Queda de Bolsonaro atinge aliados em Goiás para 2022
Redação DM
Publicado em 6 de julho de 2021 às 14:41 | Atualizado há 5 anos
Se suflaram na onda bolsonarista em 2018, senadores, deputados federais e deputados estaduais de Goiás correm o risco de perder votos e até mandatos às eleições de 2022 caso o presidente siga com baixa popularidade, mergulhado no ambiente de denúncias de corrupção na compra de vacinas e até mesmo se se consumar o impeachment.
Em razão do desprestígio político-eleitoral do bolsonarismo, dirigentes partidários, parlamentares, prefeitos e vereadores se afastaram do presidente na tentativa de uma sobrevivência política, a curto e médio prazo. É que político, em busca de votos, se afasta de presidente, governador ou prefeito que vê seu prestígio em queda livre junto à população.
A CPI da Covid do Senado transformou a gestão de Jair Bolsonaro em um “tormento”, condenando o negacionismo do Palácio do Planalto em relação à pandemia da Co vid-19, além de denúncias de corrupção no Ministério da Saúde.
Perdedores em Goiás
Dos três senadores goianos, dois são bolsonaristas e entram agora numa queda livre de prestígio eleitoral: Luiz do Carmo (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD). Luiz do Carmo pensa em disputar mandato à reeleição, mas poderá recuar e concorrer a deputado federal. Vanderlan anunciou, ano passado, que estará fora da disputa pelo governo de Goiás em 2022.
Vanderlan, que é empresário, tem relação próxima com os filhos do presidente e, sempre que possível, vai à tribuna do Senado defender o governo Bolsonaro das críticas da oposição, principalmente em relação às ações e omissões durante a pandemia da Covid-19. Dos 17 deputados federais, seis são também bolsonaristas: Major Vitor Hugo (PSL), Delegado Waldir (PSL), Magda Mofatto (PL), Glaustin da Fokus (PSC), João Campos (Republicanos) e José Mário Schreiner (DEM).
É bom lembrar que o Republicanos de João Campos e de Jeferson Rodrigues ocupa o ministério da Cidadania, através do deputado João Roma (BA).
Na ânsia de aproximar-se de Jair Bolsonaro, pensando que facilitaria sua reeleição para a Câmara Federal, o Delegado Waldir Soares disse, em abril último, em entrevista ao O Popular, que “são altas” as chances de o presidente retornar ao seu partido, o PSL, para a eleição de 2022, quase um ano e meio após seu rompimento com o chefe da Nação, provocado por disputa pelo controle da sigla.
Já Vitor Hugo é ligado a Jair Bolsonaro desde o Exército, já que foram alunos, no mesmo período, na Academia Militar de Agulhas Negras, no Rio de Janeiro. Na Câmara, Vitor Hugo foi líder do Governo Bolsonaro e integra a “tropa de choque” no enfrentamento com as esquerdas e o lulismo parlamentar.
A empresária Magda Mofatto integra a ala conservadora da Câmara Federal e tem alinhamento político-ideológico com Jair Bolsonaro na defesa da proposta de armar a população brasileira para se defender da criminalidade.
Dos 41 deputados estaduais, quatro assumem abertamente posições em defesa do bolsonarismo: Major Araújo (PSL), Delegado Humberto Teófilo (PSL), Paulo Trabalho (PSL) e Jeferson Rodrigues (Republicanos).
Major Araújo é bolsonarista desde a campanha presidencial de 2018 e se aproximou ainda mais o grupo do presidente ao disputar, sem sucesso, a prefeitura de Goiânia, ano passado. Ele aprova as iniciativas de Bolsonaro em defesa das causas e bandeiras das polícias militares nos estados.
Até as eleições de outubro do ano que vem, a política nacional vai sofrer oscilações, mas não se sabe, com tanta antecedência, se o presidente vai conseguir a sua imagem perante a população brasileira. Segundo pesquisa divulgada, semana passada, pelo Instituto Ipec, Lula liderada, com 49% de intenção de votos contra 23% de Bolsonaro, a corrida presidencial.
Fora da área parlamentar, existem também bolsonaristas que podem sofrer desgastes eleitorais em razão de proximidade com o presidente, casos de Alexandre Magalhães (Democracia Cristã), Gustavo Gayer (Democracia Cristã), ex-senador Wilder Morais (PSC) entre outros.
Vitor Hugo admite sacrifício de enfrentar as urnas para governo
O deputado federal Major Vitor Hugo (PSL), que se elegeu na “garupa” do quociente eleitoral do deputado federal campeão de votos Delegado Waldir Soares (PSL), em 2028, por lealdade ao presidente Jair Bolsonaro, está disposto ao sacrifício até de disputar o governo de Goiás, nas eleições do ano que vem, mesmo sabendo que as suas chances de vitórias são “nulas”.
Vitor Hugo, que tem proximidade com Jair Bolsonaro, afirmou à coluna Giro, de O Popular, que intensifica uma série de conversas com lideranças políticas de olho na consolidação de um grupo de direita em Goiás visando as eleições de 2022. “A intenção é fortalecer um grupo para ver o que vai acontecer em relação à sucessão estadual. A gente não sabe, está tudo muito nebuloso ainda”.
O deputado bolsonarista disse à coluna Giro que se o governador Ronaldo Caiado, do DEM, manifestar apoio ao presidente Jair Bolsonaro e ele aceitar, haverá composição política com o Palácio das Esmeraldas. “Se não houver esse alinhamento, vamos pensar em candidatura própria”.
Vitor Hugo afirmou que, se for o caso de reaproximação com o governador, esse fortalecimento pode ajudar a garantir espaço na chama majoritária. “Mas nosso objetivo maior é reeleger o presidente Jair Bolsonaro e vamos conduzir de acordo com as orientações que dele vierem”.
Questionado sobre a possibilidade de disputar o governo de Goiás, o parlamentar disse que não refuta esse projeto: “Como já disse, as cartas estão sobre a mesa. É o momento de a direita se unir e se diferenciar. Mais para frente. Havendo essa composição dos astros da política nacional e estadual, tudo é possível”.
Oposição fragilizada
Até agora, as movimentações dos partidos de oposição, na tentativa de lançar um nome competitivo ao Palácio das Esmeraldas, não obteve êxito, pois os nomes cogitados – Jânio Darrot (Patriota), Marconi Perillo (PSDB), Sandro Mabel (MDB), Gustavo Mendanha (MDB) e agora Vitor Hugo (PSL) não conseguiram empolgar o eleitorado goiano.
Dois nomes cogitados pela oposição – Vanderlan Cardoso (PSD) e Daniel Vilela (MDB) – desistiram de enfrentar as urnas em 2022 na corrida à sucessão estadual. Vanderlan já declarou apoio à reeleição de Ronaldo Caiado e Daniel admite composição com o governador;
As primeiras pesquisas sobre intenção de votos, feita internamente pelos partidos políticos, mostram o governador Ronaldo Caiado (DEM) disparado na frente, o que inibe o lançamento de candidatura pela oposição. Caiado tem apoio dos três senadores, maioria dos17 deputados federais e dos 41 deputados estaduais, além de respaldo à reeleição de 160 dos 246 prefeitos goianos.