Cotidiano

Igualdade racial é um direito

Redação DM

Publicado em 13 de maio de 2015 às 02:45 | Atualizado há 2 anos

 

Entre os 53 milhões de pobres do País, 63% são negros. Hoje, 13 de maio, é comemorado o Dia da Abolição da Escravidão no Brasil. E o que há para comemorar? É fato que muitas conquistas foram alcançadas. Contudo, a professora e secretária de Política de Promoção da Igualdade Racial, Ana Rita Marcelo de Castro, observa que o que se verificou um dia após essa data foi que a população negra estava sem direitos à moradia, excluída do mercado de trabalho e das possibilidades que poderiam promover o negro a condição de cidadão.

“Já se passaram 127 anos dessa data e o que verificamos é que a população negra no Brasil, convive cotidianamente com o racismo e com condições desiguais de vida, ou seja, está em desvantagem social e econômica em relação a população branca”, protesta.

De acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, em 2013, um trabalhador negro no Brasil ganhava, em média, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em termos numéricos, estamos falando de uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros, enquanto a média dos trabalhadores brancos ganha R$ 2.396,74.

Ana Rita explica que talvez mais assustadora seja a condição da mulher negra, que de uma forma geral tem que enfrentar um maior índice de desemprego e está dentre os contingentes de maior pobreza e indigência do País. Possuem uma menor escolaridade, com uma taxa de analfabetismo três vezes maior que as mulheres brancas, além de uma menor expectativa de vida.

Ela acrescenta que são trabalhadoras informais e sem acesso à previdência, residentes em ambientes insalubres e responsáveis pelo cuidado e sustento do grupo familiar. Sendo que estas, em sua maioria, estão em postos de trabalho mais vulneráveis e precários (52,5%), ao lado de 37% das mulheres não negras.

“A construção histórica e social do Brasil fez com que a gente chegasse a um cenário como esse e hoje nós vivemos um paradoxo, ao mesmo tempo em que dados evidenciam as desigualdades nós vivemos um momento também de muitas conquistas fruto de uma organização do movimento negro”, reconhece.

 

Vítima do extermínio

Para a secretária Ana de Castro, o contexto de violência apresentado nacionalmente não diverge da realidade local como expõe o mapa da violência de 2012. O mapa mostra que a violência no Brasil tem cor. Em que se constatou que de 2002 a 2010, houve uma evolução no número de homicídios entre a população preta e parda.

Em 2002, foi averiguado que o homicídio de pretos foi de 4.099, parda 22.853 e branca 18.867. Esse número, ela observa que cresce em proporção bastante alta, pois, em 2010, foram registrados 4.071 homicídios de pessoas de cor preta, 30.912 de pardos e 14.047 de pessoas da cor branca.

“Ao analisar os dados de Goiás, verificamos que essa lógica de vitimização da população preta e parda se reproduz em nosso estado. Em 2002, foram 395 homicídios de brancos e 647 de negros. Em 2010, foram 382 homicídios de brancos e 1458 de negros”, informa.

Ela acrescenta que dos números registrados no Estado de Goiás, a maior parte está concentrada na região metropolitana de Goiânia. “Somente no ano de 2010 foram registrados, na capital, 137 homicídios de brancos e 365 de negros. Ou seja, os dados revelam que morrem em média 55,6% a mais de negros que brancos em Goiânia”, lamenta.

SAIBA MAIS

 

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicado (Ipea 2013) revela que:

  • A cada três assassinatos no País, duas vítimas são negros

 

  • A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7% maior do que os nãos negros

 

  • Assassinatos atingem negros numa proporção 135% maior do que os nãos negros

 

  • Enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5% por 100 mil habitantes, no caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes
  • Há uma perda na expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para pessoas negras

 

  • Enquanto o homem negro perde 20 meses e meio de expectativa de vida ao nascer, a perda do branco é de oito meses e meio
  • Pelo menos 36.735 brasileiros com idade entre 12 e 18 anos serão assassinados até 2016, maior nível desde que o índice começou a ser medido em 2005, quando a taxa era de 2,75 adolescentes assassinados por cada mil
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