Economia

Consumidor permanece no bairro de origem na hora de escolher onde morar

Redação DM

Publicado em 5 de abril de 2015 às 02:07 | Atualizado há 11 anos

Da Redação, com Assessoria

O funcionário público Jaci da Costa Faria e sua esposa, Lindomar Alves Ramos Faria, moram no Setor Coimbra há vários anos. Durante um tempo, mudaram-se de Goiânia, mas quando voltaram, já sabiam o destino: a mesma região. Atualmente, residem em uma casa, mas, como os filhos já estão saindo de casa – eles mantêm um imóvel para passar os fins de semana em Caldas Novas –, decidiram ir para um apartamento. O local? O Setor Coimbra…

“A gente já tinha decidido comprar um apartamento e pensávamos que teríamos que sair do setor. Quando soubemos que havia uma opção aqui no setor, não pensamos duas vezes. Gostamos daqui”, disse Jaci.

O vínculo das pessoas com a vizinhança e a familiaridade com as ruas, comércio e serviços falam mais alto na hora de escolherem um imóvel. No dia a dia, corretores de imóveis já tinham uma percepção deste comportamento, mas agora uma pesquisa demonstra em números o quanto as pessoas são apegadas a seu bairro de origem. Estudo do Departamento de Prospecção e Análise do Mercado Imobiliário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de Goiás (Depami/Creci-GO) revela que 50,62% das pessoas que desejam mudar de endereço pretendem permanecer no bairro onde residem.

 

Investimentos

De olho neste comportamento, incorporadoras têm investido em bairros tradicionais, ainda dominado por casas. Foi assim que surgiu o Residencial Pátio Coimbra, onde o casal Jaci e Lindomar resolveram adquirir um apartamento. Lançado nos dias 21 e 22 de março, o empreendimento despertou grande interesse do público e teve 370 propostas realizadas. “Quase duas mil pessoas passaram pelo estande de vendas, e muita gente era da vizinhança”, disse o gerente comercial da GPL Incorporadora, Avelino Júnior.

A região histórica, que no passado era apenas zona de passagem entre antigo município de Campinas (hoje, setor) e a nova capital e começou a ser ocupado nos anos de 1950 , hoje tornou-se centralizada, próxima dos principais serviços. Ainda assim,  até hoje mantém um ar bucólico em suas ruas dominadas por casas. A incorporadora, juntamente com seus parceiros, resolveu, então, desenvolver o projeto para levar comodidade e segurança da vida em apartamento para a região. “Existe um apego às raízes somado a uma outra necessidade da atualidade, que é a segurança. Está acontecendo uma migração dos moradores de casas para prédios”, diz Avelino Júnior.

A aposentada Vilma Inácio Vieira, que mora no Setor Coimbra desde 1946, é outra futura moradora do residencial. Ela foi a terceira a se mudar para o bairro, cuja ocupação iniciou nos anos de 1950. Vilma conta que o setor faz parte de sua história de vida, pois foi trazida por seus pais para a região ainda criança. Ela conta que continuará morando com a mãe, em casa, mas no futuro, quando estiver sozinha, preferirá morar num apartamento, sem deixar o setor.

Este também é o caso do serventuário de Justiça Luiz Carlos da Silva, que mora no Setor Coimbra há 34 anos. Segundo ele, além de ser um bairro familiar, sua mãe reside numa rua paralela à 220, onde será levantado o prédio. “Somos quatro irmãos que moravam aqui, mas ao longo da vida todos dispersaram. Agora temos a oportunidade de voltar”, comemora.

 

Insegurança

O aumento da insegurança em Goiânia foi outro ponto levantado na pesquisa do Creci como fator decisivo na hora de escolher um novo imóvel. O estudo mostrou que, dos que pretendem se mudar, a maioria está buscando mais segurança (52,14%); esta preocupação se sobrepõe a questões como conforto (25,64%).  A pesquisa foi realizada em Goiânia, com 401 pessoas entre 18 e 82 anos,  e contou com a participação da Empresa de Pesquisa e Opinião de Mercado de Mercado (Epom).

Um dos empresários envolvidos com o projeto, Wagner Cabral, da Cabral Empreendimentos, morou na região. Ele comenta que, conforme constatado pela pesquisa, gerações de famílias desenvolveram vínculo com a região ao longo dos anos, mas com a insegurança generalizada de se viver em casas, a tendência é que estas pessoas passem a morar em apartamentos e condomínios horizontais. O Pátio Coimbra é um projeto da GPL Incorporadora em parceria com a Penta Incorporadora e Cabral Empreendimentos, e constitui um marco para o setor, até então praticamente horizontalizado. O empreendimento será construído na Rua 220, antiga sede da Sanfona de Ouro, onde está uma das poucas regiões do bairro com permissão para verticalização.

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