Fogo é controlado, mas fumaça se espalha pelo litoral de SP
Redação DM
Publicado em 15 de janeiro de 2016 às 00:05 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e o Corpo de Bombeiros ainda trabalham, nesta sexta-feira, no combate à fumaça tóxica que se espalhou após incêndio em . Por volta das 6h, ainda havia focos de fogo e fumaça no local, embora as chamas estejam bastante controladas. Segundo a Defesa Civil, o vento está soprando na direção sudoeste e levando a fumaça na direção do mar.
Segundo a Cetesb, um contêiner contendo ácido dicloro isocianúrico entrou em contato com água; essa reação gerou o incêndio e liberou uma nuvem tóxica que se espalhou pelo Porto de Santos. Além do Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande são atingidos pela fumaça que, segundo a Cetesb, possui pelo menos três elementos químicos já identificados nela. Entre os efeitos do gás, náuseas, vômito e coceiras na garganta.
Técnicos da companhia iniciaram nesta sexta-feira a coleta de água do estuário, para avaliar se foram causados danos à vida aquática e à qualidade do corpo d’água. “Em vistoria realizada por barco, pelo estuário, não foi identificada mortandade de organismos aquáticos”, informou a Cetesb.
Até o início da manhã desta sexta-feira, 76 pessoas procuraram atendimento em hospitais do Guarujá e 26 em Santos. As autoridades recomendam usar pano seco e máscara para evitar inalação do gás. Apenas uma mulher de 71 anos está internada em um pronto-socorro da Zona Leste de Santos. Ela, que tem histórico de asma, deu entrada com falta de ar. Seu estado de saúde é estável, mas ela continua internada para receber oxigênio e medicamentos. As outras pessoas que procuraram as unidades de saúde com dor de cabeça, náusea e dificuldade para respirar foram atendidas e liberadas.
O acesso ao Porto de Santos chegou a ser interrompido esta manhã, gerando uma longa fila de caminhões. Mas às 10h já estava liberado.
O tenente do Corpo de Bombeiros Rafael Marques disse que uma equipe está avaliando individualmente cada contêiner para acertar a estratégia de combate.
O trabalho é demorado porque cada contêiner contém materiais químicos diferentes e precisa ser combatido de diferentes maneiras.
O gás causa náusea, ardência nos olhos e irritação na pele. Moradora de Santos, na região do Canal 2, a escritora Adriana Ribeiro sentiu medo e cogitou vir para São Paulo e ficar na casa de parentes. – Entre 23h e meia noite, precisamos fechar as casas. Liguei o ar condicionado para filtrar o ar. Mal conseguia respirar. Era um cheiro muito forte, causou dor de cabeça forte. Eu quase fui para São Paulo para me “refugiar” na casa da minha irmã – conta Adriana.
A névoa passou depois da meia-noite, relata ela. – Visualmente, parecia uma neblina. Depois da meia noite, essa névoa passou, mas precisei dormir com o ar condicionado ligado. Hoje de manhã está tudo tranquilo – diz a moradora.