Pais reclamam de processo de seleção de alunos para o Colégio Pedro II
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 23:35 | Atualizado há 11 anosRIO — Problemas no processo de seleção de alunos para o Colégio Pedro II está provocando revolta entre pais e estudantes que tentam ingressar no Sexto Ano Fundamental e Primeira Série Ensino Médio, através do concurso administrado pelo Instituto Acesso Público. Os responsáveis relatam que houve atrasos na divulgação das notas, que o prazo para revisão de prova não foi respeitado e que algumas notas foram divulgadas sem que as correções fossem finalizadas.
De acordo com o primeiro edital do concurso, que seleciona 926 alunos para turmas nos campi de Realengo, São Cristóvão, Centro, Tijuca, Humaitá, Niterói, Duque de Caxias e Engenho Novo, a nota da redação era para ter saído em 24 de dezembro. No dia 29, foi divulgada uma retificação no cronograma, informando que as notas sairiam no dia 31. Finalmente, no dia 1º de janeiro, à noite, sábado, os graus foram disponibilizados, mas muitos candidatos notaram o aviso “sem correção” onde deveria estar a nota da redação. As crianças que não atingissem a nota de corte (que varia de acordo com a unidade) nas provas de português e matemática, eliminatórias, nem teriam suas redações avaliadas. Mas, segundo responsáveis ouvidos por O GLOBO, alunos com graus muito acima das notas de corte também não tiveram suas dissertações corrigidas ou apareciam simplesmente como “eliminados” no portal do Instituto Acesso Público.
— Muitos alunos que, no site do processo seletivo, apareciam como “eliminados” tinham notas superiores a alunos aprovados. Alguns até tinham até gabaritado as provas de português e matemática! Não havia uma justificativa para essa eliminação nem espelho das provas. Ficamos no escuro — reclamou Lúcia Martins, mãe de Ana Júlia, de 15 anos, que tenta uma vaga para a Primeira Série do Ensino Médio. — Paguei um colégio particular só para ela estudar para essa prova e, agora, acontece isso. É muito triste.
Outros pais também reclamam do curto prazo para o pedido de revisão das notas, que foi apenas até o dia 4 de janeiro.
— Meu filho tirou 10 em português, 6 em matemática e 5 na redação. Achei a nota da redação estranha, porque ele é muito bom com texto, então pedi vista da correção no dia 4. Só ontem recebi um e-mail dizendo que não mexeriam na nota, e negaram meu acesso à prova corrigida — contou Vanessa Araujo, mãe de Yuri, de 10 anos.
A lista definitiva com os nomes dos alunos aprovados, que, de acordo com o calendário original, deveria ter sido divulgada nesta segunda-feira, ainda não foi liberada. Pais e alunos estão ansiosos e reclamam que nem o Instituto Acesso Público nem o Colégio Pedro II divulgaram informações oficiais sobre os problemas.
Membro da comissão de pais do Colégio Pedro II de São Cristóvão, Cláudia Souza acredita que falta transparência no processo seletivo.
— As pessoas ficaram inseguras porque o colégio não se posicionou publicamente com relação aos problemas do processo e também não está cumprindo o cronograma — analisou Cláudia. — A organização do concurso diz que os pais devem procurar o colégio, e a escola diz que eles devem procurar a empresa organizadora. Tentamos intermediar um encontro da pró-reitoria de ensino com alguns pais de candidatos, mas a reunião foi negada. Esse jogo de empurra-empurra deixa todo mundo nervoso e não resolve o caso.
O Colégio Pedro II notificou, no dia 7 de janeiro, a empresa Instituto Acesso Público pelo descumprimento dos prazos previstos em edital do Concurso de Seleção de Novos Alunos 2015/2016. O GLOBO entrou em contato com a escola, que ainda não se pronunciou sobre o caso. Essa é a primeira vez que a companhia citada organiza o concurso do Colégio Pedro II, que, até 2014, era administrado pela própria instituição de ensino. Em 2015, a prova foi aplicada pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan).