Cotidiano

Chegou a semana da festa mais polêmica do ano

Redação DM

Publicado em 31 de janeiro de 2016 às 22:54 | Atualizado há 1 ano

Todos os anos milhões de turistas chegam ao Brasil para participar da festa que começou no período colonial. O carnaval se tornou tradição cultural e mercadológica.

Mas apesar de ser apreciado por muitos, em todo o mundo, há quem não curta a festança de tradição histórica.

De acordo com historiadores uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, festa de origem portuguesa, praticada pelos escravos na colônia que, no final do século 19, deram origem aos cordões e ranchos que se transformaram nas escolas de samba da atualidade a partir do desenvolvimento dos cordões e ranchos.

Os quais eram festejados com similar estética das procissões religiosas com manifestações populares, como a capoeira e tocadores de grandes bumbos.

Mas foi ao longo do século 20, que o carnaval se popularizou no Brasil dando uma diversidade de formas de realização, tanto entre a classe dominante como entre as classes populares.

“O carnaval é um encontro onde o ser humano em suas manifestações culturais e populares se encontram em confraternização e buscam esquecer as tristezas e acumulam disposição para o resto do ano.

Essa festa que faz parte do calendário mundial em nenhum outro país ganha a dimensão e a grandeza que se ganhou no Brasil, justamente por essa mistura entre negros, índios e nossos colonizadores”, define o titular da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult), Ivanor Florêncio Mendonça.

Capital

De acordo com o secretário da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult) Ivanor Florêncio Mendonça Goiânia é uma cidade que parece pequena, mas é uma metrópole brasileira e por isso não pode ficar de fora do calendário mundial das manifestações carnavalescas. Ele observa que a folia do Carnaval 2016 será festejada no mercado da Vila Nova, não mais no mercado da Rua 74.

“Para as pessoas que optarem ficar e comemorar o carnaval em Goiânia nós vamos contar com as marchinhas, com bandas locais que será apresentada no mercado. As festividades estão previstas para começar a partir do dia 30 de janeiro e se encerrarão na terça-feira dia 9 de fevereiro”, descreve.

Ele menciona que a grande programação que contará com os desfiles das escolas de samba, que ocorrerá na Praça do Trabalhador, acontecerá nos dias 8 e 9 de fevereiro. Esse ano quatro escolas de samba participarão do desfile oficial e contarão ainda com a apresentação de oito blocos carnavalesco. Onde será feito um encontro de blocos na frente do Grande Hotel na Rua 3 com a Goiás no próximo dia 5 de fevereiro.

“A organização está sendo promovida pela prefeitura de Goiânia, através da Secretaria Municipal de Cultura. Convidamos toda a sociedade para participar dessa festividade na Praça do Trabalhador, na Antiga Estação Ferroviária, onde será montado palco, arquibancada e contaremos com o apoio da Polícia Militar do Estado de Goiás e Guarda Civil Metropolitana. Os quais sempre podem contar evitando qualquer tipo de violência possibilitando com que a família festeje em segurança o carnal”.

 

Eles não gostam. E agora?

A jornalista Raema de Castro Alves Ferreira, 25 anos, considera que as festividades para comemorar o Carnaval, realizadas no interior costumam ser mais interessantes que as programações dos grandes centros. No entanto, o festejo não lhe agrada porque considera pouco proveitoso participar do frevo que, em sua opinião, é regado de bebidas e comportamento tendentes a violência.

“Não gosto do carnaval porque é uma festa que não me atrai. Nos dias em que é comemorado não costumo sair de casa porque considero que a cidade fica mais propensa a violência devido o comportamento de pessoas que bebem e perdem o limite de como se comportar em grupos e até mesmo no trânsito”. Para o carnaval de 2016 Raema planeja ficar em casa, curtir a família e ver bons filmes.

O impressor, Márcio Antônio Borges, 50 anos, também tem seus motivos para não aprovar o frevo e é fatídico ao afirmar que tem pouco apreço pelo Carnaval. Comportamento que considera ter adquirido de acordo com os costumes da família. “Para mim o carnaval tem tudo de ruim, não gosto, a folia, a bebedeira, farra demais não combina comigo”, define.

Além desses fatores ele considera a comemoração um período do ano que o deixa depressivo. “Não tenho nada contra as pessoas que gosta da festividade, mas para mim essa é uma ocasião festiva que deveria ser tirada do calendário que não fará diferença para mim e minha família”, descreve.

Ele considera que a cisma com a manifestação carnavalesca estaria relacionada com os costumes passados de pai para filho. “Nunca participei do carnaval devido meus pais não gostarem, assim aprendi, da mesma forma, meus filhos também não participam dessa folia que para mim simboliza bebida, sexo e uso drogas”, considera.

A assistente financeira, Cleidiane Rodrigues Amorim Padilha, 38 anos, não está sozinha na lista de goianienses que não curtem o Carnaval. Ela considera o grande divertimento período em que ocorrem, inevitavelmente, arruaças e leviandades nas ruas da cidade.

“Carnaval é sempre um tempo de muita bagunça nas ruas, brigas por conta de bebidas, drogas, imprudência no transito, estradas, enfim, vidas que são afetadas por pessoas que acham que tem liberdade para fazer o que não deveriam só porque é Carnaval. E na maioria das vezes fazem coisas que se arrependem depois com consequências para se próprias”, expõe.

Cleidiane acrescenta que como o próprio nome sugere o Carnaval simboliza a festa da carne, o que em sua opinião é marcado por exposição explicita do corpo, ebriedade e até mesmo orgias, o que acaba por leva-la, junto com a família, a preferir outras atividades na data em que é celebrada a festança.

“Não comemoramos nem pulamos carnaval, para nós é um feriado para descansar e aproveitar o aconchego do lar em paz. Costumamos nos reunir em família para descansar do trabalho secular e na maioria das vezes participarmos de eventos cristãos”, cita.

 

Opção para quem não curte

Para as pessoas que não curtem participar do carnal o secretário da Secult, Ivanor Florêncio recomenda a visita aos mais de 40 parques espalhados pela capital, bem como a visita ao Museu de Arte de Goiânia, localizado no Bosques dos Buritis; o zoológico, Parque Mutirama, um dos maiores parques do mundo.


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