Lembranças dos tempos de escola – Parte XLI
Redação DM
Publicado em 12 de maio de 2016 às 21:35 | Atualizado há 10 anos
Nesse ano os passeios do grupo de jovens do qual fazíamos parte se intensificaram e não raro dirigíamos para lugares diferentes.
Aproveitando o momento vou contar ao leitor sobre um dia em que o nosso grupo de jovens resolveu fazer um passeio à fazenda de uma componente, prima de Edu. Na verdade aquela viagem há muito era uma pendência, pois íamos para variados lugares e nunca havíamos idos à fazenda da família dela que nos aguardavam.
Era uma manhã de domingo quando o caminhão foi encostado em frente à igreja para nos levar à fazenda. Uma freira que também era nossa professora, Roney, Edu, Érick, Maick, Vando, Ámer, Cal, Paty, Eleno, Mari, Gil umas três primas de Edu e muitos outros encheram a carroceria do caminhão.
Chegados naquela fazenda fomos jogar vôlei, futebol e outras coisas mais. No quintal havia muitos pés de frutas, como manga, pinha, limão, laranja, tangerina etc.. Ficamos por ali nas proximidades da casa conversando, chupando laranjas, contemplando o pomar e quando chegou a hora do almoço aconteceu que alguns não se aproximaram da cozinha e acabou ficando sem almoçar, pois passou da hora ou a comida fora insuficiente para todos os presentes, o fato é que alguns almoçaram e outros não. Eu fui um daqueles que ficou sem experimentar da comida. Roney, Érick e Edu, de barrigas cheias ficaram zombando daqueles famintos. Contudo, aquele passeio teve sua parte boa, não que ter ficado sem almoço tivesse sido o fim da picada, afinal, o quintal era repleto de árvores frutíferas. Era um verdadeiro pomar.
Milla era uma garota super… não, super é pouco, era hiperinteressante: loira, alta, magra, cabelos cacheados, lábios carnudos e tentadores, unhas longas e bem cuidadas e sabia se expressar muito bem. Não era por ser loira de cabelos cor de ouro ou por possuir as características físicas supramencionadas que me seduzia. O que nela mais me atraía mesmo era o fato de seus olhos serem azuis! Simplesmente lindos, maravilhosos e indescritíveis, meu Deus! Tudo isso somado à elegância que tanto chamava a minha atenção.
Eu nem a conhecia ainda e aproximando a hora do almoço ela se aproximou de mim e, naturalmente, começamos a confabular. Com aquele exibicionismo sensual, porém natural, ao mesmo tempo, ela me atiçava ao ponto de me deixar repleto de sensacionismos excitantes. Em poucos minutos, sem ao menos eu esperar ela se embriagara com o meu perfume da mesma forma em que eu namorava os seus olhos. Meus desejos atiçavam as minhas ousadas mãos a tocarem, telepaticamente, em seus seios convidativos, macios e pontudos. Daí a explicação do porquê de eu gostar tanto dos meus pensamentos, eles realizam minhas vontades e desejos, sem machucar o próximo e sem ferir a mim mesmo.
Inicialmente pensei que aquela aproximação dela para comigo fosse apenas um momento de relação amigável, pois um dos objetivos do passeio era integrar os indivíduos do grupo ainda mais naquele momento em que o grupo estava recebendo gente nova a cada dia, ou à tortela, como diria Edu se estivesse escrevendo aqui.
Menos de hora após nos conhecermos Milla e eu já estávamos aos beijos como dois velhos amantes apaixonados. Enquanto procurávamos esconder os nossos comportamentos daquela freira, o cheiro feminino de Milla se misturava ao meu perfume, nossos corpos se grudaram e nossos lábios já não mais se dividiam. Nesse momento já não mais nos importavam quem olhavam ou quem nos ignoravam. Criamos um mundo somente para nós dois.
À tarde, Edu convidou todos para ir à fazenda dos seus pais. Todo o grupo se dirigiu para lá por uma estrada camuflada de pó da terra seca. No momento da partida para a casa de Edu todos saíram juntos e no caminho, que era um pouco extenso, cada um se dispersava, segundo os seus interesses. Ámer e Erimar se perderam num canavial, Flor, um jovem de outra cidade e membro do nosso grupo, ficou mais atrás com outra doçura e Milla e eu mais atrás ainda.
Milla e eu ficamos enrolando pelo caminho… Conversando, brincando, namorando, enfim, nos conhecendo melhor, profundamente. E que profundeza! Éramos dois estranhos, indo para não sabemos aonde e nem quando chegar. Eu passei a vê-la como uma discípula da beleza e tê-la como um presente divino. Todos sumiram da nossa vista e por ser um território de muitas trilhas precisamos levantar pistas se quiséssemos chegar ao destino pretendido: a fazenda dos pais do meu amigo Edu. Entusiasmados, seguíamos as pegadas dos andarilhos.
No fundo, Milla e eu não estávamos com nenhuma pressa para chegar, afinal continuávamos fazendo coisas muito mais interessantes pelas trilhas e quanto mais longo fosse o caminho ou distante fosse a fazenda, naqueles momentos éramos senhores do nosso tempo. Despreocupados com o tempo chegamos à fazenda e saboreamos um lanche oferecido pela família de Edu. O requeijão, os doces, as petas e demais comidas estavam uma delícia. (¡Muchas gracias, my brother, Edu!).
Sabendo da nossa intimidade, Edu, Érick, Maick e Roney procuraram me deixar a par de todas as informações sobre a garota. De acordo com eles, ela tinha acabado de chegar da cidade de São Paulo, notícia que não foi surpresa ou novidade para mim, pois ela mesma me falou. De volta à cidade conversamos muito pouco em cima do caminhão e quando chegou à cidade não a vi mais.
Edu, Érick, Maick e Roney garantiram que nunca mais eu ficaria com uma gata tão bonita como aquela. Eu concordei com eles, naturalmente. Afinal eles a conheciam melhor que eu! Será?! Eles acreditavam que aquilo foi uma sorte que a gente tem uma única vez na vida.
Tempos depois, como se num sonho, ela surgiu em minha casa! Linda, maravilhosa, estupenda, perdoe-me singelo leitor, pelo termo, mas a obra era simplesmente gostosa! E melhor ainda, não era sonho, e sim real. Se foi uma surpresa quando a vi, curioso foi saber do seu parentesco com Cal, meu colega. Daí ela descobriu o caminho e ia quase sempre. Nessa época eu morava praticamente sozinho e quando chegava das aulas práticas de Educação Física ela já estava a me esperar para jantarmos.
Namoramos muitas vezes mais depois soube que a espevitadinha apesar de fisicamente linda era muitíssima conhecida. Assim como eu, muitos rapazes, através dela, descobriram o caminho para a ilha dos prazeres. Eu só era mais um dentre milhões de jovenzinhos que a beijava… Nem por isso eu nego, ela era maravilhosa. Não fosse seu comportamento autodesvalorizador, ela seria a realização dos sonhos e desejos de todos os homens. No fundo ela foi a realização de “todos os homens”. Naquele tempo desejei-a para ser unicamente a minha realização.
(Gilson Vasco, escritor)