Meirelles, um dos nomes de Lula para vice-presidente
Redação DM
Publicado em 27 de agosto de 2021 às 16:06 | Atualizado há 5 anos
Cotado como possível vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula (PT) para a eleição de 2022, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (PSD), atual secretário no governo de São Paulo, afirma estar pronto para ajudar o país em “momentos desafiadores” da economia brasileira. “Só não vou se não tiver condições mínimas para fazer um bom trabalho”, disse, em entrevista ao Bloomberg Línea.
No entanto, ele alerta que ainda não houve convite. “O que não faço é decidir por hipóteses: se houver o convite ou o chamamento tal, qual será a minha decisão. Esse tipo de gasto de tempo inútil eu não tenho. Trabalho em cima de hipótese concreta”, disse.
A presença de Meirelles na chapa esquerda/centro poderia trazer confiança aos mercados e empresários, exatamente como fez quase 20 anos atrás como presidente do Banco Central, no governo Lula. Mas, para Meirelles, os mercados têm uma preocupação em relação às eleições de 2022 que não é de fato com o ex-presidente, e sim com declarações de integrantes do Partido dos Trabalhadores.
“Economistas que se intitulam porta-vozes do PT – não sei se são – fazem declarações preocupantes porque propõem tudo aquilo que não dá certo: despesa pública elevada, [dizem que] gastar dinheiro é bom.. Esse discurso é preocupante porque a gente sabe o resultado, que aconteceu no Brasil por décadas. De tempos em tempos tinha uma crise, como ainda acontece em outros países da vizinhança”, ressalta o ex-ministro.
“É preciso diferenciar o que é o Lula e o que é o PT, que faz essas declarações desencontradas da realidade do país. Quando o Lula fala que quer revogar o teto dos gastos, no mínimo, ele está sendo mal assessorado”, afirmou Meirelles.
O ex-ministro avalia que essas declarações são preocupantes. “Naquela época, ele [Lula] perdeu três eleições por questões assim. Em 2002, escreveu a Carta ao Povo Brasileiro, dizendo que não era nada daquilo: esqueçam tudo que eu disse porque agora o negócio vai ser pé no chão. E, de fato, foi pelo menos do ponto de vista monetário e fiscal, no primeiro mandato”, disse.
“E agora? Será que ele vai mudar de novo? Vai escrever outra Carta ao Povo Brasileiro dizendo que aquilo que falou estava errado?”, questiona. Meirelles foi presidente do Banco Central de 2003 a 2011, ministro da Fazenda no governo Temer e candidato a presidente em 2018, quando lançou o bordão: “Chama o Meirelles”. Atualmente, ele é secretário de Finanças e Planejamento no estado de São Paulo.
Precatórios
A proposta do governo Bolsonaro de parcelar os precatórios da União equivale a um “default técnico”, avalia o ex-ministro da Fazenda e atual secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles. Segundo ele, não chega ser o popularmente conhecido calote porque tem respaldo jurídico, mas, do ponto de vista financeiro, é default. “Se é aprovada uma medida constitucional que parcela os pagamentos, está valendo. Então, do ponto de vista jurídico não configura um default. Mas do ponto de vista financeiro, sim, porque tem uma obrigação a pagar e não é paga”, diz, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
A medida, continua Meirelles, deixa uma mensagem “muito negativa, que é a de não se cumprir compromissos”. Já existe entre os investidores internacionais uma preocupação grande com a situação fiscal do Brasil, afirma, pontuando que o País tinha superado problemas em 2016, com a aprovação do teto de gastos. “O fato concreto é que o governo tenta manter tecnicamente o teto de gastos, mas dando uma volta atrás, quer dizer, não pagando compromissos”.
“O que não faço é decidir por hipóteses: se houver o convite ou o chamamento tal, qual será a minha decisão. Esse tipo de gasto de tempo inútil eu não tenho. Trabalho em cima de hipótese concreta”
Combustível
Henrique Meirelles disse, através de suas redes sociais que, quando sobe o preço dos combustíveis, o discurso de que o ICMS é responsável pela a alta do valor é uma mera tentativa de desviar o assunto jogando para os estados, a responsabilidade que é da Petrobrás. ”Quando o preço da gasolina aumenta, não foi a alíquota do ICMS que subiu. O percentual continua o mesmo. A variação do preço do combustível na bomba é, repito, decisão da Petrobrás, que detém o monopólio de preços no Brasil”, disse Meirelles.
Segundo Meirelles, o consumidor precisa ser protegido dessa flutuação, ou seja, o ex-ministro defende a implantação de uma fórmula que evite o impacto dos preços elevados dos combustíveis em todo país. ”O consumidor precisa ser protegido dessa flutuação, que tem impacto também no frete e no preço dos alimentos. Por isso que em 2018 propus de um fundo de amortização que impediria a variação descoordenada dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha”, afirma. Ainda segundo Henrique Meirelles, o fundo de amortização sempre será uma boa solução. Pois assim, preserva o caminhoneiro e o agro de forma responsável, sem gerar rombos para a Petrobrás, nem ao Tesouro Nacional, deve ser uma preocupação de todos.
Senado
Henrique Meirelles é cotado também para disputar vaga ao Senado pelo PSD de Goiás. Em março, o goiano de Anápolis trocou o MDB pelo PSD de Gilberto Kassab e admitiu a candidatura majoritária, ao lado do governador Ronaldo Caiado (DEM), que vai concorrer à reeleição. Ele já foi eleito deputado federal por Goiás em 2010, quando renunciou o mandato para ocupar a presidência do Banco Central no governo Lula.