De como Siqueira Campos salvou o Brasil
Redação DM
Publicado em 12 de maio de 2016 às 02:13 | Atualizado há 10 anos
No Império, barão visconde… Na República velha, coronel… Hoje, na República dos trabalhadores, companheiro! Monarquistas convictos perderam imediatamente a convicção diante da proclamação da República.
De nobres, passaram a ostentar o titulo de coronéis, criado para afagá-los.
Continuaram no poder, agora republicamos de proa… Getúlio acabou com as hipocrisias. Agora, companheiros do companheiro mor da corte republicana!
Sempre oportunista sempre agarrados ao poder como carrapatos rodoleiros no couro do gado.Sempre levando vantagem no exercício do mandato. Isto num país em que a instrução não é extensiva a todo povo, porque povo instruído não se comporta como ovelhas no redil. São os grandes senhores feudais do nosso tempo.
Assim é José Ribamar, o senador. “Sir Ney”, para bajular inglês, ou simplesmente Sarney, o eterno vice-rei do Maranhão, uma das províncias onde a instrução ainda não atingiu a maioria do povo. Por isso ele e seu clã reina sereno como as calmas e caudalosas águas do Rio Tocantins, que banham o sul e do seu vice-reinado.
Sempre por cima, como diz o povo, bajulou Juscelino, João Goulart, depois limpou as botas dos militares. Foi o todo poderoso presidente nacional da Arena, o maior partido político do Ocidente. Traiu o governo militar quando as nuvens do céu mudaram de figura… Com maquinações sorrateiras, mudou de lado e foi vice-presidente do País, para levar os votos de que o candidato oposicionista necessitava. Ascendendo à presidência por acontecimento malfadado, teve, entretanto, durante malévolo período, alguém a pisar-lhe o calo: Ulysses Guimarães, o líder autêntico, que não transigia com a corrupção.
Na primeira oportunidade quis voar mais alto, quis fazer a sucessora do Fernando Henrique, utilizando o prestígio de sua filha Rosane, jovem e bonita. O clã ganhou formidável rasteira graças ao trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público. Suas pretensões vieram a baixo: a candidatura Roseana foi um hilariante vôo de pato, ou de pata.
A DENÚNCIA DE SIQUEIRA CAMPOS
Siqueira Campos, embora navegasse no mesmo barco de Sarney, nos tempos dos governos das casernas, pugnava pela criação do Estado do Tocantins, que, do outro lado do rio do mesmo nome, poderia fazer sombra ao vice-reinado sarneano. Daí e por isso que o então presidente da república vetou por duas vezes a criação do Estado, em ambas já aprovada pelo Congresso Nacional. Mesmo como “Sim” das autoridades e do povo de Goiás, que entendiam o pleito dos goianos do norte (graças a um trabalho de Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins), após o veto presidencial.
Criado o Estado pela Assembleia Nacional Constituinte – ato que Sarney não pôde vetar – ainda embirrou. Não passou as verbas necessárias e constitucionais, prejudicando enormemente a primeira administração do Tocantins, que começou do nada, sem móveis ou máquinas de escrever.
Mas Siqueira Campos, líder entusiasmado, administrador competente e dono de decisões audazes, arregaçou as mangas, foi em frente e consolidou o Estado. Veio o tronco para Sarney. Roseana Sarney disparava nas pesquisas rumo a Presidência da República, situação que levaria o Brasil ter a “Rainha da Inglaterra” no Palácio do Planalto, e o primeiro-ministro “Sir Ney” nas sombras, maquinando e mandando no País, como se fosse esse o seu pobre e vice-reinado.
Siqueira, governador, sabia das coisas erradas de uma firma do empresário Jorge Murad marido de Roseane, no Tocantins e denunciou no ministério Público do seu estado, demolindo com um tiro de canhão aquilo que se tornou castelo de areia do poderoso clã maranhense. A Polícia Federal soube da denúncia e realizou batida na sede da Lunus, empresa da candidata e seu marido, flagrando a existência de uma dinheirama sem origem, o que não foi explicado até hoje, e que destruiu a candidatura, que seria uma calamidade para o Brasil.
Foi mais um ato de coragem e decisão do então governador Siqueira Campos. Siqueira foi sempre o mesmo, sempre foi respeitado até pelos adversários, pela sua coerência moral e política. Siqueira não poderia compactuar com a corrupção eleitoral e fez a denúncia, o que livrou o Brasil de tornar-se a estranha e inédita monarquia tupiniquim, o que seria… “para o mal de todos e infelicidade geral da nação”. Ela disse que “saio” da disputa.
Graças a Siqueira Campos.
(Walter Menezes, ex-presidente e conselheiro permanente da AGI – Associação Goiana de Imprensa)