Parabéns, Jataí!
Redação DM
Publicado em 12 de maio de 2016 às 02:26 | Atualizado há 10 anos
Jataí, eu te abraço com a alma festiva. Emocionado, saúdo meu berço natal. Viajo ao teu passado e vejo o dr. Samuel Graham com aquele seu carisma, com aquele seu sorriso doce, com aqueles seus cabelos brancos ao volante de um jepe também branco a puxar carreta da mesma cor carreando fé, esperança e amor na edificação do colégio que herdou seu nome. Dizem que mudaram a denominação. Verdade? Por que o fizeram? Bem me lembro do seu falecimento. Era o dia 12 de agosto de 1952. Jataí, então poeirenta no estio; barrenta no período chuvoso, chorou por esse missionário bondoso. Na primeira manhã dominical depois da sua despedida, assisti à escola bíblica e testemunhei dona Ruth, a missionária agora viúva, derramar lágrimas enquanto tocava o harmônio.
Eu te saúdo, cidade bonita onde tive o privilégio de nascer no amanhecer da segunda-feira 31 de julho de 1944, na casa dos meus padrinhos Carmino e Maria Júlia, esquina da Goiás com a rua do Sapo, atual Jerônimo Silva.
Vejo o simpático Zequinha Eduardo oferecendo seus serviços de amolador de facas, poeta ambulante que brincava com as palavras formando rimas. Ele morava lá no morro que leva seu nome, morro Zequinha Eduardo.
Jataí de grandes oradores, de poetas, romancistas, memorialistas, dentre eles meus parentes Meco e Maria Eloá. Jataí do José Godoy e do Basileu Toledo França. Jataí da peroba-rosa, da banana-da-terra mais saborosa da terra, palco promessa de Juscelino ao Toniquinho de mudar a Capital da República que volta a ter governo ilegítimo.
Estou feliz e orgulhoso de ti, porque desde 9 de maio de 2016, oficialmente, ostentas, garbosa, a Universidade Federal. Quase choro ao escrever isso.
Eu te abraço apertado, meu sobrinho-irmão Rafael, arquiteto da “Cidade Universitária José Cruciano de Araújo”. À memória deste professor também reverencio. Ao cumprimentar o dr. Rafael, sinto desejo de ficar de pé para mencionar meus pais, comerciante Joaquim Borges de Oliveira e Maria Clara de Oliveira, do lar. Quando entraram no outono de suas caminhadas por este mundo tumultuado, acolheram os netos maternos Rafael e Luciana e lhes deram amor ágape e os formaram. Saúdo a todos que, silenciosamente, laboraram para que a extensão da UFG se emancipasse.
Tu mereces, querida “Cidade Abelha”. Tu mereces, município de grande tradição, forte economicamente, romântico pela própria natureza. Ao teus intelectuais, aos teus professores, autoridades, empresários, ao teu povo de todas as profissões eu saúdo.
Saúdo a grande mulher Dilma Rousseff, vítima dos torturadores físicos de ontem e dos torturadores da calúnia dos dias atuais, pelos seus acertos muito superiores aos erros. Amanhã a história lhe fará justiça, presidenta em quem votei em 2010 e 2014 e repetiria o voto. A data de 9 de maio de 2016 é a mais importante da história para Jataí e Catalão, no sudoeste e no sudeste, respectivamente, de Goiás, porque é a data em que a senhora criou, em cada uma delas, Universidade Federal.
(Filadelfo Borges, autor de vários livros, titular da Cadeira 1 da “Academia Rio-Verdense de Letras, Artes e Ofícios”, maçom 33, aposentado no Fisco Estadual)