Mercadante diz que professor da UFRJ deveria ter sido barrado ao chegar ao Brasil
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 07:45 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA — O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira que o físico Adlène Hicheur, condenado por planejar atos terroristas na França e atualmente professor da UFRJ, deveria ter sido barrado quando tentava entrar no Brasil. Embora a universidade que hoje emprega Hicheur seja federal, Mercadante disse que cabe ao Ministério da Justiça e à Advocacia Geral da União tomar providências em relação ao franco-argelino.
Mercadante acompanha o caso do professor, divulgado pela revista “Época”, desde setembro, quando recebeu pedido de auxílio da Polícia Federal ainda como titular da Casa Civil. Hicheur, por sua vez, defende que o processo por suspeita de terrorismo foi fabricado.
— Lógico que deveria ter sido bloqueado (o acesso dele ao país). Uma pessoa que teve aqueles e-mails que foram publicados, que foi condenado por prática de terrorismo, não nos interessa para ser professor no Brasil. Não há nenhum interesse nesse tipo de perfil.
Apesar das declarações contundentes, o ministro descartou qualquer movimento do governo para desligar ou afastar o professor da universidade. Disse que não recebeu contato do reitor da UFRJ nem de nenhum outro representante da instituição sobre o assunto, até o momento.
— O currículo acadêmico dele e a produção científica preenchem todas as exigências. Inclusive a instituição disse isso. É um pesquisador altamente qualificado. Esse problema não é se ele é professor, engenheiro, estudante. Quando ele vai ter acesso ao visto de entrada no país, essa pesquisa tem que ser feita. Se há indicio de alguém que teve, como no caso dele, condenação ou envolvimento com práticas terroristas, você tem que bloquear na entrada — afirmou.
Segundo o ministro, embora não tenha tradição de conflitos, o Brasil pode sofrer atos terroristas durante as Olimpíadas, por ser um evento de repercussão mundial.
— É o evento de maior impacto midiático do mundo, a maior audiência de todos os eventos é a abertura das Olimpíadas. O Brasil não é alvo (de atos terroristas), mas pode ser palco — disse Mercadante.
Ele disse que acompanha o caso do professor, divulgado pela revista Época, desde setembro, quando recebeu pedido de auxílio da Polícia Federal ainda como titular da Casa Civil. Mercadante afirmou que continuou prestando informações como ministro da Educação, em parceria com a Capes e o CNPq, sobre as atividades do físico no Brasil. Como a investigação da PF estava sob sigilo, segundo Mercadante, ele não conversou, até agora, sobre o assunto com nenhuma autoridade da UFRJ.
Para julgá-lo, a polícia francesa se baseou em mensagens trocadas por ele com um usuário que usava o pseudônimo Phenix Shadow — que seria Mustapha Debchi, apontado pelo governo como membro da al-Qaeda na Argélia. Nos e-mails, os dois mencionavam assassinatos, ataques a embaixadas e potenciais alvos, entre outros conteúdos suspeitos. Detido, ele cumpriu dois anos e meio de prisão.
Embora a universidade que hoje emprega o físico seja federal, Mercadante disse que cabe ao Ministério da Justiça e à Advocacia Geral da União tomar providências em relação ao franco-argelino. Agentes da Divisão de Antiterrorismo da Diretoria de Inteligência (DIP) da Polícia Federal de Brasília o monitoram há pelo menos seis meses.