Economia

Bovespa tem queda de 4,9%, a maior desde 2011, em dia de perdas globais

Redação DM

Publicado em 2 de fevereiro de 2016 às 04:50 | Atualizado há 10 anos

RIO — A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou 4,87% nesta terça-feira, aos 38.596, a maior queda desde agosto de 2011. A sessão foi impactada pela desvalorização do preço do petróleo internacional, pela baixa das principais Bolsas estrangeiras e por resultados corporativos que decepcionaram os investidores, como os de Cielo e Itaú Unibanco (este, apesar do lucro recorde). Após ter caído em três sessões seguidas e chegado ao menor valor do ano na segunda-feira, o dólar comercial fechou em alta. A moeda americana avançou 0,65%, cotada a R$ 3,986 para compra e R$ 3,988 para venda.

Na Europa, o índice de referência Euro Stoxx 50 caiu 2,29%, enquanto a Bolsa de Londres recuou 2,28%. Em Paris, a queda foi de 2,47%, e em Frankfurt, de 2,47%. Em Wall Street, o Dow Jones cai 1,88%, enquanto o Nasaq recua 2,22%. O S&P 500 tem baixa de 2,20%.

Cinquenta e sete das 61 ações do Ibovespa fecharam em queda, sendo que as principais registraram queda intensa. A Petrobras ON recuou 8,51% (R$ 6,02), enquanto a Petrobras PN teve baixa de 8,90% (R$ 4,30). A companhia foi impactada pelo queda do petróleo, cujo barril do tipo Brent cai 4,41%, a US$ 32,72, com analistas prevendo uma alta dos estoques do produto nos EUA. Na mínima, o produto atingiu US$ 32,23, um recuo de 5,87%.

A Vale ON caiu 9,47% (R$ 8,60), e a PN, 9,38% (R$ 6,57). Entre os bancos, o Banco do Brasil ON caiu 7,49% (R$ 13,10), enquanto o Bradesco PN perdeu 4,14% (R$ 17,85).

— O petróleo está caindo intensamente lá fora, o que trouxe as Bolsas para baixo. É mais uma vez o receio de uma economia global recessiva, com deflação, e com a commodity já afetando os balanços das empresas, como o da BP. O mercado tem buscado mais os títulos do Tesouro americano, então os investidores estão mais conservadores —observou Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut.

Para Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, o fato de a Bolsa brasileira ser muito dependente do mercado externo acaba fazendo com que o pregão seja pautado pela preocupação com o crescimento global.

— O fluxo do capital é todo estrangeiro, e minha preocupação com o mercado externo segue muito forte. Temos uma forte queda do petróleo, e isso contamina a economia mundial. O mercado está indo mais nessa visão do que na análise da economia como um todo. Então vejo um mercado bem vendedor de papéis mais ligados a commodities.

ITAÚ DESPENCA QUASE 9% APESAR DE LUCRO RECORDE

Mas o Itaú Unibanco PN é a principal causa da queda da Bolsa, recuando 8,72%, cotado a R$ 23,25. . O aumento da margem financeira nas operações com clientes e o mercado e as maiores receitas com prestação de serviços contribuíram para esse resultado.

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Mas, no ano passado, o maior banco privado do país viu sua carteira de crédito avançar 4,6%, chegando a R$ 585,5 bilhões, um crescimento abaixo da inflação. Para 2016, a situação não deverá ser diferente, a instituição espera que o total de empréstimos cresça no máximo 4,5% — e, no pior cenário, tenha uma leve retração de 0,5%.

— O mercado reage a uma mescla de fatores, como a queda do petróleo, o recuo das bolsas internacionais e resultados corporativos — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Apesar de o resultado do Itaú ter vindo acima do esperado, os analistas financeiros estão preocupados com o aumento das provisões contra a inadimplência. Teve também o balanço de Cielo, que veio abaixo das expectativas do mercado. Como o setor financeiro tem um peso grande, isso tudo acaba influenciado no Ibovespa.

GOL CHEGA A SALTAR 28% MAS TERMINA COM QUEDA DE 15%

Na opinião de Raphael Figueredo, da Clear, grande parte da queda do Itáu se explica pela realização de lucros dos investidores.

— É o famoso “subiu no boato e realizou no fato”. Para mim, a queda das ações não reflete o resultado em si, mas a confirmação que os números trouxeram sobre o que se especulava com relação ao banco. O setor bancário, e especialmente Itaú, tem um pouco mais de gordura para queimar do que qualquer outro setor da Bolsa afirmou.

A Cielo registrou lucro líquido de R$ 852,7 milhões no quarto trimestre, contra uma estimativa mediana de R$ 977,4 milhões entre os analistas dos bancos. Os papéis da companhia despencaram 6,45%, a R$ 31,20.

A Gol, companhia que vem chamando a atenção com saltos de até 50% nos últimos pregões, teve um pregão de gangorra. O papel chegou a subir 28,26% no meio da tarde, mas encerrou com queda de 15,22%, a R$ 1,95.

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