Petróleo atinge maior valor em 3 semanas, impulsionando ação da Petrobras
Redação DM
Publicado em 27 de janeiro de 2016 às 23:35 | Atualizado há 10 anosRIO – O dólar comercial, que abriu em alta, zerou seus ganhos no fim da manhã desta quinta-feira e opera estável contra o real. A divisa é negociada a R$ 4,083 na compra e a R$ 4,085 na venda. Na máxima, chegou a atingir R$ 4,124. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, passou a subir 0,31%, aos 38.495 pontos. Mais uma vez, a alta do petróleo impulsiona as ações da Petrobras, jogando a Bolsa para o campo positivo. Na véspera, a Bolsa registrou a maior alta do ano com a disparada dos papéis da estatal.
O barril de petróleo do tipo Brent sobe 4,86%, a US$ 34,71. Na máxima do dia, atingiu 35,84, o maior valor em três semanas. A commodity começou a subir depois que uma agência de notícias russa publicou declarações do ministro do Petróleo do país, Alexander Novak, dizendo que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sugeriu um corte de 5% da produção, a ser discutido em um encontro em fevereiro.
Após disparar quase 10% na quarta, a Petrobras ON (com direito a voto) opera em alta de 2,14% (R$ 6,67), enquanto a PN (sem voto) avança 3,06% (R$ 4,71). A PN chegou a disparar 12,25% no começo da tarde, após a subida do petróleo.
Em , a Petrobras confirmou que serão extintos 30% dos cargos gerenciais (hoje, segundo a companhia, são 7.500 funcionários em cargos de gerência). O plano de reestruturação interna da Petrobras, aprovado na quarta pelo Conselho de Administração, permitirá uma redução de R$ 1,8 bilhão nos gastos da companhia por ano. Além disso, a proposta prevê a extinção da diretoria de Gás e Energia foi extinta e a transferência de suas atividades para a diretoria de Abastecimento. Cargos gerenciais serão extintos, com a redução de gratificações. A diretoria de Abastecimento passará a se chamar de Refino e Gás.
JUROS FUTUROS CAEM REAGINDO À ATA DO BC
Na agenda doméstica, os investidores repercutem . No documento, o órgão explica o que o levou a manter a taxa básica de juros (Selic) estável em 14,25% ao ano, decisão que surpreendeu economistas e levantou suspeitas no mercado financeiro de influência política no BC.
Na ata, o BC alegou que cresceram as incertezas no cenário externo por causa do desemprego na China e queda do preço do petróleo para não aumentar a taxa de juros no Brasil num ambiente de inflação crescente. Mesmo assim, mantém o compromisso de inflação abaixo do teto da meta neste ano (6,5%) e no centro do objetivo (4,5%) em 2017.
A decisão de manter os juros inalterados não foi unânime segundo a ata. Seis diretores do BC votaram pela estabilidade, mas dois integrantes do comitê queriam alta dos juros para ancorar as expectativas de inflação que influenciam diretamente os preços no futuro.
A ata foi interpretada por economistas do mercado financeiro como a confirmação de que BC tem pouca disposição para subir juros. Isso se reflete hoje na queda das taxas dos contratos de juros futuro, que mostram a expectativa do mercado para a Selic. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2017 cai 14 pontos-base, para 14,56%, enquanto o com o prazo de janeiro de 2021 recua nove pontos-base, a 16,35%.
— A ata foi negativa aos olhos do mercado financeiro. Me pareceu muito leniente com a inflação. Há uma certa pressa, por parte do governo, em voltar a crescer, o que eu acho que acontece por causa do calendário eleitoral — Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho — Repercutiram mal também os dados fiscais, que, embora não sejam uma surpresa, vieram piores que o esperado.
O Ministério da Fazenda. Ele significa que a equipe econômica não conseguiu poupar nenhum centavo para pagar juros da dívida pública no ano passado. Em 2014, também houve rombo nas contas, mas o número foi menor, de R$ 17,2 bilhões.
BOLSAS EUROPEIAS EM BAIXA
Nos mercados europeus, as Bolsas caem com resultados corporativos decepcionantes. O índice de referência do continente, o Euro Stoxx 50, recua 1,53%, enquanto a Bolsa de Londres opera em baixa de 0,71%. Em Paris, a baixa é de 0,99%, e em Frankfurt, de 1,43%.
A Vale, que também subiu com força na véspera, cai 0,53% (ON, a R$ 9,36) e 0,69% (R$ 7,13).
Entre os bancos, o Banco do Brasil ON sobe 0,62% (R$ 12,78), enquanto o Itaú Unibanco PN cai 0,08% (R$ 23,66). Já o Bradesco PN cai 0,28% (R$ 17,32). O banco informou hoje que registou em 2015 lucro líquido de R$ 17,180 bilhões, crescimento de 13,9% em relação ao registrado no ano passado. O crescimento foi possível devido aos maiores ganhos proporcionado pela intermediação financeira, ou seja, pelo efeito dos juros mais elevados, uma vez que a carteira de crédito avançou apenas 4,2% no período – para 2016, a instituição prevê que o total de empréstimos cresça entre 1% e 5%.