Ciclovia da T-63
Redação DM
Publicado em 12 de maio de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anosO canteiro central da Avenida T-63 já sofreu três intervenções nos últimos dois anos, inclusive a última dela discorri em um artigo do porquê da troca da grama batatais pela esmeralda, sabendo que a primeira logo mataria a segunda – dito e ocorrido. Isto sem falar naqueles horríveis pneus pendurados, servindo de vasos e alusivo à dengue. Por sorte os tiraram rapidamente!
Agora, vejo nova intervenção para a “conclusão” de uma ciclovia. Não quero aqui dizer que sou contra a este novo projeto de mobilidade da prefeitura, que aliás aprovo. Nem tão pouco que demarquem nos finais de semana locais para uso dos ciclistas, pois eles merecem ter mais segurança; mas fazer uma ciclovia na T-63, com o enorme fluxo de veículos e o perigo evidente que ela representa, é jogar dinheiro fora.
Até hoje, não observei ninguém percorrê-la nos locais que se encontra pronta. Afirmo com convicção, pois a T-63 é meu percurso diário para o trabalho. Eu, particularmente, não seria louco de me aventurar nela. Primeiro, porque existem trechos que são interrompidos, como o próximo do viaduto sonrisal da 85 (obra que encontra-se caindo suas placas e bastante danificada, representando também outro desperdício com o dinheiro público realizado pelo senhor Iris Rezende, onde eximo a culpa do atual prefeito). Mais à frente, temos outra ponte, onde o ciclista ou passa a nado ou se atreve a dividir o espaço com os veículos.
Aliás, a T-63 com o corredor para os poucos ônibus, torna-se um caos nos horários de pique. Creio que o referido corredor é uma fábrica de multas, pois muitos motoristas em elevado estado de stress, acabam usando o mesmo e levando multa e alguns pontos na carteira. Creio que não é preciso ter um parecer técnico para validar o que digo, apenas que usemos o bom senso.
O mau uso do dinheiro público causa-nos mais do que indignação, mas revolta. Ao tempo em que vimos obras iguais a estas sendo feitas, e os Cais e Postos de Saúde na capital necessitando de reformas, readequações, médicos, medicamentos, vimos o quão “inteligente” está sendo usado o dinheiro do contribuinte.
Criticar parece ser muito fácil, difícil é apresentar soluções. Mas neste caso, não se trata de críticas ou de soluções, mas do mínimo de inteligência frente a um projeto que já começou errado, pois há quanto tempo estão mexendo nele? Qual o uso que ele teve até hoje? Que eu saiba: nenhum, a não ser gastos que não devem ser poucos.
Existe uma outra observação digna de nota, que também se trata de mobilidade, neste caso, da impossibilidade dela:
Aqui próximo da minha casa, mais precisamente na T-38, ao lado da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), existe uma feira, que causa um verdadeiro tumulto no trânsito nas quartas-feiras aos moradores da redondeza. Apoio o direito dos feirantes de trabalharem, mas poderiam levar esta feira mais adiante, ao lado da Organização Jaime Câmara, mesmo local para onde levaram a feira de alimentos que existia, antes, na frente do Colégio Visão. São ações práticas, que não causaria prejuízo a ninguém e atenderia a todos.
Não é correto o poder público esperar que os cidadãos tenham que intervir, para pedir que providências sejam tomadas. Elas deveriam surgir espontaneamente e com objetivo de melhorar a vida dos moradores e não complicar ainda mais.
Neste ano eleitoral, tudo é e será demonstrado como uma verdadeira maravilha nos informes publicitários, mas a realidade não coaduna com os fatos. O trânsito está caótico. As ruas esburacadas. Os lotes abandonados e sem os devidos cuidados. Praças mal cuidadas (principalmente as do Setor Sul), tornando-se criadouros do mosquito Aedes aegypti e servindo de ponto de encontro de marginais.
Não são só locais de descuido, mas a representação clara e evidente de um desgoverno. Goiânia já não possui o viço e beleza das praças da época da administração de Nion Albernaz. Ela está encardida, mal cuidada e abandonada em diversos setores.
Estaremos neste ano escolhendo o novo gestor para Goiânia. Até o momento, nenhum dos pretensos candidatos me causou nenhuma empolgação. Sei que haveremos de ouvir muitas promessas e soluções imediatas, como foi a de resolver em seis meses o problema do nosso transporte coletivo por um certo candidato vitorioso na época, o qual não preciso nem nominá-lo. Aliás, ele com certeza retornará mais uma vez como dito salvador da pátria.
É preciso que vejamos nas promessas ações que sejam exequíveis. Que antes de nos apresentarem soluções milagrosas, que possam nos dizer como elas serão feitas, de onde virão os recursos. Aliás, desconhecemos por completo o que é arrecadado com os impostos municipais, incluindo o IPTU, ITU, ISSQN, taxas, multas etc.
É preciso que exista mais transparência e boa aplicação do dinheiro público, para que não vejamos obras iguais a ciclovia da T-63 servindo de piada. Que tenham mais responsabilidade e planejamento no que se propõem a fazer. Enfim, que neste momento de transição por que o país passará, Goiânia possa encontrar um bom gestor, capaz de oferecer o que todos os goianos merecem: uma administração capaz de resolver tantos problemas que nos afligem.
(Cleverlan Antônio do Vale, graduado em Gestão Pública, Administração de Empresas, pós-graduado em Políticas Públicas e Docência Universitária, doutorando em Economia, articulista do DM – cleverlanva[email protected])