Hora de decolar
Redação DM
Publicado em 14 de janeiro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 1 anoO paraíso para o atacante Wendell Lira, de apenas 27 anos, parece não ter fim. Ontem à tarde ele chegou de viagem no Aeroporto Santa Genoveva e foi recepcionado pela família e pela enorme torcida colorada.
Wendell Lira, que ganhou o prêmio Puskas pelo gol mais bonito do mundo em 2015, chegou por volta das 16 horas. Sua família estava bastante emocionada, principalmente sua mãe. Tinha até faixa para dar as boas-vindas ao camisa 11 do Tigrão. A torcida vilanovense cantava como se fosse um dia de jogo. Nas canções entoadas estavam as tradicionais músicas de estádio e provocações para o arquirrival Goiás, adversário de estreia do Vila Nova no Campeonato Goiano.
Estava previsto na programação um desfile do jogador no caminhão do Corpo de Bombeiros, porém com a forte chuva o itinerário foi modificado e Wendell Lira voltou de carro junto com presidente do Vila Nova, Guto Veronez. Eles foram diretamente para o Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA).
OBA
O time profissional do Vila estava treinando no período vespertino, como faz praticamente todos os dias, além de treinar na parte da manhã também. Já havia uma boa quantidade de pessoas acompanhando os trabalhos do treinador Márcio Fernandes, quando chegou uma multidão de repórteres e outros demais que acompanhavam o carro do presidente colorado e do artilheiro do gol mais bonito.
Havia muito tempo que a pequena sala de imprensa do Vila Nova não ficava tão lotada. Jornalistas de diversos veículos de comunicação, inclusive de outros Estados, estavam ali para conversar com Wendell. Ele entrou com o troféu nas mãos junto da filha pequena.
“Vão ter que gastar para tirá-lo”, afirma Guto

Depois que Wendell Lira foi indicado ao prêmio Puskas e venceu concorrentes como Messi, o mundo voltou os olhos para o contrato do jogador e para o Vila Nova. Por questões de sigilo previsto em contrato, o valor da multa de rescisão e o salário do jogador não podem ser divulgados.
Wendell declarou que foi procurado pelo Vila Nova antes mesmo de ser indicado ao prêmio Puskas da Fifa e o presidente do Vila Nova, Guto Veronez, afirmou em entrevista que Wendell tinha assinado um pré-contrato com o clube três dias antes da Fifa anunciar que ele iria concorrer ao prêmio.
Quando jogava pelo Goianésia, o salário do atacante girava em torno de R$ 3 mil a R$ 4 mil. Ele acertou suas bases contratuais com o Tigre antes de se tornar famoso, Wendell declarou recentemente que seu novo vencimento é “pouca coisa a mais”.
Os direitos econômicos de Wendell são 100% do Vila Nova. Correm boatos na boca do povo que a rescisão seria de R$ 50 mil. Fato desmentido por Guto: “longe disso! Bem mais! Vão ter que gastar pra tirar ele daqui”, comentou.
No Brasil, a regulamentação de contratos previsto em lei garante que os contratos normais podem chegar a ter multas rescisórias de duas mil vezes o valor do salário mensal do jogador. Se for esse o caso (o que não é confirmado, mas acredita-se que é), se algum clube quiser tirar Wendell Lira do OBA, teria que desembolsar R$10 milhões. Essa mesma lei de regulamentação contratual não prevê limite de teto no caso de clubes estrangeiros. Portanto, se algum clube do exterior quiser levar Wendell Lira, o valor de rescisão pode ser escolhido a bel prazer pela diretoria colorada.
Guto Veronez disse que não aumentou o valor do salário de Wendell apesar do prêmio, mas disse que haverá valorização para a Série B, como foi apalavrado. “Existe uma melhora (de salário) para a Série B e a gente sempre cumpre com nossos compromissos. Não podemos nos deslumbrar e nem prejudicar o atleta, nem o clube”, ressaltou.
Sobre o fato de haver propostas de clubes de fora, como da Europa, Ásia e com o mercado da China em alta, Guto garantiu que nenhuma proposta oficial chegou ao Vila Nova até o momento. Mas que ele teme sim, que haja a possibilidade de Wendell Lira nem estrear no Goianão. O jogador irá sentar com o diretor de futebol Hugo Jorge Bravo essa semana e discutir seu futuro. “Caso seja necessário uma valorização salarial, isso acontecerá naturalmente”, frisou Guto Veronez.
Quando perguntado o que o Vila poderia fazer para capitalizar este prêmio, o presidente foi sincero: “esse é um prêmio muito pessoal, ele disputou por outra agremiação e desde o início nós não fomos oportunistas, como muitos pensaram que fosse uma estratégia de marketing. O próprio Wendell já confirmou para vocês que o contrato foi feito antes disso tudo. É lógico que o Vila apareceu para o mundo, mas a gente não pode deslumbrar porque isso não traz título, não traz dinheiro. Nesse momento temos que ter pé no chão, assim como ele e trabalhar”, concluiu o mandatário vilanovense.
“Eu preciso muito do Vila”, admite Lira

Wendell Lira é um sorriso de orelha a orelha. Chegou na sala de imprensa para dar entrevistas com o troféu em mãos e uma postura confiante. Logo de cara na primeira pergunta já mostrou que o prêmio foi algo incrível, mas seu foco é o Vila Nova: “o ‘Puskas’ era muito importante, mas eu estava muito mais ansioso com a minha estreia pelo Vila”.
Verdade ou não, o jogador já vinha treinando desde 2015, muito antes da apresentação oficial do grupo. Wendell treinou com o sub-20 que se preparava para Copa São Paulo de Juniores para adquirir condição boa logo nos primeiros dias de 2016.
No momento do anúncio, Wendell ficou sem forças nas pernas para se levantar, “tentei segurar o choro, porque se chorasse não ia dar conta de falar”. Quando perguntado sobre a vitória em cima de Messi, ele foi humilde: “eu fiquei tão surpreso como vocês. Eu não posso descrever porque foi uma sensação que eu nunca senti na vida. Um momento maravilhoso foi o nascimento da minha filha, mas nesse momento eu não sabia o que pensar. O Messi é o único vencedor de 5 bolas de ouro”.
Sobre o que muda na carreira dele, o atacante acredita que vai aumentar a pressão em torno do seu desempenho, mas ele garante que está preparado. “Jogador de futebol vive de pressão, eu estou acostumado. Eu preciso muito do Vila e o Vila precisa de mim. Agora temos que focar nos treinamentos porque tem estreia dia 31”, comentou.
O atacante até pouco tempo passou pelo desemprego e na infância quase não se tornou jogador de futebol. “Quem nunca passou por uma situação de dificuldade? Eu passei minha vida inteira. Já tive problemas de saúde. Minha mãe me batia quando eu era mais novo para eu não jogar bola, pois eu tinha problemas de saúde. Apanhei até uns 12 anos. Consegui vencer muitos obstáculos, problemas de saúde, mesmo sendo pequeno e fraco”, se abriu. (N.N)