Cotidiano

Terrorismo: universidades do Rio defendem processo de contratação

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2016 às 05:06 | Atualizado há 11 anos

RIO – Diante a repercussão do caso do professor Adlène Hicheur, investigado pela Polícia Federal após ser condenado por associação ao terror na França, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF) defenderam ontem o modelo de isonomia que permite a contratação de professores estrangeiros para ministrarem cursos nas universidades brasileiras. A UFRJ, onde Hicheur dá aulas de Física, afirmou que não é atribuição da universidade deliberar sobre antecedentes criminais de professores. Segundo a UFRJ, “o ingresso de estrangeiros está condicionado às leis vigentes no país, e a situação do passaporte está subordinada à avaliação do Ministério da Justiça”.

De acordo com a universidade, o ingresso de Hicheur seguiu os trâmites habituais. A UFRJ explicou ainda que divulgou edital público para contratação de professor visitante, a inscrição do candidato seguiu os critérios em curso, e o Instituto de Física participou do edital apresentando proposta para contratação na área de Física de Partículas de Altas Energias, baseada na avaliação do currículo do candidato. A UFRJ lembra também que “para efetivar a contratação, um dos critérios exigidos é a apresentação de original e cópia do passaporte com visto”.

Já a UFF, em nota enviada ao GLOBO, afirmou defender o princípio constitucional da presunção da inocência e garantiu que é crucial estimular a presença de estrangeiros no seu corpo docente. Segundo o documento, a universidade tem uma política ativa de internacionalização, lembrando que “professores e alunos estrangeiros são e serão bem-vindos, e a UFF tem promovido políticas ativas no sentido de estimular a sua presença”.

A instituição afirmou que não checa os antecedentes dos docentes estrangeiros: “É ilegal, não cabe à universidade exercer papel de polícia”. Segundo a UFF, “o processo de contratação de professores visitantes é, na verdade, muito burocrático, e envolve os ministérios das Relações Exteriores e do Trabalho”. Do ponto de vista da universidade, “os únicos antecedentes que interessam são os acadêmicos”. A UFF garantiu que “não endossa por princípio a cultura da vigilância”.

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