Latrina municipal
Redação DM
Publicado em 17 de maio de 2016 às 02:33 | Atualizado há 10 anos
Em meio ao festival de incompetências que marca o fundo do abismo entre o que se queria e se esperava, e o que é e faz a Prefeitura de Goiânia, versão Paulo Garcia, nada mais nos surpreende.
Afinal, a demora de mais de 2 anos para fazer uma simples ciclovia de alguns poucos quilômetros na avenida T-63 (que nem ciclovia é, pois começa do nada e termina no lugar nenhum), já prenuncia que não há de ser diferente nas demais áreas da gestão pública, seja com os buracos no asfalto nos vencendo de goleada, seja o atendimento precário dos postos de saúde e suas 24horas ininterruptas de desrespeito ao cidadão sem vacina e sem assistência, seja o trânsito engasgado nos semáforos que parecem máquinas agindo por conta própria e não a serviço da locomoção.
O mais triste (e mais sintomático da ignorância corroendo qualquer sinal de esperança) é quando vemos o nosso incipiente patrimônio cultural sendo depredado à luz do dia, como acontece com as esculturas da Praça Universitária, ou como acontece com a falta de manutenção de diversos pontos estratégicos para a visualização da alma da cidade ou mesmo com a morosidade de obras que não terminam jamais, como a reforma da Praça Cívica, até hoje inconclusa embora inaugurada no ano passado.
Em sendo a ignorância reconhecidamente inesgotável -é a praga mais comum de se alastrar na cabeça das autoridades públicas municipais, eis que fechar bibliotecas e desdenhar de espaços públicos culturais se tornam nesta gestão operações corriqueiras, uma banalidade que acontece sem notícia e sem que alguém sequer se lembre que temos uma Secretaria Municipal de Cultura com um batalhão de mais de 700 funcionários. Pudera, estão todos eles vencidos pela inércia e desiludidos da importância de suas outrora relevantes funções, pois de há muito tais equipamentos (bibliotecas, cinema, centros culturais, galerias de arte e a própria secretaria) estão sendo dominados pela ineficiência, cria primeira da ignorância com o descaso público.
Localizada na Praça Honestino Guimarães, vulgo Praça Universitária, um dos mais interessantes equipamentos culturais da cidade sofre atualmente os piores dias de sua existência. É o Palácio da Cultura, cuja galeria encontra-se ao deus dará, vítima do abandono e da ocupação diletante para puro e simples alívio intestinal de desocupados que gravitam a seu redor.
É um palácio que, graças à ignorância adulada e reproduzida pela administração Paulo Garcia, com seus vidros quebrados e portas arrombadas, virou esgoto da sociedade, por onde escorrem diuturnamente as excreções de marginais.
E pensa que fica nisso? No mesmo endereço encontra-se a Biblioteca Marieta Telles Machado. Ou melhor, encontrava-se. Foi fechada, de tão precária e desmilinguida. Seus equipamentos foram roubados e seus livros hoje servem às traças. E sabe-se lá o seu destino.
E então é só? Claro que não. Em outro ponto da cidade, na praça Joaquim Lúcio, Campinas, encontra-se a Bibilioteca Cora Coralina. Ou melhor, encontrava-se, pois como dissemos, a ignorância é ávida e, junto com a ineficiência e suas demais crias, não poupa ninguém, muito menos a biblioteca que homenageia uma das mais importantes poetisas do Brasil.
Quem dera fosse só. Tem muito mais. O Cine Goiânia Ouro sumiu na poeira de uma reforma que já dura alguns anos sem nunca acabar. Enquanto seu aluguel custa R$ 20 mil mensais ao poder público. E mais uma vez isso não é sequer notícia, pois de há muito fecharam-se também as expectativas de que este centro cultural na região central mantivesse seu simbolismo de resistência e efervescência da cultura goianiense.
Dá-lhe Paulo Garcia. Aquele que foi levado ao trono municipal na garupa de outro, não poderia fazer diferente. A decantada Goiânia da sustentabilidade se revelou uma grande farsa, quando não, uma latrina.
A cidade que queremos continua ao longe nos nossos desejos, mas se avizinha no calendário. E ao invés de opiniões e artigos denunciando esta temporada de 4 anos de enganos, recuos e desmandos que se tornou leito fértil para a ignorância que abre buracos e fecha bibliotecas, vamos apor com tremenda força contrária o nosso voto. Desistir, jamais. Viva a nossa cidade!
(Px Silveira, presidente do Instituto ArteCidadania)