Donald Trump barraria o novo prefeito de Londres?
Redação DM
Publicado em 12 de maio de 2016 às 21:37 | Atualizado há 10 anos
Filho de uma costureira e de um motorista de ônibus oriundos do Paquistão, Sadiq Khan acaba de desembarcar na prefeitura Londres, uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Ninguém melhor do que ele para representar todo esse multiculturalismo.
Muçulmano, Khan está fazendo história. Além de pôr fim a 24 anos de domínio do Partido Conservador na capital britânica, ele é o primeiro prefeito de fé islâmica de uma grande cidade do Ocidente.
De acordo com o BabyCentre, o nome mais comum entre os recém-nascidos no Reino Unido é Muhammad, uma clara evidência da forte influência muçulmana na sociedade deste país e, consequentemente, de seu passado colonizador. Em Londres, segundo o censo de 2011, o número de muçulmanos cresceu 12,4% e, em algumas regiões da cidade, como Tower Hamlet e Newham, eles já correspondem a um terço da população.
Em tempos cada vez mais islamofóbicos, a eleição de Khan é um fio de esperança de um mundo menos preconceituoso. Entretanto, do outro lado do Atlântico, Donald Trump segue com sua campanha segregadora. Ted Cruz e John Kasich desistiram recentemente da corrida presidencial e, com isso, Trump se consolida como candidato pelo Partido Republicano.
Logo após os atentados terroristas do dia 13 de novembro de 2015 em Paris, o bilionário anunciou que, se eleito, barraria a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos. Mais de 1 bilhão de pessoas estão nessa lista. Dentre elas, a Nobel da Paz Malala Yousafzai. Duvido que Trump poria essa política em prática. Na verdade, duvido que ele seja eleito.
Questionado, o republicano disse que abriria uma exceção à Khan, que, por sua vez, retrucou: “Isto não é apenas sobre mim. É sobre meus amigos, a minha família e todos os que têm um passado semelhante ao meu em qualquer parte do mundo.”
Diferentemente do que muitos possam pensar devido a sua religião, o novo prefeito de Londres adota uma agenda progressista, sendo, por exemplo, a favor do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
A separação entre Estado e mesquita pode ser fundamental para o Oriente Médio nos dias de hoje, assim como foi um dia a separação entre Estado e igreja para alguns países europeus. Khan, que será julgado pelos seus atos e não pela sua fé, é a prova viva de que isso é possível.
(Marcelo Mariano, acadêmico de Relações Internacionais da PUC Goiás – marianomarcelo.net)