Reinventar
Redação DM
Publicado em 29 de janeiro de 2016 às 22:42 | Atualizado há 10 anos
O grande mestre Darcy Ribeiro cunhou essa expressão no conceito de se reinventar um novo Brasil aposto do país de nossas elites.
Para isso, é importante constatar que os jovens contemporâneos desconhecem a história do Brasil e consequentemente a sua própria existência.
Os subsídios que lhe são ministrados, ou que por ventura tiveram acesso, vieram através das escolas desonestas que temos e pelas universidades elitistas divorciadas dos fatos pátrios. A história oficial é cheia de embustes, com pérfidos heróis, em doutrinas alienantes de engessamento social.
Uma das coisas que deve ser ponderada e reinventada no Brasil é o papel das entidades estudantis que se divorciaram litigiosamente da realidade tupiniquim.
A cooptação e o aburguesamento destas importantes entidades como UNE e UBES são os sintomas mais perversos do empobrecimento político Nacional e a estagnação da luta por uma educação honesta.
Sim, as grandes mudanças e lutas que fizeram a sociedade progredir sempre contou com as digitais inconfundíveis da juventude Brasileira, em especial os estudantes.
Urgente se faz a crítica e um novo modo de se engajar a juventude para lutar pelas grandes causas. Hoje, a descrença na política reflete incondicionalmente em seu envelhecimento oriundo na falta de renovação, e na mediocridade de quadros que se veem hoje nos parlamentos e nos executivos.
O Movimento Estudantil sempre fora um celeiro de debates e de gerador qualificado de quadros que contribuíram com nossa política.
Entretanto, a prática perversa do estudante profissional que atua com os vícios mais predatórios da já encanecida política, tem afastado a juventude das lutas, o que conjectura a falta de representatividade destas entidades.
Voltar-se às bases, numa autêntica representatividade das lutas diárias dos estudantes, com uma proposta eficiente de uma mudança de paradigma educacional, baseada numa educação de afirmação de nossa soberania Nacional, embutida no desenvolvimento humano e tecnológico de valorização do capital humano é uma boa causa de lutas.
Edificar pontes que ultrapassem o abismo que separa o grande debate político das salas de aula, compreendendo que os protagonistas das mudanças são os verdadeiros estudantes é uma mudança necessária.
Desprofissionalizar as entidades estudantis que funcionam como empresas capitalistas sem lastro com suas origens é imperativo para se resgatar a juventude para a política.
No seio da juventude, o poder da indignação, a sede por justiça social, a construção social da pátria sempre foi norte das entidades estudantis.
Infelizmente essas entidades caíram na armadilha do imobilismo, do abandono dos ideais, do aburguesamento, e do elitismo.
Tratam a juventude brasileira como meras massas de manobras na manutenção do aparelho que os mantém.
O aparelhamento, associado aos vícios da velha política, tem feito da UNE e da UBES entidades apenas auxiliares de seus, hoje patrões.
A perda do protagonismo histórico, da sua importância na luta de uma sociedade e de uma educação efetivamente honesta, tem contribuído para o empobrecimento e alienação de toda uma geração.
De fato é preciso reinventar uma nova UNE e UBES.
(Henrique Matthiesen, bacharel em Direito)