Política

Caiado e Jovair rejeitam fusão DEM/PTB

Redação DM

Publicado em 10 de abril de 2015 às 00:20 | Atualizado há 1 ano

Numa coisa o deputado Jovair Arantes e o senador  Ronaldo Caiado concordam: ambos são contra a fusão do PTB com o DEM.  Embora a direção das duas legendas quisesse a união, faltou combinar com os deputados do PTB, que, apesar da sinalização vinda do DEM, preferiram continuar apoiando o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Na terça-feira, o DEM avalizou, por 21 votos a quatro, a unificação imediata. Na madrugada desta quarta-feira, por 25 votos a 4, a bancada do PTB rejeitou a fusão.

Segundo o jornalista Edson Sardinha, do site Congresso em Foco, “a rejeição ao projeto de fusão é um constrangimento para o Democratas e uma derrota para os presidentes das duas legendas, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), articuladores da fusão”.

Cristiane é filha do ex-presidente do PTB Roberto Jefferson, inimigo declarado do PT que cumpre pena como delator do mensalão, e Agripino é investigado numa denúncia de propina de R$ 1 milhão de um lobista que operava no Detran do Rio Grande do Norte.

Getúlio x Lacerda

Em entrevista à Rádio 730, o deputado federal Jovair Arantes vê incompatibilidades na fusão de seu partido ao DEM do senador Ronaldo Caiado. Líder da bancada do PTB na Câmara Federal, Jovair ressalta que o PTB foi fundado por Getúlio Vargas, enquanto o DEM tem origem em Carlos Lacerda. Dois políticos de pensamentos bem distantes. “Seria um chute na história dos dois partidos”, analisa.

Também em nota à imprensa, Caiado  disse concordar com seu colega goiano: “Portanto, não posso deixar de concordar com o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, quando diz que essa fusão não tem pé nem cabeça. Juntar PTB com Democratas seria como juntar Getúlio Vargas com Carlos Lacerda, o maior antagonismo da história política brasileira.  Segundo Caiado, “é hora do Democratas colher os frutos pela resistência que nos fez a verdadeira oposição ao PT. No momento em que mais e mais pessoas se identificam e se engajam com nossa causa, a fusão hoje representaria não só o enterro do último resquício de coerência ideológica da direita no País. Representaria o enterro da própria representação da direita na política brasileira”, frisa.

 

Reunião

Em reunião realizada na noite desta terça-feira (7), a bancada do PTB no Congresso Nacional decidiu adiar a fusão com o DEM, segundo o líder do partido na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO).

Integrante da base do governo, o PTB tem, atualmente, o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, chefiado por Armando Monteiro. Já o DEM se consolidou como um dos principais partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff.

Também na terça, a executiva nacional do DEM decidiu, por 21 votos a 4, dar prosseguimento às conversas com o PTB sobre uma possível fusão.

Assumidamente contrário à fusão, o senador e líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), divulgou nota à imprensa após o PTB de adiar a decisão sobre uma possível fusão. Para o líder oposicionista, o PTB “não quer ser confundido com a oposição após manter-se no governo do PT por 12 anos.”

“Uma lição de coerência de onde menos se espera para dar uma chacoalhada no DEM oposicionista”, ressaltou Caiado.

“Essa fusão não tem pé nem cabeça. Juntar PTB com Democratas seria como juntar Getúlio Vargas com Carlos Lacerda, o maior antagonismo da história política brasileira”, criticou o senador. “(A fusão) representaria o enterro da própria representação da direita na política brasileira.”

 

Trabalhistas preferem Dilma e Marconi

Em nota oficial à imprensa, a bancada do PTB comenta que outro aspecto que pesou no adiamento da decisão foi a definição sobre a reforma política, que está sendo discutida por comissão especial na Câmara. Para o deputado Alex Canziani (PTB-PR), é preciso aguardar a definição sobre o assunto para decidir sobre a fusão partidária.

No encerramento da nota, os petebistas aproveitaram para destacar o respeito ao posicionamento dos democratas. “Respeitamos a posição dos nossos amigos do DEM, mas entendemos ser precipitada a discussão sobre fusão de partidos neste quadro de desenlaces dos graves problemas nacionais.”

Horas após a cúpula do oposicionista DEM aprovar o encaminhamento da fusão com o governista PTB, a executiva nacional do Partido Trabalhista Brasileira rejeitou a união imediata das duas siglas. Por maioria, a direção do PTB decidiu consultar as bases até setembro e manter os cargos que ocupa no governo, como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Entre os petebistas, a rejeição foi articulada pelo líder da bancada na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO), que apoia o governo Dilma e se posiciona contra a entrega dos cargos ocupados pelo partido e a passagem da legenda para a oposição. O ministro Armando Monteiro Neto ameaça trocar o PTB pelo PDT caso a mudança seja concretizada.

Na Assembleia Legislativa, a proposta de fusão entre o PTB e o DEM tem resistência de deputados da bancada trabalhista. O principal motivo é a posição do presidente do Democratas em Goiás, o senador Ronaldo Caiado, que é defensor da aliança do seu partido com o PMDB para as eleições municipais em 2016 e ao governo do Estado em 2018. Tudo que os governistas do PTB não querem é o distanciamento do Palácio das Esmeraldas.

Em entrevista ao jornalista Jarbas Rodrigues, da Coluna Giro, de O Popular, o presidente da Assembleia, deputado Helio de Sousa, defende a fusão. Entende que é “um mal necessário”. Observa que “nas últimas eleições o DEM só perdeu espaços e de nada adiantou ter mudado de nome (era PFL), pois continua visto como partido de direita”.

Decano da legenda no Legislativo estadual, Helio de Sousa estima que haverá conflitos caso se confirme a união entre as legendas, mas crê que sejam administráveis e alfineta: “Aqueles que não concordarem com a fusão terão a liberdade de buscar outro caminho, outro partido”.

 

Expectativa no PMDB

No PMDB, há expectativa de que, confirmando-se a fusão entre PTB e DEM o senador Ronaldo Caiado se filie à legenda, confirmando sua opção por desenvolver com os peemedebistas um projeto para sucessão estadual em 2018.

Enquanto democratas e trabalhistas costuram entendimento, o ministro Gilberto Kassab (Cidades) acelera o processo de recriação do PL (Partido Liberal). A legenda deve acomodar descontentes de partidos da situação e oposição, principalmente do PMDB, PSB, PPS e do próprio PTB e DEM. A ideia do ex-prefeito de São Paulo é fundir o novo partido ao PSD, formando a maior bancada de sustentação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Pelo visto, não vão faltar alternativas para quem estiver incomodado com a sua opção partidária. (Com informações do Portal 730, Coluna Giro e o site Congresso em Foco)

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