Cotidiano

Sem esquerda, ato pede impeachment de Bolsonaro

Redação DM

Publicado em 13 de setembro de 2021 às 10:59 | Atualizado há 5 anos


Manifestantes pediram o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na tarde deste domingo (12). O ato, em frente à Superintendência da Polícia Federal em Goiânia, converge com manifestações realizadas em outras 14 capitais, puxadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem para Rua e Movimento Livres.

Roupas brancas, bandeiras do Brasil e bandeiras do movimento LGBT protagonizaram a estética dos manifestantes. Nos cartazes e camisetas, é possível ler frases como “Nem Lula Nem Bolsonaro” e “Quem é Contra a Lava Jato é Contra o Brasil”.

A líder do Vem Pra Rua em Goiás, Ana Cláudia, disse que a organização do ato não convidou movimentos de esquerda, porque também criticam o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é tido como principal adversário de Bolsonaro em 2022. “Eles (a esquerda) não iriam querer ouvir o carro de som falando mal do líder deles”, diz.

Segunda ela, quem participou da manifestação de hoje é quem “se sente traído”. Parte dos movimentos que participam dos atos apoiaram Bolsonaro em 2018, como é o caso do MBL. No carro de som, Ana Cláudia diz que a manifestação é pela liberdade de expressão e contra um golpe no País.

A Polícia Militar monitorou a manifestação com 25 agentes, viaturas localizadas em pontos estratégicos e a cavalaria. O trajeto parte da PF, segue até a T-63 e retorna à superintendência por meio da rua S-1.

Baixa adesão

Os atos que ocorreram neste domingo, 12, em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro, foram marcados por baixa adesão do público. Organizados pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua (VPR) e Livres, os protestos foram realizados em seis capitais brasileiras, sem atrair grandes setores da esquerda. À tarde, estão previstas manifestações em outras dez capitais.

Belo Horizonte e Rio reuniram os maiores contingentes até agora. Na capital fluminense, o grupo começou a se concentrar em Copacabana às 10h. No carro do VPR, um cartaz mostrava o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT) atrás das grades, rompendo a trégua declarada para atrair representantes da esquerda. Organizadores haviam deixado de lado o mote “Nem Bolsonaro, nem Lula” e decidido focar somente no impeachment do presidente da República.

O PDT declarou apoio ao ato, mas o movimento não teve adesão formal de outras das principais siglas de esquerda, como PT e PSOL. Tampouco essa trégua parece ter sido assumida por parte dos ativistas presentes nos atos, como ficou claro em Copacabana.

Os poucos manifestantes de partidos de esquerda presentes na manifestação contra o presidente Bolsonaro no Rio se colocaram ao lado do carro do MBL. Bandeiras do movimento da centro-direita e dos partidos foram balançadas lado a lado na orla. Mais perto do carro do VPR, uma faixa grande reforçava a rejeição ao presidente e ao petista.

Pró-Bolsonaro

Também para esta manhã de domingo estava marcada uma manifestação pró-governo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato, marcado para começar às 9h, teve a adesão de poucos manifestantes. Para garantir a segurança, diversas vias próximas ao local foram bloqueadas pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), que esperava movimentação até às 14h de apoiadores do presidente Bolsonaro.

O cenário na Esplanada era bem diferente da última terça-feira, 7, Dia da Independência. No início deste semana, apoiadores do presidente se reuniram na Esplanada do Ministério para manifestações com pautas antidemocráticas, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O próprio presidente participou dos atos em Brasília e na Avenida Paulista, em São Paulo.

A presença de nomes e siglas de esquerda nos atos de hoje chegou a ser criticada por setores pelo fato de as manifestações terem sido convocadas e organizadas por movimentos da direita e apresentarem por vezes ditados de “nem Lula, nem Bolsonaro”.

Partidos políticos que não fazem parte da base de apoio bolsonarista divergiram quanto à convocação de apoiadores para os atos deste domingo, 12. As manifestações foram organizadas em ao menos 16 capitais brasileiras pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua (VPR) e Livres.

Enquanto PT e PSOL frisaram não ter participação nos atos, o PDT não só declarou apoio, como foi um dos mais ativos nas redes sociais na convocação de manifestantes. Em nota, o PT celebrou a realização de protestos contra o governo Bolsonaro, mas afirmou estar alinhado a “outras forças políticas e organizações sociais e populares”, que definiram como datas de referência para a realização de manifestações nacionais os dias 2 de outubro e 15 de novembro.



Manifestações reúnem presidenciáveis em SP

Depois de deixar em aberto sua participação na manifestação da Avenida Paulista e chegar a anunciar uma agenda pública no Comando de Policiamento da Capital, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), compareceu ao ato contra o presidente Jair Bolsonaro, em São Paulo. Além de Orlando Silva e Ciro Gomes, os presidenciáveis Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Amoêdo (Novo) subiram no carro do MBL. Os presidenciáveis Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MDB-MS) também compareceram, além do senador José Anibal (PSDB-SP), a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) e outros parlamentares.

Amoêdo disse ser “fundamental” que mais grupos participem das manifestações pelo impeachment. Ele foi muito aplaudido pelos militantes do MBL que participam da manifestação. “Esse é o início do processo. Bolsonaro já fez uma série de manifestações”. Ao falar para o público, ele defendeu o partidarismo da pauta e a democracia. “O Brasil não pode ser o país da rachadinha”, afirmou o fundador do Novo.

Pré-candidata à presidência pelo MDB, a senadora Simone Tebet também esteve no carro de som do MBL. “Temos aqui o centro e a direita se fazendo presente em praça pública. Teremos a manifestação da esquerda no próximo mês. Não tenho dúvida que em novembro estaremos todos no mesmo palanque, sem nomes e sem extremismos”, disse ao Estadão.

Mandetta disse acreditar que o País terá as ruas dominadas por atos políticos até as eleições do ano que vem, e afirmou que “a maioria da população não quer nenhum dos dois extremos que está aí” em referência a Lula e Bolsonaro. Ele disse que a presença da esquerda nós protestos não é essencial para a saída do presidente. “Ele sairá nas urnas”, afirmou. Ele, assim como Orlando Silva, fez relação entre a manifestação e o movimento Diretas-Já. “No primeiro protesto que teve no Rio tinha 100 pessoas”, afirmou.

O presidenciável Ciro Gomes discursou durante ato na Avenida Paulista. “Nós somos diferentes, temos caminhadas diferentes, temos olhar sobre o futuro do Brasil diferentes”, disse. “Mas o que nos reúne é o que deve unir toda sociedade civicamente sadia, é a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira.” “Assumo qualquer risco e qualquer contradição para defender o povo brasileiro”, afirmou.


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