Política

2016: eleição sem favoritos

Redação DM

Publicado em 5 de maio de 2015 às 22:24 | Atualizado há 1 ano

 

 

 

Não há favoritos nas eleições em Goiânia. Nem PMDB, nem PT ou tampouco o PSDB têm trunfos substanciais para postularem o título por antecipação. Há muitos fatores em comum entre os principais partidos da capital, e o primeiro é que estão todos divididos, o segundo, o quadro de dificuldades dos governos nas esferas federal, estadual e municipal.

No Paço Municipal, o prefeito Paulo Garcia (PT) luta para completar sua reforma administrativa e, com ela, economizar no custeio para manter em dia a folha de pagamento e os compromissos com fornecedores. No Palácio das Esmeraldas, o governador Marconi Perillo (PSDB) amplia o arrocho iniciado em janeiro – com a demissão de 16 mil servidores comissionados –, e sinaliza agora com cortes em benefícios dos servidores efetivos. A decisão de parcelar em duas vezes o pagamento da folha mostra a gravidade das finanças do Estado. No Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff (PT) aumenta os juros e luta contra um Congresso conservador, que sob o comando do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ),  impõe uma pauta de votações que tira direitos dos trabalhadores (com o projeto da terceirização) e deixa desprotegida a juventude (com a redução da maioridade penal).

É provável que este quadro de crises afete, como nunca antes, os debates sobre as eleições municipais. Nenhum partido tem vantagem ética ou moral sobre os demais. Há problemas em todos os níveis de administração, e, nas ruas, um eleitor incomodado, impaciente, que quer respostas às suas angústias.

Qual discurso vai prevalecer em 2016? O do “tempo novo” de Marconi Perillo (PSDB), o dos mutirões de Iris Rezende (PMDB), o da segurança, no qual Adriana Accorsi (PT), Delegado Waldyr (PSDB) são representantes, ou discurso da educação, de Edward Madureira (PT) e Thiago Peixoto (PSD)?  Difícil dizer. Mas há sinais no ar.

Crise e violência

Em todo Brasil a violência registra uma escalada, sendo que em Goiânia, nos últimos meses, foram registrados mais homicídios, roubos e furtos. Também há em todo País um debate efervescente sobre a educação. O massacre de 200 professores do Paraná pela PM, a mando do governador Beto Richa (PSDB), ecoou pelos demais Estados como um alerta de que não se bate em quem educa os nossos filhos. Em Goiânia, parte dos professores está em greve, e no Estado, em função do parcelamento dos salários, há indicativo de que os docentes podem iniciar uma “operação tartaruga”, trabalhando somente um período em protesto às mudanças no contracheque.

Há crise nos partidos. O PMDB continua dividido entre Júnior Friboi e Iris Rezende. Mais: uma boa parte dos peemedebistas não vê muita vantagem em colar a imagem do partido à do senador Ronaldo Caiado (DEM), por considerarem que em 2014 o PMDB – Iris à frente –, transferiu todos os votos para eleger Caiado ao Senado, ao passo que a contrapartida foi zero, pois Iris não avançou na votação que já tinha obtido em 2010.

Na base governista, o “tempo novo” dá sinais de esgotamento, com reclamações em todos os partidos, onde líderes do PR, PTB, PP e também do PSDB emitem gestos de contrariedade em relação ao centralismo que emana da Casa Verde. Embora haja resmungos contra o governador, nenhum líder se levanta contra o mandante, que está com a caneta cheia de tinta e sabe, como poucos, operar a máquina de Estado numa eleição.

No PT, não existe definição sobre o sucessor do prefeito Paulo Garcia. Há os que defendam alinhamento automático ao PMDB, indicado o vice, e os que postulam candidatura  própria. No rol dos vices, secretários e parlamentares. Na lista dos virtuais candidatos, pelo menos três se destacam, mas todos aguardam o desenrolar dos fatos. Iris vai mesmo ser candidato?

Vai antecipar a campanha? Vai conversar com o PT ou prefere um vice indicado por Caiado. Quanto mais o Iris e o PMDB não respondem a esta dúvida do PT, pior para o projeto de ambos partidos.

Novos partidos

Dois novos partidos estão vindo, e eles devem criar novas acomodações. A anunciada fusão entre PSB e PPS cria um novo partido de oposição no plano federal e, provavelmente, um novo partido aliado no plano estadual. Vantagem para a senadora Lúcia Vânia, que entra para ao nova legenda levando consigo o sobrinho deputado Marcos Abrão (PPS).

E para Vanderlan Cardoso? O que isto acrescenta? Talvez ele corra o mesmo risco do ex-deputado federal Barbosa Neto. Em 2008, Barbosa foi convencido pelo ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB) de que, trocando o PMDB pelo PSB, seria ungido candidato do governo à Prefeitura de Goiânia. Tudo certo, mas no dia da convenção, o governador Marconi Perillo anunciou apoio à candidatura do deputado Sandes Júnior (PP). Resumindo: assim como Barbosa, pode acontecer de Vanderlan não ter apoio dos partidos da base marconista a sua candidatura a prefeito de Goiânia.

O PL, que retorna ao cenário político ressuscitado pelas mãos do ministro Gilberto Kassab, já renasce pronto para ser absorvido numa fusão com o PSD. A nova legenda deve desidratar o PMDB de Eduardo Cunha, o DEM de Ronaldo Caiado e o PTB de Jovair Arantes. Resta saber: os secretários Vilmar Rocha e Thiago Peixoto vão aderir à nova sigla, ou aproveitarão a extinção do PSD para se filiarem ao PSDB?

Discurso

As ruas, mesmo com exageros e manipulações, ainda são um termômetro do que virá em 2016. As demandas dos ricos e da classe média alta, externadas nas passeatas, foram ouvidas pelo Congresso mais conservador que o Brasil teve desde a promulgação da Constituição de 1988. O projeto de terceirização (PL 4330), no qual votaram maciçamente os deputados do PSDB, PMDB, PP, PR, PTB e PPS, deve ser cobrado pelos eleitores nas urnas. Na prática, o PL 4330 – de autoria do ex-deputado federal Sandro Mabel (PMDB) –, acaba com a carteira de trabalho e todas as demais conquistas da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), tais como férias remuneradas, 13º salário e FGTS. As reações no mundo sindical e jurídico ocorrem País afora e devem estar no debate político do próximo ano.

Uma parte das ruas quer suprimir direitos dos trabalhadores (públicos ou privados), outra parte quer, sinceramente, mudanças na ética e moral dos partidos e dos agentes políticos. Há um clamor por mudanças no modo de fazer política, seja no discurso, na forma ou no financiamento dos partidos. Talvez, mais que nomes ou siglas, aqueles que pretendem disputar as eleições do próximo ano devam estar atentos à voz das ruas.

E não se trata apenas de fazer um discurso demagógico, e de direita, como fazem os senadores Aécio Neves (PSDB) e Ronaldo Caiado (DEM). É preciso formatar um projeto político que possa atender às demandas por mais segurança, melhorias na saúde, na educação e na mobilidade urbana. O discurso fácil de xingar o PT (como faz a Globo, Folha, Veja e aliados) não vai colar. O povo quer mais propostas e menos falatório. O desafio está lançado.

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