Pandemia faz crescer desigualdade social
Redação DM
Publicado em 9 de novembro de 2021 às 13:58 | Atualizado há 5 anos
Um relatório do Programa das Nações Unidas Para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) feito em 2008 comprovou um fato triste: naquele ano a Capital de Goiás era a cidade mais desigual do Brasil. Em 2010, a situação foi pior, além de mais desigual do país, ainda figurava como a décima com distribuição de renda menos igual do mundo. Sendo assim, os contrastes entre muito ricos e muito pobres, são nítidos em uma volta pela cidade.
Um exemplo deste cenário no cotidiano, ficou claro em um vídeo que está circulando na internet. De um lado uma senhora negra, magra pedindo dinheiro sob o sol de alguma rua de Goiânia. O alvo do pedido é um rapaz jovem, o empresário Alcir Marques de Morais em uma Ferrari vermelha, que ao negar o pedido teve o carro arranhado pela senhora.
Circula ainda um segundo vídeo do empresário, mostrando o estrago e tranquilizando seus seguidores, de que estava bem, havia sofrido só danos materiais. “Deu um estrago pequeno. Um furo e um arranhão, mas é um carro de R$ 3 milhões. Não pode deixar ter esses detalhes [estragos]. Fiquei muito chateado com isso”, contou o empresário. “A gente trabalha, nesse brasilzão, vem um morador pedir dinheiro, a gente não tem trocado e é isso que a gente recebe”, concluiu.
O caso aconteceu na manhã do último sábado (6), em um sinaleiro da praça Walter Santos, no setor Coimbra. O empresário disse que preferiu não registrar o caso na Polícia Civil. Até a tarde desta segunda-feira (8), ele ainda não tinha estipulado o valor do prejuízo.
A cena pode representar uma cidade cheia de contrastes. Dois goianos, por exemplo, já figuraram na Revista Forbes Brasil entre bilionários do País. Por outro lado, um estudo do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos que traçou um perfil da população em situação de rua a partir do Cadastro Único de Goiás (CadÚnico) e foi publicado em dezembro do ano passado, em Goiânia existem 1.185 pessoas em situação de rua.
Segundo o mesmo estudo, os setores em que mais se concentra essa população são Campinas, Centro e Setor Sul. A maioria das pessoas nessa situação são homens pardos, com idade na faixa de 25 a 34 anos, com escolaridade fundamental incompleta e possuem renda média de R$ 134,00 e estão na rua há menos de seis meses.
Crescimento
Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia (SDHS), Goiânia teve um aumento de 33% da população em situação de rua. E o número de pessoas na rua subiu para 1,6 mil no mês de agosto desse ano.
De acordo, com a professora Celene Monteiro, que é orientadora e pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), da UFG, a situação de pobreza extrema está cada dia mais nítida na capital e as raízes, desta situação são diversas.
Conforme a pesquisadora, a pandemia colaborou com a estratificação social e também a própria forma que a economia goiana se estabeleceu. “O papel econômico que o estado representa, relacionado ao agronegócio e seus desdobramentos como agroindústria, indústria mecânica, indústria farmacêutica, gera uma sociedade bastante estratificada. Goiânia já está pagando o preço de se transformar em uma metrópole com características muito cosmopolita trazendo todo esse potencial econômico”, explica.
Outra questão que a pesquisadora aponta é que muitas pessoas de perfil econômico elevado mudaram para Goiânia nos últimos anos. “O estado de Goiás, no último censo, foi o estado que mais recebeu migrantes em conjunto com a região centro oeste.
Políticas Públicas
Para resolver as discrepâncias sociais que vivemos, a professora aposta em políticas públicas. “As políticas sociais estão mudando, houve, por exemplo, a extinção do Bolsa Família. Mas precisamos de desenvolver estratégias que combatam a pobreza extrema de forma urgente”, disse.