Programa de renovação de frota volta à análise do governo
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 04:51 | Atualizado há 10 anosBRASÍLIA – O programa de renovação de frota, que permite aos donos de veículos com mais de 20 anos se desfazerem de seus carros e, em troca, receberem uma carta de crédito para aquisição de um novo automóvel, voltou à pauta do governo após anos na gaveta. Demanda do setor automotivo há duas décadas, o programa recebeu recentemente sinalização positiva do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro, após uma nova pauta, consolidada por 18 entidades ligadas ao transporte rodoviário, ter sido encaminhada à pasta em dezembro. Agora, o setor se mobiliza para tentar convencer Fazenda e Planejamento a darem o aval.
Segundo estimativas da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos (Anfavea), ao menos 230 mil caminhões que rodam hoje nas estradas brasileiras têm mais de 30 anos de idade. Após reunião com o ministro do Planejamento, Valdir Simão, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, explicou que essa seria a principal frente de atuação do programa e pondera que o total equivale a 20% da frota nacional de caminhões. Mais cedo, ele se reuniu também com o titular da Fazenda, Nelson Barbosa.
— O conceito do trabalho é muito bom, todos os ministros com quem nós conversamos gostam muito da ideia. O que nós precisamos agora é ter um tempo adequado para o governo analisar esse trabalho, fazer as perguntas e simulações que tiver que fazer e com certeza nós vamos conseguir ter um programa mais consistente — afirmou Simão.
Ainda não há, segundo Moan, uma ideia definida de quem irá bancar a carta de crédito ou qual o valor dela.
— Não ha definição de como se formará esse funding, o grande desafio que o governo tem que analisar é se esse programa gera vendas incrementais. se gerar, estaremos gerando tributos adicionais e ha uma chance melhor de um funding.
Ele garante que “existe na cabeça pelo menos uma dúzia” de alternativas para a formação desse funding. Um exemplo é utilizar converter o valor da carcaça, reciclável, em recursos para ajudar o fundo.
O presidente da Anfavea descarta, no entanto, qualquer pedido de subsídio ao governo. Segundo ele, o setor nunca pediu subsídio e destaca que o programa de desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não passou de “um programa de ajuste temporário da mais alta carga tributária sobre veículos do mundo”.
Moan explica que a ideia é que os veículos velhos sejam desmontados “de forma ambientalmente correta” e que a matéria prima seja reutilizada. Segundo a Anfavea, um automóvel pequeno tem cerca de 800kg de material ferroso passível de ser reutilizado.
NÚMEROS DO SETOR
Durante a reunião com Simão, Moan disse que explicou ao ministro a conjuntura do setor: há uma previsão de queda de 7,5% das vendas internas. A produção deve crescer 0,5% e as exportações, 9%.
Questionado sobre o alto preço cobrado por automóveis no Brasil, ele argumentou que o carro brasileiro, com o câmbio valorizado da forma que está, é um dos mais baratos do mundo. O carro aqui teria, conforme o presidente da Anfavea, valor médio de US$ 7 mil. Segundo ele, a correção dos preços dos carros também é muito menor do que a inflação corrente.
— De 2004 a 2015, a inflação superou 85% e a inflação do carro evoluiu 4%. Nós temos muita competição no mercado e estamos trabalhando, cada empresa, para buscar seu próprio mercado.