Brasil

Professor de História: quebrando paradigmas metodológicos

Redação DM

Publicado em 9 de fevereiro de 2021 às 12:15 | Atualizado há 5 anos


Por Douglas Oliveira dos Santos

A década de 1990 não nos revelou uma experiência agradável, em relação ao ensino de História, nos ambientes educacionais, fundamentais e médios. Podemos dizer que o ensino de História faz parte dos principais traumas educacionais de nossa época. Quem não se lembra dos questionários de vinte à trinta perguntas, que levávamos para decorar em casa? Quem não se recorda da obrigatoriedade de sabermos nomes complicados, associados a datas ou períodos históricos? Quem de nós nunca perguntou ou pensou em perguntar: “Professor para que estudar uma coisa que aconteceu antes de eu nascer?”

É possível perceber que, nossa relação com a História, não foi uma experiência muito agradável, e até o momento atual, sofremos em pensar nas dores causadas por esse processo. A História sempre teve como finalidade, a “liberdade”, sempre buscou abertura de mentes, questionamentos sobre a sociedade e as mudanças sociais. Poucos que passaram por esse processo, conseguiram chegar a esse patamar libertador.

O que podemos averiguar no tempo atual, é que ainda existem filhos da década de 1990, professores reproduzindo os mesmos padrões
positivistas de seus antepassados. Compreendendo esses elementos paradigmáticos, percebemos que muitos profissionais da História, estavam equivocados. A História é revolucionária, e a nosso ver, existem dois elementos que são apaixonantes para um professor de História contra-paradigmático.

O primeiro consiste no ato de contar história. Quem não gosta de uma boa história? Quem não gosta de ouvir um bom causo? A história, para ser atraente, precisa ser bem contada, não bastam os livros didáticos despejarem nos alunos, uma quantidade desacertada de informações, sem o componente artístico. Friedrich Schleiermacher, pai da hermenêutica moderna, afirma que, a interpretação faz parte de um processo artístico.

Contar história também faz parte dessa arte, a arte de interpretar e a arte de narrar. 1 Doutorado e Mestre em Ciências da Religião, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC- GO) Bolsista CAPES. Possui graduação em História pela Universidade Salgado de Oliveira e graduação em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Equatorial e pela Faculdade Teológica de
Brasília. Atualmente é Coordenador pelo Centro Universitário Araguaia (UniAraguaia) na modalidade EaD, nos cursos de Licenciatura em Teologia, História, Geografia. Campo de pesquisa voltado para manuscritos antigos especificamente na língua grega e hebraica.

O segundo elemento está associado ao sentido ou finalidade da história narrada. Geralmente, as narrativas propostas dos professores de História, que ainda insistem em um ensino conservador, se concentram nas narrativas desconexas com a realidade vigente, e da realidade do aluno em si. Nietzsche já fazia essa crítica à história do seu tempo, afirmando que a História sempre foi utilizada como condução moral, manutenção das tradições e a compreensão da coisa inútil, elementos estes, propícios à alienação e a coerção social.

A finalidade do professor de História, portanto, é permitir que seus alunos se percebam no tempo, se encontrem no movimento de sua existência, se percebam como pessoas capazes de se acharem no espaço, e alterá-lo, mediante uma dinâmica do eu e do outro, na busca da justiça e da harmonia entre os indivíduos.


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