“Iris já está no 2º turno em Goiânia”
Redação DM
Publicado em 15 de janeiro de 2016 às 22:49 | Atualizado há 10 anos
O experiente político Vilmar Rocha já decidiu: só disputará as eleições e 2018 se for para senador ou governador. Ele descarta concorrer a vice-governador, deputado federal e estadual. Natural de Niquelândia, é professor aposentado da UFG. Atual secretário de Cidades e Meio Ambiente do governo Marconi, Vilmar exerce a presidência estadual do PSD. No governo anterior, foi chefe da Casa Civil. Já foi do PDS, PFL e agora PSD.
Depois de exercer dois mandatos de deputado estadual e cinco de deputado federal, Vilmar Rocha disputou a sua primeira eleição majoritária: a de senador da República, em 2014: obteve um milhão, 12 mil, 496 votos, mas não se elegeu.
Vilmar Rocha diz que a base do governador Marconi Perillo não tem candidatura natural para 2018 – nem de governador nem de senador. “Quem tiver a intenção de concorrer a cargo majoritário, pela base aliada, terá que construir o seu projeto, pois não há candidatura natural.”
O dirigente assegura que o PSD vai lançar candidato próprio à prefeitura de Goiânia, nas eleições deste ano. Dois nomes colocaram seus nomes à disposição do partido: deputados estaduais Virmondes Cruvinel Filho e Francisco Júnior. Ele descarta o PSD indicar o vice-prefeito na chapa do PSDB.
Vilmar Rocha reafirma o ponto de vista: o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) é o favorito para a sucessão do prefeito Paulo Garcia e já tem lugar assegurado no segundo turno da disputa eleitoral. “Neste atual quadro político-eleitoral de Goiânia, Iris Rezende é um dos nomes que estará no segundo turno. Ele tem uma boa base eleitoral na Capital.”
O presidente estadual do PSD acredita que o governador Marconi Perillo (PSDB) reúne todos os predicados para ocupar espaço no cenário político nacional, podendo disputar a presidência ou a vice-presidência da República. “É importante para Goiás ter um nome de expressão nacional.”
Veja a entrevista
Diário da Manhã – Qual a pespectiva do PSD em relação às eleições municipais deste ano em Goiás?
Vilmar Rocha – Estamos trabalhando para consolidar o PSD no Estado. O partido é novo, tem cinco anos de existência, já que foi fundado em 2011. Tivemos um bom desempenho na eleição de 2012, em terceiro lugar em número de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Agora, queremos consolidar e ampliar essa base nas eleições deste ano. Temos hoje 122 pré-candidatos a prefeito e centenas de pré-candidatos a vereador.
Diário da Manhã – O PSDB integra a base aliada do governo Marconi. Então, a preferência, por alianças, no interior, é por partidos governistas?
Vilmar Rocha – É natural que o partido procura se aliar com aquele que está mais próximo e se identifica política e ideologicamente com a gente. Portanto, as alianças que o PSD fará vai ser com os partidos da nossa base. Há, entretanto, uma decisão: a de dar plena autonomia aos diretórios municipais para escolher as suas alianças. Dou um exemplo: na eleição passada, na cidade de Goiás, o PSD fez aliança com o PT, lançando o vice da atual prefeita. Portanto, não haverá intervenção do diretório estadual nas decisões a serem tomadas pelo partido nos municípios.
Diário da Manhã – Nas 10 maiores cidades do Estado, a expectativa do PSD é manter, por exemplo, as prefeituras de Rio Verde, Luziânia e Formosa?
Vilmar Rocha – O PSD tem pré-candidato a prefeito de Rio Verde, o deputado federal Heuler Cruvinel e a ele vamos dar todo o apoio. As pesquisas que temos acesso, hoje, mostram que Heuler Cruvinel é o preferido da população rioverdense para ser o próximo prefeito. Vivemos, assim, a expectativa de manter a prefeitura de Rio Verde. Os prefeitos de Luziânia e de Formosa são candidatos à reeleição e vamos apoiá-los.
Diário da Manhã – Em Goiânia, o PSD tem dois pré-candidatos a prefeito. O partido vai ter candidato ou vai aceitar a vice do PSDB, a exemplo do que ocorreu em 2012, quando apoiou Jovair Arantes (PTB)?
Vilmar Rocha – Pedi aos pré-candidatos Virmondes Cruvinel Filho e Francisco Júnior que encontrassem uma fórmula para buscar o consenso partidário. Eles prometeram dar uma resposta até o final de fevereiro ou início de março. O PSD está decidido a ter candidato próprio a prefeito de Goiânia. Por que? O partido tem um bom tempo na propaganda política de rádio e televisão, uma boa nominata de candidatos a vereador r bons pré-candidatos a prefeito.
Diário da Manhã – Insisto: está descartada a possibilidade de o PSD indicar o candidato a vice-prefeito na chapa do PSDB?
Vilmar Rocha – Não existe essa possibilidade, pois iremos lançar candidato próprio a prefeito.
Diário da Manhã – O que acha da tese de que, a base aliada, com múltiplas candidaturas, permitiria vitória do PMDB com Iris Rezende já no primeiro turno?
Vilmar Rocha – Não. Eu acredito é o contrário dessa tese: cada eleição tem características diferentes e perfis diferentes. No caso da eleição agora, entendo que a estratégia da base aliada ter mais de dois candidatos favorece, é melhor, pois garante a realização do segundo turno e aí sim poderemos fazer uma ampla aliança e alcançar a vitória. É natural e salutar que os partidos da base queira se afirmar, fixar posições, apresentar ideias e projetos, com a apresentação de candidaturas próprias.
Diário da Manhã – A sua declaração ao DM de que Iris Rezende é favorito para a disputa à prefeitura de Goiânia causou alvoroço na base aliada. O senhor acha possível reverter essa posição privilegiada do líder do PMDB?
Vilmar Rocha – Quero reafirmar o que disse: o ex-prefeito Iris Rezende, neste atual quadro político-eleitoral de Goiânia, é um dos nomes que estará no segundo turno. Ele tem uma boa base eleitoral na Capital. Quer um exemplo disso? Na última eleição de 2014, Iris Rezende ganhou a eleição em Goiânia no primeiro e no segundo turno, o que prova a expressão eleitoral dele.
Diário da Manhã – Qual será o seu projeto para 2018?
Vilmar Rocha – Já disse e reafirmo: o meu projeto para 2018 é disputar uma eleição majoritária, ou seja, de senador ou governador. Fora daí, não serei candidato. Nem a vice-governador. Não penso mais em disputar mandato proporcional, ou seja, de deputado federal ou estadual.
Diário da Manhã – O vice-governador José Eliton surge como o nome natural na base aliada para disputar a sucessão estadual de 2018. O senhor pensa assim?
Vilmar Rocha – A base do governador Marconi Perillo não tem candidato natural para a sucessão estadual de 2018. Em 2014, sim, o governador Marconi Perillo, pela sua história, era o candidato natural à reeleição. Não é natural inclusive a minha, para senador. Eu poderia dizer: fui candidato a senador em 2014, tive mais de um milhão de votos, bom desempenho, serão duas vagas, então sou candidato natural a senador em 2018. Não acredito nisso. Tenho que construir esse projeto eleitoral. Portanto, na base aliada, não tem candidato natural nem a governador nem a senador. Quem desejar se candidatar a cargo majoritário, pela base aliada, terá que construir esse projeto.
Diário da Manhã – O ministro Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, vai trabalhar pela filiação ao partido do governador Marconi Perillo e lançá-lo à sucessão presidencial?
Vilmar Rocha – A sucessão presidencial está muito indefinida ainda. É preciso aguardar o desfecho do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A sucessão de 2018, tanto para governador quanto para presidente da República, só vai começar a ser debatida a partir de 2017. Tudo o que se falar agora é mera especulação. Talvez tenha sido um dos primeiros a defender a tese que o governador Marconi Perillo deve buscar espaço no cenário político nacional, candidatando-se a presidente, vice-presidente da República. É importante para Goiás ter um nome de expressão nacional. Iris Rezende Machado, de certa forma, conseguiu isso, pois foi ministro várias vezes, indicou ministros, foi pré-candidato a presidente da República na convenção do PMDB. Iris procurou ocupar espaço na política nacional. O único nome que temos hoje capaz de ocupar o espaço político em nível nacional é o do governador Marconi Perillo. Nós, do PSD, estamos absolutamente solitários com esse projeto. Eu tenho um pensamento e já disse ao governador: a presidência da República não é projeto, é destino. Quem tem esse projeto poderá trabalhar por ele, mas sem ansiedade. Digo destino no sentido de o momento ser favorável, os astros se alinharem a favor de uma candidatura. Isso está escrito em um dos maiores tratados de ciência política, que é o livro “O Príncipe”, de Maquiavel, escrito em 1513, há mais de quinhentos anos. Maquiavel disse ao Príncipe: ‘Para você chegar ao poder e manter-se no poder, é preciso duas condições: virtudes, qualificação e fortuna, sorte.” Maquiavel não colocou isso de forma mística, religiosa e sim que, muitas vezes, fatos e circunstâncias levam a inviabilizar uma candidatura ou a inviabilizá-la.
Diário da Manhã – A Operação Lava Jato chamuscou a imagem do PT, PP, PMDB, PSDB e outras legendas, e atingiu o curriculum de políticos como Lula, Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Fernando Collor, Aécio Neves e por aí afora. Como sair dessa lama da corrupção que tomou conta da política nacional?
Vilmar Rocha – Não tem nenhum político do PSD envolvido na Operação Lava Jato. É imprevisível o quadro eleitoral de 2018 em razão de tudo isso que está ocorrendo na política nacional. A gente sabe que há um enorme desgaste dos políticos e partidos junto à opinião pública. Uma coisa está visível: o PT foi atingido em cheio pela Operação Lava Jato. Muita gente fala na volta do Lula. Eu não acredito que ele vai ser candidato. E se for candidato, acredito que Lula vai perder as eleições. Um partido que, durante décadas, sustentou um discurso ético e, depois se ver envolvido em tantos escândalos como o PT, dificilmente será competitivo na próxima eleição presidencial.
FRASES
“O PSD está decidido a ter candidato próprio a prefeito de Goiânia. Temos dois nomes: Virmondes Cruvinel e Francisco Júnior”
“Governador Marconi Perillo vai ocupar espaço na política nacional, disputando a presidência ou vice-presidência da República. É importante para Goiás ter um nome de expressão nacional”
“A gente sabe que há um enorme desgaste dos políticos e partidos junto à opinião pública. Uma coisa está visível: o PT foi atingido em cheio pela Operação Lava Jato”