nacional, sendo seus resultados relativos às 27 unidades da Federação.

No cálculo das séries mensais de custos e índices são consideradas apenas as despesas com materiais e salários (acrescidos dos encargos sociais). Não estão incluídas as despesas relativas aos seguintes itens: compra de terreno; execução dos projetos em geral; licenças, habite-se, certidões, seguros; administração da obra; financiamentos; lucro da construtora e incorporadora; ligações domiciliares de água, energia elétrica e esgoto; depreciações dos equipamentos; equipamentos mecânicos (elevadores, compactadores, exaustores…); equipamentos de segurança, máquinas, ferramentas e fundações especiais.

Empresário goiano fala das perspectivas de mercado e sobre a construção civil em Goiás

 

Nayara Reis, da editoria de Economia

Em entrevista ao Diário da Manhã, o empresário Rafael Mundim Rezende falou sobre os desafios para os que pretendem empreender nesse cenário, e também para aqueles que já estão no mercado. As dificuldades e anseios dos setores da construção civil e elétrica ente outros.

Rafael é formado em Direito pela PUC-GO, além de ser empresário da construção civil e elétrica, atuando em: obras de infraestrutura de energia, ferroviária e rodoviária; incorporação (construção de unidades residenciais de alto padrão); loteamentos; e mais recente Adega (venda de vinhos) e Restaurante.

 

DM – Para você, qual maior empecilho para os empresários goianos? O que esbarra no crescimento de empreendimentos na Capital?

Rafael Mundim  – Os principais empecilhos, não só em Goiás, mas no Brasil, com certeza, são a burocracia e os altos custos com encargos. Estes são os principais gargalos que os empresários encontram pela frente, além de muitos outros como alto custo de capital para investimentos, escassez de mão de obra qualificada, forte influência do Estado no setor privado e leis obsoletas, que não definem claramente a regra do jogo e geram muitos riscos e insegurança para o empreendedor.

Hoje em Goiânia temos um crescimento mediano, mas que poderia ser extraordinário, pois é uma cidade bem industrializada, com um comércio muito forte e com uma população economicamente ativa elevada, além de estar bem localizada geograficamente no País, porém esbarra em algumas questões básicas como dificuldades em aprovar novos empreendimentos, alto custo dos terrenos, problemas de infraestrutura viária e falta de investimentos em manutenção e melhorias estruturais da cidade.

 

DM – A construção civil sofre atualmente com a crise econômica que assola o País. Na sua opinião, há meios para se contornar essa situação?

Rafael Mundim  – Sim, com certeza. Na minha opinião não temos que ter um crescimento exorbitante em períodos curtos e sim um crescimento constante e longo, como uma marcha, pois é a única forma de termos uma economia saudável, sólida e consistente, resistente às oscilações normais de qualquer ciclo econômico. A primeira medida para contornamos a atual crise econômica seria tirar aos poucos o peso do Estado sobre a iniciativa privada e sobre cada brasileiro, movimento este que começa a tomar corpo com o plano de desestatização proposto pelo atual governo, deixando com que o empreendedorismo presente em cada cidadão aflore e gere novos negócios e novas oportunidades para todos os setores. Outra medida seria reduzir os altos encargos, estimulando investimentos e consequentemente a geração de empregos e renda. São várias as medidas a serem tomadas para contornarmos essa crise, mas parece que acabamos esbarrando em questões ideológicas e de cunho não capitalista que acabam transformando nossa economia frágil, de alta volatilidade e baixa credibilidade no exterior.

 

DM – Como tem sido passar por esse período para a sua construtora?

Rafael Mundim – Estamos muito bem consolidados no mercado e temos três coisas muito importantes que são garra, vontade de perdurar no tempo e pessoas fantásticas que compõe nossa força de trabalho. Nossa história é forjada por muita luta, temos muito orgulho de estarmos no mercado há 43 anos e por termos toda essa vontade de sobreviver no mercado é que tomamos atitudes bem enérgicas e rápidas, para estarmos sempre adaptados ao cenário econômico atual, mas estamos bem apreensivos e cautelosos, buscando tomar as decisões certas e nas horas certas, ansiando brevemente por dias economicamente melhores, e ao mesmo tempo prontos para as novas oportunidades que virão no próximo ciclo de crescimento econômico.

 

DM – Atualmente quais empresas você possui? Em média quantas pessoas emprega?

Rafael Mundim  – Somos um grupo bem diversificado e temos várias empresas que atuam em diferentes seguimentos, mas as principais são Evolução Engenharia, Sotelgo Infraestrutura e HSI Incorporadora. Todo o grupo emprega hoje quase duas mil pessoas, das quais nos orgulhamos diariamente.

DM –  Houve queda de faturamento e aumento nas demissões também nas suas empresas neste ano?

Rafael Mundim – Sim, houve uma queda forte de faturamento, principalmente nas empresas de infraestrutura, muitas obras estão em processo de paralisação ou em ritmo desacelerado, somente a incorporadora é que não oscilou muito, houve uma queda nas vendas de novos apartamentos, mas estamos com obras a todo vapor.

 

DM – Como empresário que deu certo, quais dicas você daria para quem está começando seu próprio negócio hoje?

Rafael Mundim – Tenha calma e paciência, não há vitória sem luta, oportunidades batem à porta quando menos esperamos e temos que estar prontos e preparados para agarrá-las, não tenha medo, mas fique atento aos riscos que o negócio oferece, pois eles devem ser combatidos diariamente para o sucesso do negócio. Monte uma equipe e mantenha ela ao seu lado, empresas são feitas de pessoas, fortes, competentes e de confiança, faça de sua equipe seu maior patrimônio. Por último, saiba escutar e aprenda com as experiências próprias e principalmente dos antecessores, o planejamento do futuro se faz com o aprendizado do passado e com as ações do presente.

 

DM – Qual a importância de ter um aparato de bons profissionais ao seu lado, nesse momento em que as notícias para atividade na construção civil não são nada animadoras?

Rafael Mundim – Como falei anteriormente, a equipe é essencial, os profissionais certos, nos lugares certos, são fatores determinantes para o sucesso. Os líderes são muito importantes em momentos de crise, pois são neles que os demais colaboradores se espelham e têm um porto seguro, por isso é sempre importante trabalhar a motivação, o respeito e principalmente a valorização profissional de cada um.

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