Mulher encontra marido morto por Covid-19 quatro meses depois
Redação DM
Publicado em 21 de julho de 2020 às 13:53 | Atualizado há 6 anos
A cidade equatoriana de Guayaquil foi culminada no final de março pelo surto do coronavírus. Com isso entrou em colapso e, hospitais, necrotérios e cemitérios superlotaram, os mortos começaram a se acumular nas ruas, esperando para serem recolhidos.
Segundo o site IG, vivenciando o caos, dezenas de corpos, sem identificação foram aglomerados em contêineres instalados em hospitais, enquanto familiares vagavam entre os corpos para rever seus parentes.
Já são quase quatro meses desde que a crise na saúde surgiu. Nesta semana, o Laboratório de Criminalística da Polícia Nacional e Investigações iniciou a entrega de aproximadamente 50 corpos.
Entretanto, desde quinta-feira passada (16), ainda havia cerca de 100 cadáveres em estado de decomposição aguardando para serem identificados, através de testes de DNA.
Não há dados exatos sobre o número total de pessoas desaparecidas, que foram vítimas da infecção viral.
Félix Merchán, foi uma das vítimas. Sua esposa, Silvia Guzmán, procurou desesperadamente por ele, até sua identificação.
“Ele estava bem e de um momento para o outro ficou doente. Eram três da manhã e ele disse que não conseguia respirar. Juntamente com outros membros da família, visitamos todos os hospitais e clínicas por aqui, e ele não pode ser internado devido a superlotação”, declarou.
“Segundo Silvia Guzmán, os hospitais e clínicas nos afirmaram que, não havia oxigênio, que não tinham como ajudá- lo. Finalmente, chegamos ao Hospital del Guasmo Sur, às nove da manhã. Lá, eles o admitiram na sala de emergência e o deixaram em uma cadeira de rodas, porque não havia leitos”.
De acordo com seu depoimento, os pacientes estavam deitados lá improvisados. Era como estar em uma guerra, mas uma guerra sem armas, uma guerra biológica.” Meu marido estava com falta de ar, suas últimas palavras foram”. “Não vou sair dessa. Quero que você se cuide e lembre- de que eu sempre estarei com você”. Em seguida perdeu a consciência.
Ainda de acordo com Silvia, ele morreu em seus braços. Eram 10 h da manhã de 1° de abril. “Foi muito difícil para mim, porque eu o vi morrer e não pude ajudá- lo. Eu vi a vida dele desaparecer lentamente”.
Depois, procuramos em hospitais, necrotérios, cemitérios, onde quer que estejam. Mas nunca tivemos uma resposta. Como não apareceu, cheguei até a pensar que ele poderia estar vivo”.
“Havia um grupo de médicos forenses de outro país, não me lembro de onde, para trabalhar na identificação dos corpos em maio. Descrevi para eles todas as características físicas do meu marido, como eram os cabelos, o nariz, os dentes, tudo. Mostrei- lhes uma foto em que era possível ver as roupas que meu marido usava no dia em que morreu no hospital”.
“Ate que um dia o médico me liga e diz ‘Sra. Silvia, encontramos seu marido’. Era 23 de junho. Comecei a chorar e o médico legista me disse para que eu fosse ao seu encontro, às duas horas da tarde, no dia seguinte, para reconhecer meu marido”.
“Meu cunhado me acompanhou. O médico nos mostrou algumas fotos do corpo. Era ele. Lá estava meu marido com suas roupas, partes do rosto ainda estavam reconhecivéis,com sua tatuagem no braço esquerdo, com o símbolo ying e yang”.
Há uma semana me disseram que poderia retirar o corpo. Eles vão entregá- lo para mim e vou enterrá – lo no cemitério municipal de Ángel Mariá Canals, para que meu marido possa descansar em paz. Será o dia mais triste da minha vida”.