Remédio salutar
Redação DM
Publicado em 16 de maio de 2016 às 21:34 | Atualizado há 10 anos
O homem é capaz de enfrentar dificuldades financeiras, doenças pertinazes, perdas irreparáveis, imbróglios políticos, sem se desestruturar.
Mas, quando se trata de conviver com a instabilidade no lar, quando abalado em seu núcleo familiar, quando o desentendimento o atinge dentro de casa, aí, então, “dá com os burros n´água”: não se segura, perde as estribeiras… O transtorno em família o tira do sério. Por que será?
Atingido em sua base, toda sua estrutura corre o risco de ser abalada, principalmente se lhe falta o socorro da fé religiosa. Aí impera o transtorno de conduta, que tortura o mais equilibrado dos mortais.
Por que tantos percalços, dificuldades, conflitos?
São os ajustes de contas que chegam com a cobrança. Como todo débito, chegando a hora do acerto, há que pagar ou negociar a forma de quitar o que deve.
São desafetos que exigem o que consideram seu direito.
Quem são esses desafetos? São as pessoas que, um dia, prejudicamos.
Querem estar perto daqueles que lhes devem o reparo e a compensação pelo mal que sofreram.
Retornam ao convívio de quem os prejudicou, aqueles que lhes devem satisfação pelas insatisfações causadas.
Quando não conseguem voltar a conviver com os algozes, pelos laços sanguíneos, aflitos por vingar-se, o fazem através de perseguição contumaz, no plano invisível.
Esmeram-se em planejamentos e metas de ataques, tão ou mais cruéis, do que as cruéis armações daqueles que deles abusaram.
Alimentam-se do ódio, que é o amor doente, impulsionados pelos instintos inferiores que ainda vigem, fortemente, na personalidade que foi humilhada, ridicularizada, desprezada, um dia.
Tornam-se algozes insaciáveis, ávidos por vingança.
Quando conseguem se instalar na família que um dia os renegou, as matrizes espirituais os instigam a ter um comportamento hostil, desfrutando o prazer amargo de quem se vinga, atormentando o algoz antigo, munido de recursos que enchem um saco de maldades que não se esvazia.
Daí vem as altercações, implicâncias, o gosto de pegar no pé, cobrando, insaciavelmente, de quem hoje lhes surge como parental, no ninho estreito do lar.
É quando o apoio familiar é imprescindível, para que possa ser aproveitada a oportunidade de se refazer a experiência infeliz, modificando-se o teor vibratório de hostilidade.
O Pai Celestial permite que se reencontrem, no núcleo doméstico, aqueles que têm pendências entre si, como também aqueles que privam de afinidades preciosas.
Filhos são mestres valiosos que constroem o futuro das interrelações felizes. Carregam o nome, a tradição, a estirpe que lhes comporá a família espiritual. Libertam os que, na condição de pais, retratam faltas que ainda precisam ressarcir de vidas pretéritas.
Pais são os que devem acolher, no lar, as criaturas que Deus lhes empresta, para aprenderem a servir, a amar, a aconchegar, nos braços, seres indefesos que lhes retornam à convivência.
As premissas não constituem regra geral, mas podem acontecer, porque é da lei que todo mal seja extinto, que só o bem e a fraternidade prevaleçam.
O perdão das ofensas, que aí acontece, liberta tanto o que foi algoz como o que foi vítima. Todos se acham envolvidos pelos laços do DNA que, através da consanguinidade, entrelaça os corações, no reduto do lar, doce lar.
O tempo, silente e criterioso, registra falhas e conquistas. Tece redes com nós de intrincada história e no momento certo, tudo o que guarda, refaz, com remédio salutar.
(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta, pedagoga, especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem no DM às sextas-feiras e aos domingos. E-mail: [email protected] (062) 3251 8867)