PT e PMDB à beira do rompimento
Redação DM
Publicado em 3 de junho de 2015 às 02:53 | Atualizado há 1 anoSeparados nas eleições do ano passado, quando lançaram candidatos próprios ao governo de Goiás, PMDB e PT podem estar próximos de um rompimento na gestão compartilhada da Prefeitura de Goiânia, com reflexos na sucessão de Paulo Garcia, em 2016.
A gota d’água no estremecimento entre peemedebistas e petistas é a discussão sobre a manutenção do contrato firmado entre a Prefeitura de Goiânia e o governo do Estado para a prestação de serviços de água e esgoto.
A decisão do vice-prefeito Agenor Mariano e de deputados estaduais Bruno Peixoto, Adib Elias e José Nelto, e o vereador Denício Trindade de procurarem o Ministério Público Estadual para apresentar representação contra o aumento da tarifa de água, que vai sofrer reajuste de 16%, irritou o Paço Municipal.
A revelação do prefeito Paulo Garcia de que mantém conversações com o governador Marconi Perillo (PSDB) para assegurar a prorrogação do contrato com a Saneago desagradou aos cardeais peemedebistas.
Paulo Garcia rebate o vice-prefeito Agenor Mariano, de que a decisão sobre o reajuste da tarifa da água deveria ter sido tomada pela Saneago, em conjunto com a Prefeitura de Goiânia. “Não é verdade. Isso só será possível depois que criamos a Agência Municipal de Regulação”.
O líder do PMDB na Assembleia Legislativa, José Nelto, não gostou de o Paço Municipal excluir o vice-prefeito Agenor Mariano da renegociação da prefeitura com a Saneago sobre a concessão municipal de água e esgoto, missão repassada ao secretário Jeovalter Correia (Finanças). “Não podemos aceitar que tratem o vice-prefeito como empregado, enquanto a prefeitura faz acordos com o governador Marconi Perillo.”
Cargos do PMDB
Os peemedebistas estão insatisfeitos também com Paulo Garcia em relação à reforma do secretariado, a ser concretizada logo após a Câmara Municipal aprovar o projeto de reforma administrativa, em que serão extintas nove secretarias, afetando drasticamente as indicações do partido. Desde que foi empossado, em janeiro de 2013, para o segundo mandato, Paulo Garcia tem reduzido a participação do PMDB no secretariado. Isso tem provocado dissidência dos vereadores peemedebistas na Câmara Municipal. O maior exemplo disso foi a rejeição do reajuste do IPTU para Goiânia, em dois anos consecutivos.
Interlocutores frequentes, o prefeito Paulo Garcia e o ex-prefeito Iris Rezende diminuíram, nos últimos meses, conversações sobre a administração em Goiânia e a possibilidade de manter a aliança entre PT e PMDB para as eleições do ano que vem.
A impopularidade da gestão Paulo Garcia tem contribuído, também, para o distanciamento entre peemedebistas e o Paço Municipal. Afinal, o PMDB prepara o lançamento da candidatura de Iris Rezende à prefeitura, nas eleições do ano que vem, e não convém ao partido estar próximo de uma gestão que sofre desgastes junto à população e, consequentemente, ao eleitorado.
Paulo Garcia admite que partidos podem ter nomes próprios em 2016
O prefeito Paulo Garcia, em conversa com a bancada estadual do PT, admitiu que o seu partido e o PMDB poderão caminhar separados na disputa pela Prefeitura de Goiânia, ano que vem. O petista pediu empenho dos parlamentares na defesa de sua administração, diante dos ataques desferidos, na Assembleia Legislativa, pelos deputados da base governista.
O prefeito apresentou aos parlamentares petistas a relação das obras que realiza em Goiânia, mostrando que, ainda este ano, o cenário, em relação à sua imagem perante a população, vai mudar, a partir, segundo ele, do momento em que a população acompanhar a inauguração dos benefícios.
Paulo Garcia sustenta que o PT poderá ter seu próprio candidato, caso o PMDB insista em manter conversações com o DEM de Ronaldo Caiado ou mesmo decida pelo lançamento de “chapa puro sangue”, ou seja, com candidatos a prefeito e a vice do próprio partido, sem abrir espaços para possíveis aliados, como o PT.
O prefeito, na conversa com os deputados, estimulou o lançamento das pré-candidaturas a prefeito dos petistas Adriana Accorsi, Humberto Aidar e Luis Cesar Bueno. O PT ainda tem como alternativa o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás e suplente de deputado federal Edward Madureira.
O líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado José Nelto, deixa claro que seu partido não irá caminhar mais com o PT em Goiânia. E que a tendência do partido é a de lançar “chapa puro sangue”, a exemplo do que ocorreu em 2004, quando Iris Rezende foi candidato a prefeito e Valdivino Oliveira a vice-prefeito.
“A relação PMDB e PT acabou na Capital”, avisa o deputado José Nelto, ao deixar claro que os peemedebistas que vierem a ocupar cargo no secretariado de Paulo Garcia o farão em nome próprio, já que não representarão o partido.
Iris Rezende se nega a conversar com os jornalistas sobre as eleições de 2016, embora suas movimentações sinalizam que poderá concorrer novamente à Prefeitura de Goiânia. Ele recebe, em seu escritório, lideranças políticas, comunitárias, servidores públicos e representantes da sociedade, sempre com estímulos para que concorram ao mandato de vereador nas eleições do ano que vem.
