UNE vai manifestar-se contrária à redução da maioridade penal
Redação DM
Publicado em 2 de junho de 2015 às 23:03 | Atualizado há 1 anoComeça em Goiânia, hoje, o 54º Congresso da UNE, o maior encontro da juventude organizada no País. 10 mil estudantes universitários de todos os 27 Estados já estão a caminho da cidade e participam de intensas atividades até o domingo (7), quando será eleita a nova presidência da UNE e serão definidos os rumos da entidade no próximo período. O tema do Congresso é “Em defesa dos estudantes, da democracia e do Brasil”.
Realizado na Universidade Federal de Goiás e na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, o Congresso terá mais de 50 atividades entre debates, grupos de discussão, atos políticos e uma grande passeata. Mais de 60 convidados participam do encontro, entre eles senadores, deputados federais e estaduais, artistas, líderes dos movimentos sociais, escritores, intelectuais e outros representantes da academia.
A UNE está preocupada com a proposta de redução da maioridade penal no Brasil e esse será o tema da abertura do Congresso, em uma grande arena, na Praça Universitária, a partir das 19h da quarta. A entidade tem se mobilizado fortemente contra a redução, entendendo que a medida iria somente excluir e castigar ainda mais a população jovem e negra das periferias, sem resolver o problema da violência no País. Entre os convidados dessa roda de conversa está o colunista da revista CartaCapital e historiador Douglas Belchior.
Os debates e disputas de ideias serão intensos a partir de amanhã, quando serão priorizados temas da conjuntura nacional como o ajuste fiscal do governo federal, o projeto de lei das terceirizações, a reforma política e o fim do financiamento privado de campanhas, a defesa da Petrobras, a democratização dos meios de comunicação e a participação do Brasil no cenário internacional por meio dos Brics.
Já na sexta-feira (5), os debates são todos voltados para a área educacional, envolvendo a situação dos professores no Brasil, a luta por mais assistência estudantil para os alunos carentes, a regulação do ensino privado, a implantação do Plano Nacional da Educação e dos 10% do PIB para o setor, a reforma dos currículos universitários e a ampliação da democracia nas instituições de ensino superior.
Na sexta-feira (5), a UNE realiza uma grande passeata que deverá parar as ruas de Goiânia, em protesto contra os cortes do governo federal na área da educação. O ajuste anunciado prevê a retirada de R$ 9 bilhões do setor educacional. Com o mote “Que os ricos paguem pela crise: nenhum centavo a menos para educação!”, a UNE defende outras medidas para a política econômica do País, como a taxação de grandes fortunas, a redução dos juros e outras medidas justas que não atinjam o sistema de ensino e as universidades, em franca expansão no último período. A passeata se concentrará na Praça Universitária, às 19h, e deverá percorrer as principais ruas de Goiânia.
Em meio à instabilidade política do País e à ascensão do conservadorismo que chegou até a defender a ditadura militar brasileira nas ruas das grandes cidades, a UNE realizará um grande ato em defesa da democracia no sábado, às 16h, na Arena Goiânia. Participarão diversas entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o coletivo Fora do Eixo e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
No domingo (7) acontece o momento mais esperado do Congresso da UNE, com a eleição da nova diretoria e da nova presidência da entidade. Quem ganhar as eleições estará à frente de sete milhões de universitários e definirá os rumos e o posicionamento da UNE no próximo período. Já foram presidentes da UNE personagens como os senadores José Serra e Lindbergh Farias, o ministro Aldo Rebelo, os deputados federais Orlando Silva e Wadson Ribeiro.
Há 77 anos, a União Nacional dos Estudantes é a maior entidade da juventude organizada brasileira e uma das principais instituições da sociedade civil no País. A história do Brasil, ao longo dessas décadas, se confunde com a história do movimento estudantil em episódios como a luta contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, a resistência estudantil à ditadura militar, a campanha das Diretas-Já e o impeachment do presidente Fernando Collor a partir dos “cara-pintadas”. Atualmente, a UNE luta pela educação de qualidade, pela reforma política democrática, pela soberania nacional, pela Justiça social e pelo fim do machismo, do racismo e da homofobia entre a juventude e na sociedade em geral.
