Elas criticam (e com razão) os adultos
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2015 às 23:19 | Atualizado há 1 ano
Kidia Lima ,Da editoria de Cidades
Ao contrário do que muitas vezes pensamos, elas prestam atenção no mundo e nos adultos ao seu redor e sabem bem o que falar a respeito. Em entrevista ao DM, durante a visita em uma escola da Capital, seis crianças com idade entre quatro e dez anos disseram com muita seriedade e clareza o que esperam do mundo e dos adultos.
Em primeiro lugar, elas, com certeza, sabem bem como puxar as orelhas dos mais crescidos. E acreditem: estão bem insatisfeitas com diversos comportamentos dos que dizem ensinar.
Conheçam as opiniões de V.L.C., de 4 anos, que faz o maternal e sonha em ser jogador de futebol; S.M.R., 6, que faz o primeiro ano e quer ser pintor; Y.O.L., 7, que faz o segundo ano e quer ser engenheiro elétrico, E.O.L, 9, que faz o quarto ano e pensa em ser bióloga, J.L.C.,10 anos, que pretende ser juiz de direito e E.M.R., 10, que está no quinto ano quer ser arquiteta.
Com certeza, temos muito que aprender com elas.
Mundo
Sobre o mundo de hoje, E.O.L, que é uma grande defensora do meio ambiente, diz que devemos “prestar mais atenção na natureza e não cortar as árvores e fazer queimadas”. Já Y.O.L. se preocupa com a questão da dengue. Ele sabe que os adultos podem fazer mais e deixa a dica da armadilha para o mosquito transmissor: “Tem que pegar uma garrafa, fazer quatro furos e por canudo. E fazer furo nas quatro tampas e por um canudo em cada tampa”. E.O.L está bem insatisfeita com diversas questões: “Me desagrada o asfalto todo esburacado, o povo matando, um bando de traficante”.
Adultos
J.L.C gostaria de ser mais ouvido. Já S.M.R não gosta quando gritam com ele. E exemplifica algumas maneiras e comportamentos que devem ser melhorados: “não gosto quando eles não fazem coisas boas tipo falar palavrão, bater, quando ninguém me responde”. Para E.O.L., os adultos usam o computador por muito tempo e gastam muita água.
Seria melhor se…
Para J.L.C., faz falta que os adultos tenham “mais paciência, mais tempo e mais amor”. Y.O.L. sabe bem que os adultos devem ser melhores exemplos e, em vários pontos, deveriam “obedecer às leis de trânsito, gastar menos energia e ajudar os outros”. Bem sincera, E.O.L diz com sabedoria o que deve ser mudado: “Seria bom se decidissem parar de beber, piratear” – em uma clara demonstração da influência das propagandas inseridas em DVD e que alertam quanto aos direitos autorais. E V.L.C., assim como E.O.L., acha que seria bom que os adultos “prestassem atenção no trânsito”.
Recados dos pequenos para os que apenas pensam ser grandes:
“Eu acho que vocês adultos devem viver a vida sem internet”
“Não ficar poluindo o mundo”
“Que nunca tenha violência”
“Não podem falar palavrão, bater nos filhos,
botar de castigo sem fazer nada de errado”
“Nossas crianças estão abandonadas nos espaços kids”
O direito delas

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), “considera-se criança a pessoa até doze anos de idade incompletos”
- Eles têm direitos previstos por lei que devem ser respeitados:
- 4º. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
- a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias
- b) precedência do atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública
- c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas
- d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.