Fórum Social Mundial
Redação DM
Publicado em 31 de janeiro de 2016 às 22:29 | Atualizado há 10 anosQuinze anos de construção da paz, democracia, direitos dos povos e do planeta
Viva o Fórum Social Mundial há quinze anos reunindo gente boa gente do Brasil rural e urbano e do mundo. Todos/as para a construção de uma sociedade sem explorados e sem exploradores. Construir juntos um mundo de paz, democracia, direitos humanos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais para e com todos os povos do norte e do sul, oriente e ocidente com todas suas diversidades, etnias, cores, origens. E raças negras, brancas, amarelas, vermelhas presentes neste planeta terra, água, da humanidade caminhante e esperançosa de Deus, dará. Dará principalmente para os mais pobres, excluídos, marginalizados, condenados. E migrantes e refugiados face guerras, ocupações, invasões e dominações e mortes matadas. E mortes em vida de crianças, jovens, mulheres, homens, idosos sem eiras e sem beiras. Sem vozes e vezes vivendo em círculos de giz como os condenados da terra. E das cidades contemporâneas sem luzes, sem tetos e sem esperanças de um mundo melhor para si e para sua família. E que família? Os jornais e televisões e mesmo as internets estão mais uma vez divulgando que metade da riqueza do mundo está nas mãos de cem pessoas/famílias/grupos/corporações? Dominam terras e cidades? Falam de muitos impostos? E nada falam sobre as sonegações e evasões fiscais? Usam de propinas para corromper e crescer as fatias dos bolos feitos com o suor, força bruta e tecnológica face acumulação selvagem aqui e alhures. Em Porto Alegre temos o Fórum Social Mundial e em Davos temos o Fórum Econômico dos países mais ricos. E inclusive o Brasil, demonstrando que muitas vezes temos governos mas não temos o poder efetivo para realizar os históricos objetivos e compromissos de reformas básicas. E de mudanças sociais, culturais, econômicas, sustentáveis e ambientais para nosso planeta. E para tanto é preciso que passados os primeiros quinze anos do século XXI com duas demonstrações. São de que foram para demonstrações fragmentadas mundiais, sítios e neocolonialismos. E assim contrapondos às insurreições, primaveras, revoluções. No geral tivemos muitos avanços sociais, mas continuam as concentrações de poderes e dinheiros, ações, bens, paraísos fiscais, sonegações, intolerâncias, propinas, narcotráficos. E mais violências contra jovens negros, migrações forçadas e assim transferidas para os países emergentes e pobres, mais desempregos, inflações e impunidades. E mais ainda mídias manipuladoras? E espionagens sobre países, governos que recebem impactos das mudanças climáticas e as concentrações de riquezas nas mãos de poucos barões assinalados, mas não presos.
Assim o Fórum Social Mundial debulha milhões de grãos sem mãossantas revigorando o mundo das desigualdades sociais. É muito pouco para o mundo da democracia, dignidade, diversidade, educação popular, universidade, escola, saber. E para os sabores populares na produção e consumos conscientes? E mais para tolerâncias políticas e religiosas e proteções da defesa civil. É uma crise da cultura e civilização? E os direitos humanos? E a diversidade, pluralidade, desenvolvimento sustentável? E os golpismos? E a resistência política? E a luta de imprensa alternativa, blogs, redes sociais, internets? E as manifestações sociais, com articulações? E conexões locais, nacionais e internacionais para ações mais democráticas, participativas, solidarias com marchas, pressões, denúncias? E mais lutas e conquistas perto e longe de nossas casas comuns? Ecologia social?
É diante desta realidade social brasileira, latina e mundial que nós devemos pregar e fazer acontecer processos de conscientização, organização e ação. E sempre lutas por uma sociedade de paz, justiça, equidade. E assim mais democratizada, livre e libertadora e com uma horizontalidade na igualdade. E com solidariedade entre todos homens, mulheres, famílias, tribos, comunidades rurais e urbanas, suburbanas sem fronteiras. E sem intolerâncias, ódios, fomes, misérias. E mais sem migrações forçadas. Sem cercas de arames farpados aqui e nos campos refugiados europeus que um dia invadiram áfricas, américas. E assim mais paz nos orientes próximos e longes de nós. Isto para termos sortes, oportunidades, chances de vida e de satisfazer necessidades, esperanças e aspirações a um viver. E bem viver e melhor conviver de norte a sul. Renovar e refundar utopias. Descobrir outros caminhos de participação para satisfação material, cultural e espiritual de todos os seres humanos, inumanos, divinos. Refletir sobre situações difíceis, dolorosas, injustiças, ganâncias, corrupções, ditaduras. E sobre as concentrações de poderes, riquezas, bens, privilégios de uns sobre milhões. Precisamos agir e romper círculos, cercas, muros virtuais, reais. E enquanto caem muros e cortinas em alguns países, outros fazem muros entre palestinos e judeus, entre méxicos e estados unidos e entre hungrias e sírios? Entre os golpismos, ajustes, bolsas, especulações? E de outros lados surgem desempregados e refugiados. E que querem direitos, direitos de ter direitos. Direitos universais plurais, diversos, dignos da humanidade de Deus. Um outro mundo é possível e desejável para o planeta azul, terra, água, humanos, divinos. Existem ações nos centros e nas periferias, nas escolas, nas universidades, nas centrais e movimentos sociais e culturais acima e abaixo do equador? E assim vencer as ideologias do medo. E das intolerâncias políticas e religiosas. Convergir, divergir, superar, cooperar, democratizar, partilhar. E sempre ver, julgar, agir. Tudo para ultrapassarmos as dominações pequenas e grandes dentro de nós mesmos, dentre os outros e até nos desconhecidos. E um dia podermos ver e viver amanheceres cheios de realizações. E muitos confortos, artes, pãos, saberes, amores, cheiros, vestires, habitares. E produzires e repartires. E leres e escreveres. E andares. E sempre caminharem consigo e com os outros participantes dos sonhos de um mundo realmente do ter e ser novos. Isso é possível agora nesta virada de século e milênio. Um dia virá, sim virá, se começarmos agora nos grupos, comunidades, povos, igrejas, mídias, partidos, empreendimentos. E nas escolas, universidades, comissões, comitês, movimentos, conferências, conselhos, com aprendizagens. E com mais conhecimentos, ciências, crenças. E mais idéias livres e libertadoras por que um outro mundo é possível nos cerrados, florestas. E nos rios, mares, cidades, savanas, metrópoles, parques, vias, acessos a este mundo planetário. E quem sabe a outros se Deus quiser. Oxalá.
(Pedro Wilson Guimarães., secretário de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas de Goiânia, presidente de Honra da Anamma, presidente da Amma/Goiânia 2013/2015, secretário do Ministério do Meio Ambiente2012/2013, prefeito e vereador de Goiânia, deputado federal de 1993-2011 PT/GO, professor da UFG e da PUC-Goiás, militante dos Movimentos de Fé e Política, Educação, Cerrados. E-mail: [email protected])