Dólar recua e fecha a R$ 3,962, menor cotação do ano
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2016 às 04:55 | Atualizado há 10 anosSÃO PAULO – O maior fluxo de recursos para o país ajudou o dólar comercial a iniciar fevereiro em queda e abaixo dos R$ 4. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,960 na compra e a R$ 3,962 na venda, um recuo de 1,51% ante o real. Esse é o menor valor desde 30 de dezembro, quando a divisa encerrou o ano a R$ 3,95. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após operar em queda por todo o pregão, ganhou força no final e subiu 0,41%, aos 40.570 pontos.
Na mínima do pregão a divisa chegou a R$ 3,961. Na avaliação de Tarcísio, diretor de câmbio do Banco Paulista, a queda é um movimento de correção, após a alta do mês passado – em janeiro, o dólar comercial subiu 1,84%. A ausência de notícias negativas ajuda na apreciação do real e o maior fluxo de recursos para o país contribuíram para esse movimento – a balança comercial teve o primeiro saldo positivo para o mês em cinco anos. Há ainda um movimento destinado ao mercado financeiro. Com juros negativos no Japão, parte dos investidores está procurando mercados em que a remuneração é maior, em um movimento conhecido como “carry trade”.
— Não há nada comprometedor no cenário externo ou interno, então é natural que o mercado se ajuste. Ainda assim, não dá para dizer que a tendência de alta foi revertida. Os agentes vão operar muito em cima dos acontecimentos e nessa semana o Legislativo retoma os trabalhos — avaliou.
A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional, as investigações de corrupção no âmbito da Lava Jato e as repercussões em relação à economia chinesa estarão no radar dos investidores nos próximos dias.
“A valorização do real hoje, esteve associada ao forte fluxo de ingresso de recurso no país, pela via financeira, destinado ao mercado de renda fixa”, avaliou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, citando os juros negativos no Japão com o motivo para esse fluxo.
O dólar perde força desde sexta-feira, quando foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado.
GOL DISPARA MAIS DE 50%
Após a alta de 4,60% no Ibovespa na sexta-feira, os investidores aproveitaram a ausência de notícias para embolsar parte dos ganhos. Esse movimento durou todo o pregão, mas na hora final de negociação alguns papéis reagiram e levaram o Ibovespa para o terreno positivo. O gerente de renda variável da corretora H.Commcor, Ari Santos, lembra que os dados da China e a queda do preço do petróleo no mercado internacional voltaram a pressionar – o do tipo Brent recuava 5,28%, a US$ 34,09 o barril, no encerramento dos negócios na Bolsa brasileira.
— Na semana passada o petróleo deu uma trégua, mas o óleo voltou a ter perdas. E teve os dados negativos na China durante a madrugada, que realimentam a preocupação com o ritmo da desaceleração — disse.
Em meio a esse cenário, as ações preferencias (PNs, sem direito a voto) da Petrobras fecharam em queda de operam em queda de 2,47%, cotadas a R$ 4,72, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram recuo de 5,05%, a R$ 6,58.
Já as ações da Gol, que estão fora do Ibovespa, dispararam com a possibilidade de aumento da participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras – o limite atual é de 20%. Os papéis tiveram alta de 50,32%, a R$ 2,30. O baixo valor da ação também contribui para a variação expressiva. Na sexta-feira, o papel já havia subido 27,50%.
De acordo com reportagem do Valor Econômico, o governo estaria estudando facultar ao executivo a possibilidade de até 100% de uma empresa aérea pertencer a capital estrangeiro. O projeto de lei em vigor no Congresso Nacional sugere a ampliação para 49%.
Além disso, a empresa apresentou crescimento de 2,3% na receita por passageiro no quarto trimestre de 2015, segundo dados operacionais apresentados nesta segunda-feira pela companhia aérea.
As ações de siderúrgicas registraram forte alta. As da Usiminas avançaram 12,94% e as da Gerdau 11,65%.
Também operaram em alta as ações da Hypermercas, que na sexta-feira anunciou a venda de sua divisão de preservativos por R$ 675 milhões para a Reckitt Benckiser. A alta foi de 5,59%.
No exterior, os principais índices do mercado acionário também estão em queda. O DAX, de Frankfurt, fechou em queda de 0,41%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 0,56%. Já o FTSE 100, de Londres, registrou variação negativa de 0,39%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones tem leve alta de 0,20% e o S&P 500 leve variação negativa de 0,06%.