Bumlai e Baiano mantêm divergências em acareação
Redação DM
Publicado em 14 de janeiro de 2016 às 04:36 | Atualizado há 11 anosCURITIBA e SÃO PAULO — O pecuarista José Carlos Bumlai e o lobista Fernando Baiano mantêm divergência sobre a reunião onde o ex-ministro Antonio Palocci teria pedido dinheiro à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). Em acareação nesta quinta-feira na Polícia Federal de Curitiba, Bumlai disse que nunca intermediou a reunião, como disse em delação o lobista. É a primeira vez que os dois, apontados como intermediadores no esquema de corrupção de propina da Petrobras, ficaram frente a frente.
— Foi uma acareação tranquila e rápida perto do que a gente esperava. As versões de ambos os depoentes foram mantidas. Ainda são versões contraditórias, algumas pequenas alterações que não mudam os fatos como eles aconteceram, mas em resumo é isso: estão mantidas as duas versões, sem novidades — afirmou o advogado Conrado de Almeida Prado, que defende o empresário.
O lobista Fernando Baiano saiu da acareação por volta das 18h e não quis falar com a imprensa. O advogado Sérgio Rieira, que representa o lobista, disse que Baiano manteve a sua versão;
— O Fernando manteve tudo que ele havia dito no termo de colaboração, termo de colaboração numero 13, e manteve a história. O próprio José Carlos Bumlai reconheceu algumas coisas pequenas, maiores detalhes eu não posso dar — afirmou.
Questionado se a reunião com o ex-ministro Palocci existiu, Riera foi taxativo ao afirma que sim, mas disse que não sabe se o pagamento à campamha de Dilma Rousseff foi feito:
— Aí o Fernando não tem como dizer pois não foi ele que fez qualquer pagamento.
Há pelo menos dois pontos de divergência entre a delação premiada do lobista e os depoimentos feitos por Bumlai à PF no ano passado. Além de saber se houve a reunião com Palocci para intermediar recursos a campanha petista em 2010, os dois deram versões diferente sobre um suposto repasse de R$ 2 milhões ao pecuarista. Os recursos, segundo Baiano, teriam sido usados para pagar uma dívida imobiliária de um apartamento de uma nora de Lula. Bumlai nega que tenha pago alguma dívida de familiares do ex-presidente.
— Essa questão (R$ 2 milhões para a nora de Lula) não foi abordada na acareação. A acareação abordou apenas se houve ou não a participação do Bumlai num suposto encontro de Palocci com Fernando Baiano e Paulo Roberto e a versão do Bumlai continua a mesma que já havia dado, que ele não arquitetou, não participou e não agendou essa reunião — afirmou Conrado de Almeida Prado.
Os dois serão ouvidos no inquérito que investiga o suposto pagamento de R$ 2 milhões à Palocci para abastecer a campanha presidencial do PT em 2010. O inquérito está em Curitiba desde março quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki remeteu as investigações para o juiz Sérgio Moro.
As suspeitas sobre Palocci no esquema de corrupção da Petrobras apareceram durante o depoimento, em delação premiada, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ele afirmou que, em 2010, o doleiro Alberto Youssef intermediou, em nome de Palocci, a propina para a campanha. Os valores viriam da cota do PP no esquema. O doleiro AlbertoYoussef negou que tenha intermediado a transação. Em depoimento a CPI da Petrobras, em maio, Youssef disse aos parlamentares que “um outro personagem” iria esclarecer o pagamento. Para PF, esse personagem é Baiano.
Desde o início das investigações, a defesa do ex-ministro Antonio Palocci vem negando as acusações. Em nota, reiteradamente, Lula negou qualquer tipo de envolvimento e de seus familiares em transações financeiras com Bumlai e Baiano.