Cotidiano

Elas jogam games de olho no conhecimento

Redação DM

Publicado em 27 de março de 2015 às 02:02 | Atualizado há 1 ano

Thamy Gibson,Da Editoria de Cidades 

A empolgação para vencer todas as fases do jogo de video game God of War foi tão grande que a estudante de Design de Interiores Rafaela Rozário, 22 anos, admite ter passado três dias sem tomar banho quando estava com 14 anos. A estudante de Jornalismo Gabriela Petusk, 19 anos, não vê problemas em deixar de sair no final de semana para jogar. Já Karina Chaves, 23 anos, estudante de Arquitetura, viajou com um grupo de jogadores goianos para participar de um campeonato do card game Magic, em São Paulo. O que as três estudantes têm em comum? A paixão pelos games.

No senso comum, os video games sempre estiveram relacionados ao universo masculino, mas a verdade é que, no mundo dos games, não é difícil encontrar cada vez mais meninas jogando. E pode esquecer essa história de jogo de “menininha”, as gamers também se divertem e arrasam nos jogos classificados masculinos, como Assassin’s Creed, Final Fantasy e GTA.

Embora o preconceito ainda esteja por aí, cada vez mais meninas perdem a vergonha de admitir que sempre gostaram de jogar. O número de meninas gamers tem aumentado e cada vez mais elas desenvolvem interesse pela atividade, mas a grande maioria joga mesmo desde pequena.

Engana-se quem pensa que o maior preconceito vem dos pais. Para Karina, Rafaela e Gabriela, os mais preconceituosos são os próprios homens que jogam video games. De acordo com elas, não é difícil encontrar meninos que critiquem ou duvidem das habilidades femininas nos games. E o motivo é nada mais, nada menos do que ciúmes. “Eles odeiam perder para mulher”, afirma Rafaela.

Gabriela acredita que essa ideia de que jogo é “coisa de menino” é cultural e que devido a esse incentivo a maior parte do público é realmente masculina. No entanto, ela reafirma que as meninas que jogam sempre existiram, apesar da ideia de que as mulheres só começaram a se interessar por games há pouco tempo.

 

REPRESENTAÇÃO

Um dos grandes problemas para as gamers vem das empresas desenvolvedoras de jogos, que os produzem para os homens jovens de classe média, o único público que acreditam ter. Tal fato acaba gerando uma representação pobre das mulheres nos jogos, que são mostradas como o público-alvo (homens) querem ver das mulheres.

Gabriela aponta também que os produtores de jogos não são muito interessados em criar games específicos para mulheres. Apesar de tudo, as três acreditam que a mudança está vindo, mesmo que a passos lentos e que logo esse problema irá se resolver.

 

Encontros on-line com amiga para jogar

Gabriela Petusk

Para Gabriela, o gosto pelos games começou ainda mais cedo: aos três anos, ela já jogava diversos jogos no computador da família. Os sites favoritos eram os de canais infantis, como o Cartoon Network, onde jogos com personagens dos desenhos eram lançados. A estudante sempre gostou mais dos jogos de computador e on-lines do que de consoles.

Ela conta que tem uma amiga de infância com a qual costumava jogar no PlayStation 2 e que de vez em quando ainda se encontram on-line para jogar juntas. Afirma ainda que já fez amigos nos jogos on-line e que meros conhecidos da “vida real” acabaram virando grandes amigos depois que começaram a jogar juntos. “Existe esse senso de ‘comunidade’ entre quem joga e se respeita”, conta.

Como nunca foi baladeira, não é estranho que ela passe o tempo livre jogando e isso nunca foi um problema para ela, mas era para os pais. Depois que eles se divorciaram, Gabriela conta que foi morar com a mãe e ela achava que a filha estava jogando muito para esconder alguma “coisa errada”. O pai de Gabriela aceitou o gosto por jogos melhor do que a mãe, mas cobrou que a filha não deixasse as notas na escola caírem e esse era um fator não negociável para que os jogos continuassem.

Quando questionada sobre o limite saudável do jogo, a estudante de Jornalismo explica que se ele é fonte de estresse, frustração e isolamento, é preciso cuidado. É claro que todo excesso causa algum problema, no caso dos jogos on-line, o exagero pode refletir nas mãos, coluna e nos olhos, mas se há cuidado e limite, não há problemas. Em seu caso, Gabriela acredita que só houve benefícios. “O jogo me apresentou pessoas maravilhosas, me divertiu por horas, me tornou mais criativa e me ensinou o que é dedicação e esforço”, conta.

Seus jogos favoritos são Ragnarök On-line, Grand Chase e League of Legends. Gabriela finaliza explicando o porquê prefere os jogos on-line aos de console. “Console é divertido, mas sem comprar jogos novos de vez em quando, fica maçante. Já os jogos on-line são atualizados com frequência. Não dá para se entediar quando toda semana sai atualização onde às vezes precisamos reaprender a jogar com uma personagem”, diz ela.

 

Jogadora diz que melhorou percepção após prática

KarinaChaves

Caçula de três filhos e única menina, Karina começou a jogar Super Mario aos 6 anos juntamente com os irmãos na casa de um vizinho e muito provavelmente teria começado mais cedo ainda, se não tivesse quebrado o video game que possuíam em casa quando estava aprendendo a andar.

Influenciada pelos irmãos desde que se entendia por gente, Karina desenvolveu uma paixão ímpar pelos games, que só aumentou depois que ela e os irmãos ganharam um PlayStation dos pais.

A vontade de jogar era tanta que a estudante começou a aprender inglês, quando pequena, por conta dos jogos. Com o passar do tempo e a prática, sua capacidade de ler textos em inglês foi sendo aprimorada. Porém, esse não foi o único benefício que a atividade trouxe. Para Karina, sua capacidade de percepção, velocidade de reação em certas situações e até noções de estratégia melhoraram.

 

 

LIMITES

cidade

Assim como toda moeda possui duas faces, existem certos malefícios quando jogar video game ultrapassa o limite do aceitável. Jogadores obcecados passam a preferir a vida virtual à própria realidade. Passam a maior parte dos dias jogando e deixam de realizar outras atividades por preferirem a sensação de euforia causada em certos momentos da partida.

Karina acredita que o limite chega quando a pessoa vive em função do jogo. “Quando a pessoa começa a esquecer que tem que comer, ir ao banheiro, aí já está ultrapassando o limite”, diz. Ela acredita que está dentro do limite saudável na sua paixão pelos games. Prova disso é a aceitação de seus pais quanto ao seu hábito de jogar video game.

Em junho do ano passado, Karina viajou para São Paulo com um grupo de jogadores goianos para participar de um campeonato do card game Magic. Ela conta que ficou admirada com o número de jogadores, a seriedade e profissionalismo com o qual eles encaravam as competições. “Muitas pessoas dedicam o seu tempo e dinheiro nisso”, afirma Karina.

A estudante possui três consoles de video game e tem jogos favoritos em cada um. No Nintendo DS, que é compacto, o seu preferido é o Mario Party. No PlayStation 2, ela dá preferência a Final Fantasy. Já no XBox One, o mais jogado é Shadows of Mordor. E a paixão não para por aí, Karina espera agora pela nova versão de Assassin’s Creed sair no mercado para adicioná-la a sua lista.

 

Gamer foi influenciada pelo pai

Por influência do pai e de alguns amigos, Rafaela começou a jogar na infância. Por mais que o pai a influenciasse, a mãe de Rafaela sempre achou que jogar video game era coisa de criança. O primeiro jogo pelo qual a estudante de Design de Interiores se apaixonou foi Super Mario.

Rafaela gosta de se reunir com os amigos para jogar nos tempos livres, mas afirma que não é preciso deixar de sair à noite ou nos finais de semana se você também gosta disso. Para ela, existem malefícios se a pessoa fica obcecada com um jogo, deixar de lado seus afazeres, atrapalhando a sua vida pessoal e profissional. Aos 14 anos, a própria estudante passou três dias sem tomar banho por estar muito animada e focada para finalizar o jogo God of War, que até hoje é um de seus favoritos. Atualmente, ela reconhece que esse foi um exagero.

 

APRENDIZADO

cidade2

No entanto, Rafaela também defende a existência de pontos positivos. Ela afirma que jogar video game pode ajudar a manter a calma e auxilia no aprendizado de outras línguas. A dica dela é não deixar de viver a sua rotina para jogar, quando se faz isso, se atravessa o limite do saudável e aceitável.

Nem mesmo os jogos considerados mais violentos, como GTA e Battlefield são um problema para ela. Se o jogador sabe diferenciar a realidade do mundo virtual, ele entenderá que aquilo não passa de um jogo. Rafaela diz que não se sente mal jogando esses jogos, pois sabe que não passam disso, porém, ela acredita que é importante uma idade mínima indicada para se jogar games desse estilo.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia