Carnaval não é brinquedo
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2016 às 21:17 | Atualizado há 10 anos
O clima nostálgico, imagens dos antigos carnavais, as marchinhas – “Oh! Abre alas que eu quero passar” – tudo auxilia a imagem sedutora da festa profana, mas na vida real o que se vê, à exceção de uns e outros, é uma total depravação dos sentidos, lamento pelos que apreciam, mas é a verdade.
Como se fosse dada uma autorização especial, as pessoas se amontoam, se esfregam, suam, bebem, gritam, se despedaçam, milhões conseguem sair ilesos, muitos não tem a mesma sorte, não só física mas espiritualmente o dano é grande, com reflexos por muito tempo.
Talvez e com ressalvas, os únicos desculpáveis seriam a juventude e seu vigor hormonal, mas como justificar o mesmo comportamento em homens e mulheres adultos, pais e mães de famílias, trabalhadores, cidadãos, que continuam a se entregar alucinadamente a esses exageros?
E a pergunta insistente numa simples reflexão: o que se está comemorando tão loucamente?
Interpretações históricas e sociológicas à parte, o evento concreto é que nada especial é celebrado, é a festa pela festa, o grito pelo grito, é a explosão do desespero disfarçado de alegria!
Muitos e muitos faturam alto em cima do carnaval, assim como outro tanto, talvez mais, faturem também uma merreca, são músicos, garçons, restaurantes, turismo, o governo, claro, são os que aproveitam a oportunidade de negócios, não estão errados, mas com toda certeza, sem essa bagunça, todos arranjariam outros meios de bancar suas vidas, sem necessidade do sacrifício enorme de tantos outros.
Não existe imagem mais triste ou deprimente que o velho folião bailando na turba, esse personagem preferido de muitas reportagens apelativas – senhores e senhoras de 60, 70 ou 80 anos, ridiculamente fantasiados, arriscando passinhos temerários e jurando às câmeras serem os mais felizes seres do planeta, ao menos naquele momento.
Não entendam mal, por favor, festa e alegria são muito bem vindos em nossas vidas, mas com responsabilidade, conteúdo, motivo, e principalmente, que não nos afastem da nossa consciência e senso de decência.
Sim, quem não participou de alguma festa de carnaval nesse Brasil, mesmo sem entender? Porém não significa isso que devamos envelhecer no mesmo caminho, há famílias que se reúnem nesse feriado e fazem suas festas particulares aproveitando a folga compulsória, não há mal nisso, não se critica a festa em si, somente o comportamento tresloucado de muitos.
Acidentes, homicídios, brigas, gravidez irresponsável e sem responsáveis, estupros, comas alcoólicos, drogas, sombras … são o produto da nossa maior aglomeração pública – Se isso é motivo de orgulho, não é possível dizer o quê seria vergonha .
Se não é possível abolir o carnaval nesses moldes ruins, pelo menos, pode-se evitá-lo, tirar o tempo livre para ler, estudar, orar, pular essa época enquanto outros insistem em pular brincando para o abismo.
(Olisomar Pires – Olisoblog.com)