Greve dos trabalhadores da Saúde chega ao fim
Redação DM
Publicado em 9 de maio de 2015 às 03:24 | Atualizado há 1 ano
Após 26 dias de greve, os trabalhadores da Saúde de Goiânia decidiram, na manhã de ontem, encerrar a paralisação da categoria. Durante assembleia, eles votaram e aprovaram as propostas da prefeitura. Segundo o secretário municipal da Saúde, Fernando Machado, desde o meio-dia de ontem, a situação está normalizada.
Uma determinação do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, expedida no último dia 22, obrigava 90% dos servidores a voltarem imediatamente ao trabalho. Sendo assim, somente 10% dos trabalhadores estavam com as atividades paralisadas.
O secretário explica que entre as solicitações atendidas estão a complementação da insalubridade, a volta da progressão do plano de carreira, que irá voltar ao normal a partir de setembro. Além disso, será realizado o pagamento do vale alimentação para quem trabalha na Urgência e o reajuste da data-base 2015 (o de 2014 já foi realizado).
De acordo com ele, todas as unidades estão funcionando e por isso não há necessidade de procurar atendimento em outro município. “Aquelas pessoas que perderam consultas, cirurgias e exames, a própria secretaria vai entrar em contato com elas”, afirma.
Ele diz que o grande número de casos de dengue na Capital não tem relação com a greve, pois os agentes de saúde não paralisaram. Para o secretário, existe uma população muito grande exposta e só o poder público não poderia conter esse aumento.
O secretário municipal da Saúde, Fernando Machado, cita também que existe um controle financeiro a ser seguido pelo município. “A prefeitura teve que trabalhar segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal. As dificuldades financeiras está ocorrendo em todo o Estado”, conclui.

UNIDADE DE SAÚDE
O fim da greve dos servidores ainda não pode ser percebida nas unidades de Saúde da Capital. A reportagem do Diário da Manhã visitou, na tarde de ontem, o Cais Vila Nova e presenciou a recepção lotada e reclamação de pacientes do local.
“Todo mundo é cidadão, tem direito de ter atendido”, afirma Caio Bezerra da Silva. Ele estava há três horas na unidade acompanhando a esposa com suspeita de dengue. “Quase três horas (aguardando) e nem peguei atendimento. Não tem nem previsão. Isso porque nós vamos sair daqui oito horas da noite. Se for caso de emergência, muita gente já morreu. Oito horas da noite, estamos aqui desde duas horas”, desabafa.
Ele explica que, na última segunda-feira, acompanhou sua sogra no Cais de Campinas, e só foi atendido, pois a situação dela era mais grave (problemas de rins). Devido a esses problemas, ele acredita que a volta dos funcionários não fez diferença no atendimento e avalia a qualidade da saúde goianiense como péssima.
Caio é natural do Acre e está em Goiânia há um mês. Ele e sua esposa afirma que, no Estado do Norte do Brasil, o atendimento é melhor, sendo que se algum hospital estivesse com muitas pessoas aguardando, pelo menos um médico iria atender.
Outra paciente, que aguardava há muito tempo no local, era Maria Sibéria da Silva, 83 anos. Ela estava acompanhando sua neta, também com dengue, e aguardava no local desde uma hora da tarde. “A hora que a gente chegou aqui foi bem rápido no balcão, mas o atendimento lá dentro está péssimo”, afirma.
Apesar dessas reclamações, uma atendente do Cais afirma que o atendimento está normalizando, com os quatro médicos da unidade em serviço. Outra funcionária relata que o número de pacientes era menor do que outros dias, sendo que até as 16h30, normalmente, são contabilizados 250 pacientes por dia, mas ontem foram até esse horário esse número era de 190.
SINDISAÚDE
O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO) confirmou que na tarde de ontem o atendimento estava normalizado. Segundo a instituição, esse número alto de pacientes nas unidades de saúde é porque não existem funcionários para atender.