Claro que D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro!
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2016 às 22:12 | Atualizado há 10 anos
Essa minha pretensão de atrair a atenção de leitores através de títulos, digamos, “impactantes” – os inimigos utilizam-se de “apelativos” – comecei a adquirir, tenho certeza, ainda moleque trabalhando em dois jornais de Ribeirão Preto sob a tutela do inesquecível Luciano Lepera, por décadas, o melhor cronista do cotidiano de Ribeirão Preto, com quem tive o privilégio de trabalhar e, mais, muito mais e melhor, com a ficha, como político – pois foi deputado federal – limpíssima, incorruptível tendo, inclusive, sido perseguido pelo seu empenho em estatizar a Petrobrás. Na luta pelos direitos dos trabalhadores perdeu parte da sua dentição com um murro. Que pena, o “seu Luciano” quase morreu para que a Petrobrás fosse “estatizada” e agora, logo no começo do século e milênio, um grupinho de espertos “políticos do setor privado da moral” delapidaram a empresa que valia, até o final do século passado, bilhões e bilhões, tendo sido considerada a quarta maior empresa petrolífera do planeta, bem, eu não vou entrar nesse assunto porque ele fará com que a minha outra mania, a de tergiversar, corrompa o princípio do tema, fazendo-me não justificar o título “apelativo”, então, voltando, o Luciano Lepera que é orgulho “nosso”, ribeirão-pretanos – sim, porque eu me considero filho de São Paulo mas tenho duas tias, ou madrastas, como quiserem, que eu amo de paixão e que são, “por sinal”, muito parecidas em inúmeros aspectos: Ribeirão Preto e Goiânia – então, o Luciano Lepera concedeu-nos o privilégio, eu e à mamãe, a “dona Jô”, de tomarmos um chopinho com ele no “Pinguim” aonde rimos “demais da conta”, proseando, entre outras “coisas”, sobre a “figurinha difícil” que fui quando adolescente, querendo imiscuir-me no mundo do jornalismo ribeirão-pretano antes de deixar as fraldas e, pior, achando-se o “dono da verdade que iria ajudar a modificar o mundo através da imprensa”. Eu acho que é por isso que “abandonei” o jornalismo por quase três décadas. Eu entrei nesse “mundo” quando as letras não eram foto-compostas, mas, por incrível que possa parecer, eram moldadas em monstruosas e barulhentas linotipos, com chumbo derretido. Quer dizer, o linotipista “digitava” a letra “a” e ela era “cunhada”, ou “esculpida” numa barrinha. A tal barrinha junta com outras, por exemplo a “m”, o “o” e o “r”, formavam a palavra “amor”. Imagine o misericordioso leitor o “amor” que dedicávamos a tudo aquilo, arrumando letrinha por letrinha, caso tivéssemos encontrado algum erro… afora o frenesi da redação e revisão – muito calor, muita fumaça de café e de cigarro e um corre-corre lascado – a urgência para rodar e entregar para as bancas e os assinantes a edição antes da concorrência. Acho que devo mencionar, já que deixei a modéstia de lado, que tive o privilegiado de ampliar essa minha mania de impactar, ou, como disse que dizem, ser “apelativo”, quando fui, e isto me “enfuna”, o funcionário mais novo da história da “Folha de S. Paulo” – em 1978 – e ver e ouvir o Boris Casoy “fechando”, ao telefone, o “Contra Ponto”, a coluna mais “lida”, com o Paulo Francis que já morava em Nova York. “Especializei-me” auxiliando o pessoal do “Notícias Populares”, que era um dos cinco jornais que “rodávamos”, inclusive, lembrei-me agora, a “Gazeta de Santos” também era rodada lá, então, o “Notícias Populares” era tido, pelos paulistanos, como o jornal que se torcêssemos sairia sangue. O senhor, a senhora, o jovem ou a jovem, tenho certeza, até as crianças, haverão de desculpar-me a falta de modéstia, entretanto, tenho de contar algo ou alguma “coisa” sobre o meu “currículo” em jornais, o meu “passado”, pois assim, além de incentivar as novas gerações de leitores e escritores – escrevo a minha história, lógico, também para os meus filhos, netos e, quiçá, tataranetos – então, além disso, mando um recadinho para os “políticos do setor privado de moral” que nunca lerão uma dúzia de livros na vida e, cujo currículo, como disse o meu queridíssimo amigo Ronaldo Franco, não preenche uma folha sequer do gibi do “Pateta”. Vá discutir com o amigo Franco sobre como poupar água e energia. Embasamento só se consegue com pesquisas, testes e muito, mas muito mesmo, estudo.
Bem, então, voltando, novamente, depois de criticar e ter até arrumado uma encrencazinha, com um sujeito que nunca havia visto “nem mais magro nem mais gordo em minha vida”, devido ao artigo publicado domingo retrasado com o título: “Quem é a ‘vagabunda’ estampada em todas as notas e na moeda de 1 real?’ – e eu já contei a história sábado retrasado sob o título: “Sobre a ‘vagabunda’, novamente!” – gostaria apenas de mencionar novamente que se eu fosse um deputado federal ou um senador proporia a mudança imediata da insígnia das nossas notas e moedas retirando-se a figura da “vagabunda” – que muitos pensam que é a filha mais velha de D. Pedro II, que assinou a “Lei Áurea”, a princesa Isabel. Coitada da mulher, depois de tudo que fez por nós, os negros, ainda tem que se virar no túmulo com tamanha confusão imposta pelo sistema educacional brasileiro – enfim, este parágrafo está ficando extenso, e como não sou nem uma unha do Saramago, finalizo este para finalizar no próximo parágrafo, ei-lo:
“Mas por que ninguém sabe disso, seu Henrique?”, dizem as pessoas simples, nas feiras, nos ônibus, na periferia. Elas perguntam, ávidas pelas respostas, entretanto, os intelectuais, estes se fazem de “bestas quadradas” e ficam quietinhos e só existem duas razões para os seus silêncios. Não sabem ou não querem mostrar que sabem. Se não sabem, tudo bem, é até perdoável, agora, se sabem e não propagam, nunca escreveram ou falaram, nem sequer gesticularam ou piscaram sobre os tais fatos “mais que significativos”, que envolvem a história do nosso país, então cometem um pecado imperdoável, o oposto da “caridade”, o oposto de tudo que é “sagrado”, ou seja: a omissão! Então, volto a perguntar: Por que, senhores e senhoras responsáveis pelo ensino da “matéria” História do Brasil, continuam omitindo, dos brasileirinhos e do povo em geral, que D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro e foi o único imperador da “História” a reinar por durante 58 anos, pois, foi entronizado ainda garoto e teve uma vida incrível, riquíssima e longeva. Eu já disse e volto a repetir até o último folego: O que os portugueses levaram de riquezas, inclusive o ouro, naquelas suas naus de madeira, é mixaria perto das conquistas do nosso conterrâneo, o “carioca” D. Pedro II que em três grandes guerras, tornando-se vitorioso e conhecido no mundo todo, conquistou a selva amazônica que era dos espanhóis, parte do “Grande Pará” e do Mato Grosso do Sul. O que há de minério e ouro lá hein? Uma governo inteligente, utilizando-se de mineração inteligente, pagaria todas as suas dívidas em cinco anos, afinal, não somos a 8ª potência econômica entre mais de duzentos países e tendo – volto a reforçar, por conta e risco de D. Pedro II – nos tornado o maior país em extensão territorial do planeta, no hemisfério sul, “aonde o que se planta dá”, então, vamos substituir a imagem, a esfinge do nosso dinheiro. Então por que não substituirmos a “santinha de pau oco”, cujo nome nem aparece, nem nas notas nem nas moedas, e substituí-la pelas figuras imponentes e belas de D. Pedro II e a sua filha mais velha, a Princesa Isabel? Só mais uma coisinha: eu vou continuar acentuando o “nome” Petrobrás e há farto material, na Internet também, (Kkk), sobre a razão de alguns de nós, os “jornalistas antiquados”, persistirmos com o que eles julgam ser “erro”, ou seja, acentuar a palavra oxítona mesmo sendo ela uma sigla. E “viva” a Petrobrás e, vivam também os que a roubaram, por muitos e muitos anos, quiçá por toda a vida na cadeia, na penitenciaria, trabalhando, como exemplos às nossas próximas gerações. Ah se fosse no Oriente! Até.
(Henrique Dias é jornalista)