Governo estimula racha na oposição para garantir 2º turno
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2015 às 02:05 | Atualizado há 1 ano
Dividir para conquistar era a máxima do general romano Júlio Cesar. Vale na guerra, vale também na política. E parece que esta é a estratégia do Palácio das Esmeraldas para as próximas eleições na Capital: lançar o máximo de candidatos da base situacionista para forçar um segundo turno contra o principal adversário do marconismo, o ex-prefeito Iris Rezende.
Entre os tucanos de alta e de baixa plumagem, as apostas continuam sendo na candidatura do presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB). Acreditam que, com Rincón, podem opor-se ao estilo “tocador de obras” de Iris. O raciocínio é que o peessedebista tem o que mostrar em Goiânia, graças às intervenções feitas em viadutos nas saídas da Capital e a duplicação rumo a Bela Vista. Pode ser, mas também pode não ser, porque entre obras viárias e as obras sociais, como a construção de conjuntos habitacionais e asfaltamento de todas as ruas de terra da cidade, Iris leva franca vantagem.
Mas digamos que o embate deva ser entre um prefeito de sucesso e outro prefeito, igualmente exitoso? Aí o cacife do empresário Vanderlan Cardoso (PSB) aumenta. Foi bem como prefeito de Senador Canedo e tem o que dizer sobre investimentos em saúde, educação e habitação. Seria o contraponto a Iris e a outros candidatos que venham a ser lançados pelo Paço Municipal? Isto só o eleitor (e as pesquisas) poderão dizer.
É também preciso verificar outro tipo de movimento, este à esquerda. A virtual candidatura da ex-deputada Denise Carvalho (PCdoB) agrada aos olhos da Casa Verde. Não que Denise esteja necessariamente alinhada ao governador Marconi Perillo (PSDB), mas é inegável a amizade que nutre pelo mandatário, e também é sabido que seu partido já fez parte da administração tucana em governos anteriores. Estimular a sua candidatura é ponto para a estratégia de dividir a oposição, sobretudo, se o PT partir para uma candidatura própria, como chegou a insinuar o prefeito Paulo Garcia.
Tanto com Vanderlan quanto com Denise, a Casa Verde estabeleceria, digamos, uma ponte com o eleitorado de viés oposicionista, visto que o ex-prefeito de Senador Canedo disputou por duas vezes o governo estando do lado contrario do marconismo. Denise, embora tenha serviços prestados ao chamado “tempo novo”, está dissociada, neste momento, do selo “chapa branca”.
Não será a primeira vez que o Palácio das Esmeradas trabalha com mais de um candidato. E, vale dizer, nas vezes anteriores a estratégia não deu certo. É que o eleitor de Goiânia é historicamente (ou teimosamente) avesso a candidatos que tenham ligações com o governo do Estado.
O governo tucano vive tempos bicudos de cortes de salários, redução de benefícios e de cargos comissionados, e Goiânia, que abriga a maioria dos servidores públicos do Estado é sensível a este litígio entre governo e o seu funcionalismo.
Nestas eleições na Capital, o governador Marconi Perillo enxerga uma oportunidade inserir seu nome no debate nacional. Ele tem emitido sinais muito claros de que leva a sério a possibilidade de disputar no seu partido – o PSDB – a vaga de candidato à presidência. Contra Marconi tem o atual presidente da legenda, o neodireitista Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o senador José Serra. Aécio tem se desgastado cada vez mais com o discurso golpista. Sua pregação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) perdeu a simpatia dos cardeais do partido e não encontrou eco junto à população. Já Alckmin e Serra travam uma luta silenciosa pelo controle da legenda, e desta briga podem surgir oportunidades para o tucano de Goiás, sobretudo se tiver êxito derrotando em seu Estado as principais lideranças da oposição.
Não será passeio no parque o pleito de 2016. Vai ser luta para além das máquinas partidárias e administrativas. Estratégia, discurso, alianças, tempo de televisão vão contar muito. O candidato que desprezar estes fatores pode estar antecipando a sua derrota nas urnas.
